Confira texto de Vinícius Espinosa provocando uma reflexão sobre o tema do Trânsito em Canguçu:
15 junho 2026
Remédio Amargo - Texto de Vinícius Espinosa
17 maio 2025
"Eu não quero que os Canguçuenses morram sem nunca ter ido ao teatro ver teatro" texto de Dhiule Völz
Pode parecer exagero, mas no começo do ano eu não fazia ideia de onde essa vontade ia me levar.
ser artista no interior é quase um ato de resistência. a gente tenta plantar algo num solo que parece não ter sido preparado pra arte.
aqui tem muita gente que ainda acha que teatro é coisa de televisão, de cidade grande, de gente famosa. mas a verdade é que tem muita gente talentosa por aqui. gente que canta, dança, escreve, cria… e que quase ninguém conhece.
isso me dói.
e como já falei nas entrevistas que dei: me dá pena. porque não é falta de talento ou esforço, é falta de espaço, de incentivo, de receptividade, de olhar.
a sensação é de ser, literalmente, invisível. e eu sei que não tô sozinha nessa.
tenho conhecido outros artistas que também estão tentando, com o que têm, manter a chama acesa. gente que trabalha de dia, trabalha ensaiando de noite, inventa palco onde der.
e a gente faz porque acredita. porque sabe que arte não é luxo, é necessidade. uma sociedade sem cultura, é uma sociedade vazia. e tudo o que é vazio, é manipulado.
esse caminho meio amargo tem me mostrado muita coisa doce também: que mesmo com poucos recursos, a gente consegue emocionar, ensinar, transformar. que vale a pena continuar, mesmo quando parece que ninguém tá vendo.
e é por isso que eu não vou parar.
torço pra que meus colegas também nunca parem.
quero que a arte esteja onde o povo está. quero ver as crianças subindo num palco pela primeira vez. quero ver gente adulta resgatando sonhos antigos. quero ver as famílias se emocionando juntas. quero que quem mora aqui perceba: a beleza também acontece nessa cidade.
tô cansada de ver gente incrível que parou de tentar porque cansou de ser invisível. se isso não te incomoda… talvez tu nunca tenha amado algo a ponto de sangrar por isso.
eu amei. e ainda amo.
e é por isso que eu continuo.
por mim. por nós.
Texto: Dhiule Völz
Saiba mais sobre o trabalho da atriz Canguçuense CLICANDO AQUI
23 junho 2024
Reflexão sobre imagem de alunos no Festcap estampando caminhão do lixo
Pesquisador sobre história e cultura Pomerana, apresentador dos programas "Alô, gente amiga" e "Pommerblad", na rádio Kerb FM, Nilso Pinz divulgou um texto em suas redes sociais refletindo sobre a colocação de imagens de alunos da rede pública participantes do Festcap no caminhão da coleta de lixo do município.
Confira:
PRONTO! FALEI!
Quem me conhece sabe que: sempre procuro me manter afastado de polêmicas, embora, jamais me esconda em explanar o que penso, dentro do livre princípio constitucional de expressão. Em decorrência da minha forte ligação e pesquisa da CULTURA ALEMÃ/POMERANA, tenho sido constantemente questionado sobre a minha opinião em relação aos painéis do FESTCAP no CAMINHÃO QUE RECOLHE O LIXO NO MUCÍPIO DE CANGUÇU, pois bem vou expo-lá publicamente:
Primeiro: meu respeito e admiração pelos trabalhadores e empresa que prestam brilhante trabalho no recolhimento do lixo;
Segundo: expressar minha opinião sobre a forma de exposição do convite do FESTCAP considero pessoalmente de: MAU GOSTO, INOPORTUNA E ANTIECONÔMICA ao utilizar esta forma de divulgação da cultura alemã/pomerana, digo isto sem querer ser ofensivo ou preconceituoso, apenas por acreditar que:
a) Se estes painéis fossem expostos em pontos estratégicos a exemplo das: margens da BR 392, trevo de acesso ao município, margens da RS 265 sentidos São Lourenço e Piratini, estradas de acesso a sede, ônibus do transporte escolar(afinal os alunos são os artistas do festival) dentre outros, produziriam melhor efeito cultural e promocional;
Terceiro: os paineis junto ao caminhão seriam muito mais proveitosos em uma campanha de conscientização sobre a poluição e coleta;
Quarto: Cumprimentar as escolas, professores, direção, pais, alunos e a comunidade que não mede esforços pessoais, materiais, financeiros e sobretudo étnicos-culturais em MANTER VIVA A NOSSA CULTURA ALEMÃ/POMERANA, e as demais ETNIAS: AFRO, INDIGENAS, ITALIANAS, PORTUGUESAS, ESPANHOLAS, GAÚCHAS, JAPONESAS DENTRE OUTRAS, responsáveis pela formação, desenvolvimento e crescimento de Canguçu.
PRONTO FALEI, DESCULPA SE MAGOEI ALGUÉM, NÃO É ESTE O PROPÓSITO! (Link original)
25 julho 2023
Poesia "Colono e Motorista", de Adriana Lima
Colono e motorista
Peço licença a todos
Quero falar
E lembrar
Hoje é um dia muito importante
Para comemorar
O dia do colono e motorista
Quero ressaltar
E falar para toda a sociedade
Meus parabéns quero deixar
Para todos os trabalhadores
Seja quem cultiva
Ou transporta
Para nosso país avançar
E essa união de classes
Faz nossa comunidade lucrar
Esses produtores que vive do chão
Aranhado, plantando e colhendo
Sem reconhecido e admiração
Mais não podemos deixar de lembrar
Que sustenta uma nação
Além de tudo isso,
Sofre com, estiagem, granizo e geada
Mesmo assim, não desistem de seus serviços
Os motoristas que vivem nas estradas
Que se emocionam na saída
E não sabem como vai ser a chegada
Corajosos e Essências
Para o país
Mantendo a população
Se saudade fosse volume
Já dava a carga do caminhão!
“Colono e motorista
São nossos verdadeiros artistas “
Autora: Adriana Lima / Canguçu-RS.
16 junho 2023
CRÔNICA: NA TERRA DA ONÇA TAMBÉM HABITAM PANTERAS NEGRAS
NA TERRA DA ONÇA TAMBÉM HABITAM PANTERAS NEGRAS
“...essa negrinha é puta, puta [que é um raio], filha do Zeca...” (“Vereador” Francisco Vilela)
CANGUÇU! Eu nasci em Canguçu! Eu saí de Canguçu, mas jamais Canguçu saiu de mim! Carrego minha carteira de identidade, onde está escrito que minha naturalidade é: Canguçu! Em meu passaporte está escrito que sou natural da terra da onça e tenho orgulho em ser filho da Princesa dos Tapes!
Tenho recebido de vários amigos e amigas um vídeo onde um microfone, efetuando o papel para que foi criado, amplifica a fala racista de um Vereador da cidade em que nasci! O substantivo feminino utilizado pelo não tão nobre “edil” para desqualificar a Servidora Pública me chamou a atenção e certamente merece sim ser analisado pelos pares da Casa de Leis da cidade.
Mas, o que mais me chamou atenção e me fez refletir foi o modo pejorativo que o não tão nobre Edil se referiu a uma Servidora Pública, uma mulher Negra, a chamando de “negrinha”! Não conheço o Vereador e estarrecido fui assistir a Sessão Legislativa que aceitou a abertura de processo por quebra de coro do Parlamentar e ao escutar o Edil se pronunciar fiquei mais estarrecido ainda. Pois do alto de sua empáfia se achou no direito de ainda ter direito!
Então resolvi, primeiramente, na condição de filho de Canguçu, professor, escritor, pós-graduado em Políticas Públicas em Educação em Direitos Humanos, Diversidade e Questões Étnicos-Raciais me solidarizar com a Mulher Negra, conterrânea, irmã na cor e na dor, Eliane Pereira Rush!
Eliane, saiba você que a filosofa estadunidense Angela Davis é autora de uma frase que ecoa no mundo inteiro, e agora chega a nossa Canguçu. Disse ela: “Quando a mulher negra se movimenta, toda a estrutura da sociedade se movimenta com ela”; eu acrescento de minha lavra, que também é verdadeiro dizer que quando uma mulher negra é agredida, toda sociedade é agredida com ela. Mesmo distante, eu faço parte desta sociedade para sempre. Eliane, receba, por favor, minha solidariedade, meu apoio e minha amizade!
Em segundo lugar, vou me dirigir ao Nobre Senhor Vereador Francisco Romeu da Silva Vilela, vulgo Senhor “Xico Vilela”, não no sentido de lhe jogar pedra, mas em contribuir para que o fato acontecido lhe sirva como aprendizado e quem sabe ao aprender o senhor se torne uma pessoa melhor, menos preconceituosa, abandone os filmes pornôs e venha a servir a sociedade de maneira digna, de preferencia fora da Câmara de Vereadores.
Senhor Vereador, Xico Vilela, peço licença e liberdade para lhe contar uma pequena história que está inserida dentro de outras histórias maiores e gloriosas que pertencem a minha família e a história da população negra de Canguçu.
Nessa cidade em que o senhor foi eleito para representar o povo, nossa bela Canguçu, antigamente, nos tempos em que os negros não podiam frequentar certos lugares, lugares próprios para pessoas brancas; nos tempos em que os negros conheciam seu lugar e nele permaneciam, baixavam a cabeça, olhavam para o chão e com a voz baixa concordavam com tudo; nos tempos em que as meninas e mulheres negras eram chamadas por meninos e homens brancos de “neguinhas”, uma menina negra passou o canivete no pênis de um homem branco, tipo o senhor, que a chamou de “neguinha”, mostrou o pênis e encostou nela.
Essa menina cresceu, se tornou uma mulher e principalmente o fato mais importante: era minha avó paterna! Dona Fortunata Dias é seu nome. Os amigos a chamavam de Dona Nádica, eu e meus irmãos a chamávamos de “Vó Diquinha”. Ela era muito conhecida em nossa Canguçu e foi minha primeira professora do que chamamos hoje “Questões Étnico-raciais”. Ela me ensinou e sempre a escutava a ensinar as meninas negras da família, que se algum “branco” lhes chama-se de “neguinha” que elas dissessem nome e endereço do dito cujo que ela iria até o local e faria o sujeito se arrepender de ter nascido. E ela cumpria à risca o que falava! Vereador, se minha Avó Nádica viva fosse, ela teria invadido a Casa de Leis e hoje o senhor estaria em maus lençóis!
Uma segunda história e agora atual, é de uma amiga a quem muito prezo e respeito, mulher negra também, que costuma dizer o seguinte: “Se me chamar de “neguinha”, vai depender do contexto e da maneira e eu vou decidir, se me derreto toda ou se te processo”. No seu caso meu caro Xico, cabe processo sim, pois você ainda se utilizou duplamente do substantivo feminino “puta”. E racismo é crime, “xico”! Há se Dona Nádica viva fosse!
Se me permite, “xico”, veja que ao longo desta minha fala tens perdido o prestígio de minha parte. Comecei te chamando de “Nobre” e já estou te chamando somente de Xico. Se me permite vou te falar de um grande homem negro, que ocupou essa cadeira que infelizmente você ocupa, espero que não por muito mais tempo. Este homem Negro se chamava José Manoel de Almeida, meu avô! Meu avô Zé Almeida, tal qual era chamado foi o primeiro Vereador Negro de nossa cidade. Era um trabalhador conhecido e respeitado em todo o interior de Canguçu, era um poeta e respeitava as mulheres, os homens e principalmente seus pares nessa Casa de Leis. Existe quase nada de sua biografia nos anais dessa Câmara de Vereadores, isso de uma certa maneira é triste, pois um Legislativo que não possui sua própria memória e dos Edis que por ela passam deixa muito a desejar. Em nome do meu avô que ocupou essa cadeira, ouso dizer que “tu” desonrou não somente essa Casa de Leis, onde ele, um poeta, tratava todas as mulheres com reverencia e respeito, mas manchou com mídia negativa nossa cidade.
Em tempo, “xico”, meu pai, Walvon Dias, foi um grande político em nossa cidade, isso nos anos de chumbo, tempos em que tudo podia, inclusive chamar as pessoas de melanina acentuada de “neguinhos e neguinhas”, um dia, dentro de nossa casa agrediu um político “graúdo” da época, pelo fato de usar o mesmo termo que ‘tu’ usou, depois, virou para minha pessoa e disse: “...o que eles pensam e conversam em privado, um dia verbalizam! Cabe a você puxar a descarga e não permitir que volte a acontecer!”.
Obrigado por sua atenção, desculpa se me exaltei um pouco, mas estamos no ano de 2023, século XXI, era em que a tecnologia domina o mundo e na minha nada modesta opinião não existe mais lugar para esse tipo de fala, tal qual a que ‘tu’ proferiu e ao não mais aceitarmos esse tipo de fala, não aceitamos mais calados as pessoas que as estão proferindo, seja em atos, omissões, pensamentos ou em conversas particulares. Espero que seus pares façam justiça à servidora caçando seu mandato e mostrando que a sociedade canguçuense não aprova esse tipo de conduta.
Me despeço, pedindo desculpas a sociedade a que pertenço, a sociedade canguçuense, a qual tenho muitos amigos/irmãos, se minha fala em algum momento os deixou constrangido, os que me conhecem sabem que sempre andei e fui criado na companhia dos maiores e melhores homens e mulheres, negros e negras que essa cidade já viu e que muito fizeram para essa cidade ser o que é nos dias de hoje, verdadeiros Panteras Negras! Se muitos hoje estão sem dentes para morder e outros já morreram, ainda existem fibra e valor na maioria para lutar em defesa do correto, mesmo que estejam habitando em terras distante, pois Canguçu jamais sai de dentro dos seus filhos, estejam onde estiverem, carregam a terra da onça dentro de si.
Na terra da onça habitam Panteras Negras e elas devem ser respeitadas!
Waldson de Almeida Dias (Tcheco) - 15/06/2023 (A pedido).
22 novembro 2021
Respeito à língua portuguesa - Por Mônica Leal Vereadora de POA e Jornalista
Uma falsa e imprudente forma de comunicação vem sendo abordada por pessoas que se dizem “inclusivas” e “livres de preconceitos”. A tal linguagem neutra vem gerando polêmica na sociedade. O uso de palavras sem definição de gênero (feminino ou masculino), como o “todes” em substituição a todos e todas, por exemplo, não encontra respaldo ou reconhecimento na língua portuguesa padronizada. Lastimável a conduta daqueles que desprezam não só a língua portuguesa como também querem sugerir alteração na forma de educar nossas crianças.
A sociedade não deve se calar por receio de criticar aquilo que agride suas premissas básicas. Ser homem ou mulher, menino ou menina, é condição biológica e não há nada de errado com isso. Ao contrário, eis que a natureza é sábia e não devemos nos dedicar a alterá-la. Saudável a diferença entre os gêneros e a capacidade que temos de compatibilizar a convivência em sociedade. Recentemente uma peça de teatro foi cancelada no Colégio Farroupilha ao ser percebido que utilizava a dita linguagem neutra. A escola agiu muito bem. Ora, qual a intenção do uso desse tipo de vocabulário em uma apresentação em ambiente escolar? Parece ser deseducar, pelo uso incorreto da língua portuguesa, ou induzir crianças a pensarem que é errado aquilo que escutam dos pais e da própria escola. A questão é que cabe aos pais a base da educação dos filhos e à escola avançar quanto aos conteúdos programáticos.
Penso que não devemos deixar de ensinar a importância do respeito à diversidade, assim como à opinião contrária à nossa, e isso desde a escola. Ensinar o respeito a toda e qualquer diferença entre as pessoas sempre será importante, é da sociedade democrática. Porém, alterar a língua portuguesa em nome de uma falsa premissa de inclusão merece ser rechaçado.
Estejamos vigilantes, pois muitos estão se aproveitando de narrativas falsas para impor o que lhes convém. E não há que se condenar o conservadorismo. Ser conservador não é ser preconceituoso. Ser conservador é ser defensor da sociedade, da família e da educação.












