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15 junho 2026

Remédio Amargo - Texto de Vinícius Espinosa

 Confira texto de Vinícius Espinosa provocando uma reflexão sobre o tema do Trânsito em Canguçu:


Remédio Amargo

Costumamos procurar um médico quando estamos doentes. Tomamos remédios amargos porque queremos a cura. Mas, depois de curados, quantos de nós voltamos ao consultório apenas para agradecer?

Talvez o maior problema da administração pública seja justamente esse: o remédio amargo raramente gera reconhecimento. Ele cura, previne, organiza, resolve. Mas dificilmente gera aplausos.
Por isso gostaria de iniciar este devaneio agradecendo às sucessivas administrações públicas de Canguçu. Sucessivas porque o benefício ao qual me refiro não pertence a um único governo. Ele foi construído, aos poucos, por diferentes gestões que tive a oportunidade de acompanhar desde que moro aqui.

Hoje já não precisamos nos deslocar para cidades como Pelotas ou mesmo para a capital para experimentar alguns dos desafios típicos dos grandes centros urbanos. Nós, moradores de uma cidade pequena, temos o privilégio de conviver com um trânsito cada vez mais caótico.

E foi justamente hoje, em pleno horário comercial e início de mês, na principal rua da cidade, que a genialidade se materializou diante dos meus olhos: a demarcação de vagas de estacionamento.

Curiosamente, a realização do serviço contribuiu para tornar o trânsito ainda mais complicado naquela tarde. Mas talvez isso seja parte da ironia. O desconforto momentâneo causado pela medida serviu para evidenciar, de forma quase didática, o tamanho do problema que ela tenta enfrentar.

Faço questão de repetir: isso não é prerrogativa desta administração. É também resultado das anteriores.
Porque o remédio amargo — estacionamento rotativo, restrições de circulação, planejamento urbano e organização do espaço público — não costuma gerar votos. Eu entendo.

Afinal, o remédio amargo é o que cura.

Mas quem é que procura um médico depois de estar curado?

25 julho 2023

Poesia "Colono e Motorista", de Adriana Lima

 Colono e motorista 


Peço licença a todos

Quero falar

E lembrar 

Hoje é um dia muito importante

Para comemorar

O dia do colono e motorista

Quero ressaltar


E falar para toda a sociedade

Meus parabéns quero deixar

Para todos os trabalhadores

Seja quem cultiva

Ou transporta 

Para nosso país avançar

E essa união de classes

Faz nossa comunidade lucrar


Esses produtores que vive do chão

Aranhado, plantando e colhendo

Sem reconhecido e admiração

Mais não podemos deixar de lembrar 

Que sustenta uma nação

Além de tudo isso,

Sofre com, estiagem, granizo e geada

Mesmo assim, não desistem de seus serviços


Os motoristas que vivem nas estradas

Que se emocionam na saída

E não sabem como vai ser a chegada 

Corajosos e Essências

Para o país

Mantendo a população

Se saudade fosse volume

Já dava a carga do caminhão!


“Colono e motorista 

São nossos verdadeiros artistas “

Autora: Adriana Lima / Canguçu-RS.


11 fevereiro 2023

Exposição de briga entre artistas traz à tona tema da alienação parental

Aspecto psicológico da exposição na mídia da parentalidade de Luana Piovani e Pedro Scooby

O episódio da briga familiar entre a atriz Luana Povani e o surfista e influenciador Pedro Scooby, vem ganhando vários capítulos nas redes sociais. Ativando discussões acaloradas sobre quem está certo ou errado: Luana ou Pedro?

Sem fazer qualquer juízo de valor, o tema também levanta questões relacionadas ao bem estar dos filhos. Tanto que, nas últimas semanas, devido a toda essa exposição na mídia, muito tem se falado sobre a alienação parental.

Um assunto bastante delicado que vem se intensificando ao longo dos anos e demonstra a fragilidade nas relações entre os pais que podem abalar diretamente a convivência e os vínculos familiares, prejudicando a saúde mental das crianças envolvidas. E existe até uma classificação de síndrome para o problema: a Síndrome da Alienação Parental.

Ela se dá quando a criança é induzida, mediante diferentes formas e estratégias de atuação, a destruir seus laços com um dos genitores. Mas não podemos nos esquecer que essa alienação não ocorre apenas com os pais, e é considerado crime a prática abusiva exercida por qualquer pessoa que tenha a autoridade sobre a criança.

Fato é que, essa ação destrutiva é uma forma de maltrato ou abuso; um transtorno psicológico que se caracteriza por um conjunto de sintomas pelos quais um dos genitores, denominado cônjuge alienador, transforma a consciência de seus filhos, com o objetivo de impedir, obstaculizar ou destruir seus vínculos com o outro genitor, denominado cônjuge alienado, sem que existam motivos reais que justifiquem essa condição.

A prática objetiva criar uma imagem desvirtuada em relação ao genitor ou genitora, buscando prejudicar o vínculo filial da criança. 

Podemos destacar alguns pontos muito peculiares que caracterizam a alienação, como: realizar campanha de desqualificação da conduta no exercício da paternidade ou maternidade. Trazendo essa prática para dentro do campo psicológico, os danos para a saúde mental da vítima podem ser irreversíveis se não forem tratados, causando também impactos na formação da criança em seus aspectos intelectual, cognitivo e social. 

Os problemas psicológicos e psiquiátricos também são consequências. Alguns sintomas podem incluir: depressão crônica, incapacidade de adaptação em ambiente psicossocial normal, transtornos de identidade e imagem, desespero, sentimento incontrolável de culpa, sentimento de isolamento, comportamento hostil, falta de organização, dupla personalidade, doenças psicossomáticas, ansiedade ou nervosismo sem razão aparente, dificuldade de adaptação em ambiente psicossocial normal, insegurança e baixa autoestima.

Porém, de uma coisa temos certeza: é importante proteger a criança dos conflitos e desavenças do casal e impedir que as situações entre os pais afetem os vínculos familiares, pois tanto a figura materna, quanto paterna, é uma das principais referências de mundo e de sociedade para os filhos. Além disso, todo esse estresse tóxico pode comprometer, a curto, médio ou longo prazo, o desenvolvimento sadio do indivíduo.

Por fim, essa questão é tão importante e preocupante que o que vemos por aí, são pais brigando entre si, tanto que em alguns momentos não sabem nem mais porque estão brigando, e as crianças envolvidas até o pescoço dentro dessa tempestade, servindo de objeto ou instrumento para a continuidade da briga.

O que precisa ser esclarecido é que eles nunca serão “ex” pais, podem deixar de ser um casal, mas a escolha ainda assim é deles e não da criança que precisa ser protegida e acolhida. Do contrário, crescerá repleta de traumas e neuroses que podem impedir o desenvolvimento correto do seu equilíbrio mental e psíquico.

Tudo isso serve de alerta para mostrar, o quão nocivo é a alienação parental para a família como um todo, além do principal malefício que é ferir o direito fundamental da criança à convivência familiar saudável, sendo ainda um descumprimento dos deveres decorrentes de guarda ou tutela.

Precisamos nos atentar a isso e preservar a saúde mental da criança envolvida, afinal deve-se ter apenas uma certeza na cabeça dos genitores, sejam eles famosos ou não: o filho não é seu, e não é meu. O filho é nosso e precisa ser preservado. 

Dra. Andréa Ladislau /  Psicanalista


07 fevereiro 2023

Normopatia – Desejo doentio de ser sempre como os outros

Ter opinião própria, defender suas ideias e pensamentos, desenvolver um senso crítico, promovendo a individuação é o melhor movimento que o ser humano pode fazer rumo ao desenvolvimento saudável de seu equilíbrio e saúde mental. Mas, infelizmente isso não acontece com todos.

O que mais temos visto, atualmente, são pessoas que preferem viver a vida do outro, seguir as definições e regras do outro, por medo se ser isolado, cancelado socialmente, ou mesmo julgado.

Essa prática, cada vez mais comum, tem nome e é considerada uma psicopatologia que vem tomando proporções gigantescas no âmbito comportamental e nas relações interpessoais. É a Normopatia, definida por um lema: “para ser normal, faça o que os outros fazem. Deseje o que os outros desejam. Persiga o que os outros perseguem e pense como os outros”.

A supervalorização da opinião do outro, mesmo que não concorde, mesmo que sofra, é a ação mais intensa do Normopata. A aprovação social é o seu objetivo principal, mesmo que para isso tenha que sucumbir sua própria identidade e dignidade.

Olhando por um outro prisma, o Normopata, dependendo do grau desta patologia, pode sofrer e se sentir muito incomodado por pensar diferente das pessoas com quem convive. Mas, a fobia de imaginar que poderá ser excluído, rejeitado dos grupos ou da sociedade de uma maneira geral, é tão intensa que ele anula seus desejos, suas vontades e internaliza o infeliz desejo de ser como todo mundo.

Como podemos identificar um Normopata? Ele não internaliza e não prática a introspecção, isso porque não existe a intenção de se desenvolver através do autoconhecimento. Esse esforço anormal pela validação social faz com que ignore seu verdadeiro “eu”.

Ele está sempre considerando os outros “normais” e ele não, por isso a loucura por ser “igual”. Porém, a consequência é o padecimento, uma vez ele sente-se perdido, vazio e, sem forças para lidar com a frustração, o fracasso e suas decepções.

Esse tipo de comportamento é muito comum entre os jovens. O grande risco é que se não houver uma intervenção terapêutica e o desejo de mudanças, a tendência é que esse indivíduo siga com uma vida vazia, sem personalidade, já que sua identidade está sempre focado no que é externo.

Está sempre em busca da aprovação alheia, sentindo-se um inútil, incapaz de realizar feitos a partir de seus próprios desejos ou ideias. Ou seja, com o tempo, vai se sentindo como um “fake”, vazio e comandado.

A Normopatia é uma doença que promove um pensamento operacional gerador de sofrimento. Mas nem tudo está perdido. Existe cura para esse problema e isso pode ser facilmente resolvido através da terapia. O processo terapêutico tem como um de seus objetivos, fornecer ao indivíduo a chave da felicidade plena que é aprender a ser nós mesmos, desenvolver o senso crítico através do exercício da individualidade, elevar a autoestima e o amor próprio.

Enfim, infelizmente, nossa sociedade está cheia de casos da doença e as pessoas não se dão conta de que sofrem deste mal. Porém, é preciso estar conscientes de que não somos obrigados a ser como os demais e não há nada mais anormal do que ser obcecado por ser normal ou igual. Nossa individualidade nos faz seres únicos, evolutivos e valiosos. Quando não reconhecemos isso, passamos para o campo da dor interna, por tentar se encaixar no que é normativo e esperado.   

Dra. Andréa Ladislau /  Psicanalista

26 julho 2021

À Pedido: Desabafo de Familiares de Cairo Barbosa

Agradecemos ao Canguçu em Foco, que à pedido nosso, familiares de Cairo Barbosa, nos possibilitou o nosso desabafo e inconformidade de um pai de família, médico consagrado esteja preso aguardando que fatos inverídicos, que ainda não foram averiguados, em que muitas vezes assassinos e ladrões, nem segure são punidos; infelizmente depoimentos falsos e incongruentes se sobrepõe a verdade, como suposta compra de testemunha, onde a própria conversa extraída dos telefones provam ao contrário e nem sequer são de conhecimento das autoridades investigatório.

Queremos deixar claro que a nossa intenção nunca será de ódio, de ofensas a quem quer que seja.

Sempre iremos defende-lo em quaisquer conjuntura, por ser valioso no nosso meio familiar, bom filho, um pai maravilhoso, médico dedicado, e sempre quando ainda estudante foi clemente a sua dedicação. Foram 43 anos de profissão, sem segure uma situação de negligência comprovada, mais de 160 mil procedimentos médicos em toda a sua vida profissional, quase 15 mil nascimentos em suas mãos; Nenhuma comprovação científica de que o menino, exibidos nas redes sociais  por pessoas desinformadas e com o intuito de espalhar o ódio seja fruto  de negligência, inclusive fato que foi amplamente apurado pelas autoridades e que foi imputado até o presente momento, foi uma patologia rara agravada em decorrência da Covid 19 e que cujos efeitos são amplamente prejudiciais no período gestacional.

Mas até o momento tudo o que lemos e assistimos, foi o pré julgamento, os comentários de ódio por parte de alguns, sendo está a pior acusação, onde os fatos acontecem as cegas, mas acreditamos na justiça.

Que a divulgação de notícias falsas, depoimentos contraditórios, arranjados e tendenciosos, sem a mínima comprovação, com o intuito meramente vingativo visando usurpar de oportunas indenizações financeiras e denegrir a imagem de um profissional que há anos contribui com a saúde pública de nossa Comunidade.

Vimos uma suposta menor divulgada pela imprensa e autoridades policiais , fato que já tinha 19 anos ao fazer sua primeira consulta.

Vimos o fato de uma suposta vítima seguir frequentando o consultório do acusado.

Vimos mentiras de algumas delas nem se conheciam, e serem amigas de juventude, com fotos comprovando o fato.

Vimos uma suposta vulnerável que fez exame de toque na véspera de ganhar seu filho, exame este para contatar dilatação do útero, e que pode ocasionar sangramento na gestante, talvez um pouco de desinformação ou má fé, noticiando um suposto estupro na maternidade de nosso hospital, sendo que todos os procedimentos tem acompanhamento de enfermeiros na sala do exame.

Vimos pessoas comemorando com taças de vinho, com a legenda # essa semana promete, um dia antes dele ser denunciado no MP.

Familiares recebendo ligações para telefone fixo com comentários irônicos.

Também familiares recebendo ameaças via whatsapp, por acharem que uma simples msg ou conversas seria em defesa dele.

Pedimos a Deus e a Nossa Senhora neste momento que a justiça seja feita, e que ele tenhas forças prá suportar estás provações, com as comorbidades que lhe afetam.

Se o momento é de crise, não te perturbes, segue...

Serve e ora esperando que suceda o melhor

Queixas, gritos e mágoas são golpes em ti mesmo.

Silencia e abençoe

A verdade tem voz

08 setembro 2020

O perfume das fadas - Poema de Andrise Louzada

O perfume das fadas...

Livre a caminhar pelos campos,
Bailando entre as flores...
Saboreando o doce perfume
Das flores, da liberdade...
Ouvindo o canto dos pássaros...
Lá vai ela...
Uma fada que encanta...
Uma deusa por natureza...
Alguém que ama viver livremente,
Alguém que ama flores,
Que ama animais,
E que fica super feliz ao contemplar
A magnífica natureza.
Ela é uma fada que com sua magia
Faz com que tudo se torne mais belo.
Ela é mulher!!
Com alma serena,
Com um coração romântico,
Que sonha, ri, chora e se diverte.
E que mesmo com tantas adversidades
Não deixa de ver o lado bom das coisas.
Menina travessa...
Que brinca, que corre entre as flores...
Mulher guerreira que luta pelo que quer.
Mulher de rara beleza,
De olhar intenso, jeito meigo e até meio bruto.
Mulher que conquista a todos ao redor.
Por vezes é fada mística,
Com uma poção mágica nas palavras.
Ela tem o perfume das fadas,
O aroma das flores do campo,
E o doce encanto do amanhecer...


Autora: Andrise Louzada.

18 agosto 2020

Roger Machado lança projeto para lançar autores negros e indígenas

Uma das principais vozes do movimento negro no futebol brasileiro, o técnico do Bahia, Roger Machado, quer promover a negritude e a luta antirracista para muito além do esporte. O treinador é o mecenas de um projeto que pretende lançar 50 livros de autores negros e indígenas nos próximos cinco anos e, quem sabe, se tornar uma editora no futuro. Já em 2020 serão publicados 10 livros da coleção Diálogos da Diáspora que, graças ao financiamento do Projeto Canela Preta, de Roger, chegarão ao mercado com preço acessível para a parcela mais carente da população, formada em sua maioria por negros.
"Quando minhas filhas eram pequenas, eu procurava livros para elas, de literatura infanto-juvenil, com autores e personagens negros, e tinha dificuldade e encontrar. Essa inquietação cresceu quando li o livro da Chimamanda Adichie que fala do perigo da história única, como é prejudicial o país quando a história é contata só por um lado, o lado que detém os meios da produção do conhecimento", conta Roger.
A falta de espaço para autores negros no mercado editorial é mais um exemplo do racismo estrutural tão presente na sociedade brasileira. Para ter um livro publicado, um autor iniciante normalmente precisa colocar dinheiro do bolso e, mesmo assim, quando chega às prateleiras da livrarias, o livro tem um valor expressivo. Pelo projeto do Selo Diálogos da Diáspora, os custos de produção serão cobertos pelo financiamento do treinador. Um exemplar de 200 páginas que seria vendido por R$ 40 vai custar R$ 15. Os livros serão lançados pela Hucitec Editora, especializada em humanismo, ciência e tecnologia. O plano é que, a partir do ano que vem, seja aberto um edital para o recebimento de originais, que, por enquanto, devem ser enviados diretamente à Hucitec Editora.
Fonte: https://www.uol.com.br/esporte/colunas/olhar-olimpico/2020/08/18/roger-vira-mecenas-e-quer-publicar-50-livros-de-autores-negros-e-indigenas.htm?cmpid=copiaecola

15 junho 2020

Combate à corrupção e democracia

Procurador da República, Deltan Dallagnol comentou o momento atual do Brasil em artigo publicado neste domingo (14) no jornal O Globo, afirmando que "pouco a pouco, os mesmos políticos envolvidos em escândalos voltam a controlar a gestão de órgãos públicos e seus orçamentos”. Ele é chefe da força-tarefa da Lava Jato no Paraná.

Confira o artigo na íntegra:

Radicalismo, ódio e violência nos levarão de mal a pior
A defesa da democracia e a luta contra a corrupção estão ligadas. Só é possível enfrentar a grande corrupção em regimes democráticos. Fora deles, há interferência política nas apurações e intimidação. Foram avanços institucionais e legais do mais longo período democrático brasileiro que permitiram o surgimento de operações como a Lava-Jato.

Se a democracia torna possível o combate à corrupção política, a luta anticorrupção fortalece a democracia. A gestão que se volta para a arrecadação de propinas a fim de enriquecer ilicitamente os governantes e garantir a perpetuação de projetos de poder se distancia do “governo do povo, pelo povo e para o povo”.

Embora o combate à corrupção, como a defesa da democracia, seja uma causa suprapartidária, o establishment político tem resistido a mudanças para reduzir a roubalheira. Junto com outros fatores, isso contribui para o descrédito das instituições e enfraquece a confiança da sociedade na própria democracia.

Com efeito, após as descobertas da Lava- Jato, poucos políticos corruptos tiveram seu mandato cassado, e reformas anticorrupção foram rejeitadas pelo Parlamento. Pouco a pouco, os mesmos políticos envolvidos em escândalos voltam a controlar a gestão de órgãos públicos e seus orçamentos.

O Supremo Tribunal Federal não conseguiu investigar e julgar corruptos no ritmo esperado pela sociedade e necessário para protegê-la de mais desvios, seja pela complexidade dos casos, pela falta de vocação estrutural ou por decisões equivocadas. Além disso, a proibição da execução da pena após a condenação em segunda instância dificultou muito a efetividade da Justiça contra os corruptos em outras instâncias.

Contudo, as possíveis frustrações com o Congresso e o Supremo jamais devem conduzir à proposta de seu fechamento e à irracionalidade de anseios autoritários. O fato de haver críticas em relação a parte de suas decisões ou ao comportamento de parte de seus integrantes não significa que as instituições não estejam cumprindo em grande medida seus relevantes papéis. As críticas devem buscar seu aperfeiçoamento, e não sua destruição.

Há caminhos legítimos para as mudanças dentro das regras do jogo democrático. Radicalismo, ódio e violência nos levarão de mal a pior. Basta examinar as ditaduras no mundo para ver que não são modelos a serem imitados. As mesmas liberdades que nos permitem cobrar o aperfeiçoamento das instituições, combater a corrupção e demandar o respeito aos direitos individuais e sociais dependem da democracia e suas instituições.

É também difícil compreender que, nas circunstâncias atuais, alguns se sintam tentados a defender a hipertrofia do Executivo. Notícias de interferência na polícia e órgãos de persecução, ausência de um apoio firme à causa anticorrupção, investigações sobre seus integrantes, rejeição do papel da ciência na formulação de políticas públicas em meio à crise sanitária, possíveis ligações com milícias e disseminação de notícias falsas, ataques às instituições e arroubos verbais contra a democracia minam a confiança da sociedade.

O agravamento das sucessivas crises demanda um posicionamento. Os caminhos para diminuir a corrupção, promover a saúde e recuperar a economia podem ser estreitos, mas estão seguramente sobre o terreno da democracia, do diálogo, do respeito, da solidariedade e do aperfeiçoamento das instituições.

Percorrer esses caminhos exige um aumento da participação política por meio do exercício da cidadania. Manifestações pacíficas e o exercício da crítica são formas legítimas de defender valores fundamentais da população. A sociedade deve assumir mais o protagonismo de sua história.

Outra forma de participação, mais poderosa ainda, é o voto. Independentemente de preferências ideológicas, é fundamental eleger, em todas as esferas, candidatos com passado limpo que endossem a democracia e os valores constitucionais, ofereçam propostas de políticas públicas com base em evidências científicas e expressem compromisso com a aprovação de reformas para reduzir a corrupção no país.

Deltan Dallagnol é procurador da República na Operação Lava-Jato

03 junho 2020

O que é Fascismo?

Apresentamos neste texto o que vem a ser “fascismo”; termo amplamente utilizado. A proposta é apresentar (esclarecer) suas características mais marcantes. Para isso, nos reportamos também à sua experiência mais conhecida: a italiana.


Características

De forma bem objetiva, o fascismo é um regime totalitário onde o Estado é absoluto e seu líder idolatrado, de mão pesada aos “costumes nefastos” e aos inimigos. Nele há uma supervalorização do nacionalismo, sendo o imigrante visto, quase sempre, como intruso e indesejável, sobretudo se sua origem for pobre. Este é acusado de roubar o lugar dos cidadãos naturais.

Há nesse regime uma ênfase ao militarismo, ao culto às armas, uma obsessão com a segurança nacional e a valorização e exaltação do heroísmo; quase sempre representado na figura de seu líder.

Diferente de regimes autoritários, onde os cidadãos devem ser apáticos, nos regimes totalitários, como no fascismo, a população é instigada a dar demonstração de amor ao país e exaltação ao líder, revelando de forma clara seu apoio; por isso é muito comum as demonstrações públicas em datas comemorativas.

É também marca do fascismo o preconceito e o racismo. Como destacou Carone (2002), “a discriminação enquanto comportamento político fascista estaria muito mais na dependência da psicologia do discriminador do que das características dos alvos da discriminação” (p.196).

Observar-se no Fascismo um desprezo aos direitos humanos e um apreço pelo uso da violência contra tudo o que é compreendido como “desordem social”. Historicamente, regimes com características fascistas manifestam desprezo por intelectuais e artistas, se opondo a qualquer tipo de educação que questione os interesses do governo e/ou Estado.

De acordo com Carone (2002), em governos de caráter fascistas, observa-se um planejamento cínico por parte dos líderes pela racionalização da violência como mecanismo de defesa.

Outras características marcantes do fascismo são o desejo de controlar e censurar a mídia e as opiniões divergentes, o totalitarismo e o uso de preceitos morais e religiosos como forma de manipulação; como no caso do Fascismo Italiano de Mussolini.

No fascismo o líder se coloca como contrarrevolucionário, defensor dos “bons costumes perdidos”, sendo oposição ao governo, acusando-o de diversos males. Trata-se de um regime reacionário caracterizado como “extrema-direita”.

Citando a experiência italiana, Rollemberg (2017, p.368) atesta que o fascismo foi marcado pela oposição “aos projetos tradicionais da esquerda, tais como as liberdades individuais, os direitos humanos, o devido processo legal e a paz internacional”.

A propaganda marcada por mentiras é uma característica do fascismo. “Um discurso calculado racionalmente para provocar efeitos irracionais são próprias da propaganda fascista em qualquer parte do mundo” CARONE, 2002, p. 2004). O objetivo desse tipo de governo é manipular as massas em prol de seus mais perversos objetivos.

HISTÓRIA
Para tornar mais claro o conceito de Fascismo, apresentamos um breve cenário de desenvolvimento do Fascismo na Itália.

A implantação do Fascismo na Itália, em 1922, deu-se partir da oposição consciente de parlamentares ao governo, levando o país à crise política a fim de legitimar a necessidade de uma intervenção mais rigorosa, uma ditadura. O discurso do “país afundado em crise e em corrupção” foi usado para que a população aceitasse um líder antidemocrático. Dito isto, à luz da História o Fascismo surge de parlamentares que não ajudavam no desenvolvimento do país, antes marcando oposição e atuando na lógica “quanto pior melhor” para, posteriormente, se apresentarem como a solução de todos os problemas nacionais (MOURA, 2002).

Quando o fascismo chegou ao poder não havia uma doutrina definida, apenas elementos pontuais e fragmentados que o constituía. Apenas quando se consolida no poder, o fascismo se fortalece e suas ações tornam-se mais claras, perversas e regulamentadas em leis nacionais ou simplesmente por meio de atos ditatoriais. O líder fascista se apresenta como oposição ao marxismo e/ou ao liberalismo em nome de um nacionalismo exacerbado. “Ela se inscrevia, ao mesmo tempo, em uma tradição nacional, contestadora da ordem social estabelecida” (ROLLEMBERG, 2017).

À guisa de conclusão

Conceituar fascismo não é uma tarefa fácil, mas diversas características são fáceis de serem observadas quando o observador as conhece. Comumente, pessoas acabam apoiando a implantação de governos fascistas sem se dar conta. Quando percebem, é tarde. Assim nos mostra a História.

Autoria
BODART, Cristiano das Neves. Para entender de uma vez o que é fascismo. Blog Café com Sociologia. 2018. (acesse aqui)


Referências

CARONE, Iray. Fascismo on the air estudos frankfurtianos sobre o agitador fascista. Lua Nova. nº55-56, 2002.

MOURA, G. de Almeida. O fascismo italiano e o Estado Novo Brasileiro. Rio de Janeiro: Ed. Ridengo Castigat Mores. 2002.

ROLLEMBERG, Denise.Revoluções de direita na Europa do entre-guerras: o fascismo e o nazismo. Estudos Históricos. Rio de Janeiro, vol. 30, no 61, p. 355-378, maio-agosto, 2017.

22 maio 2019

Parcerias, concessões e o futuro do Rio Grande

O Rio Grande do Sul cumpriu uma etapa importante para estimular o seu desenvolvimento por meio de investimentos privados. Recentemente, finalizamos três exitosas audiências públicas sobre o futuro da Estação Rodoviária de Porto Alegre e de duas importantes rodovias: a ERS-324 e RSC-287.   

Foi uma clara demonstração de transparência e diálogo com diversas regiões. Recebemos mais de 400 sugestões da população sobre os temas.
As parcerias com o setor privado são bem-vindas, pois viabilizam investimentos com agilidade, sem as amarras e a burocracia do poder público. Além disso, permitem que o Estado atue com efetividade em setores que necessitam de mais atenção.
Para se ter uma ideia do salto de qualidade esperado, a ERS-324 recebeu dos cofres públicos R$ 84,5 milhões nos últimos cinco anos. Com a concessão, os valores chegarão a R$ 293 milhões no mesmo período – um número quase quatro vezes maior. Serão duplicados 115 quilômetros entre Passo Fundo e Nova Prata – passando por Marau e Casca.
Na RSC-287, o aporte também será expressivo. Foram alocados R$ 195 milhões de 2014 a 2018 e a perspectiva é ultrapassar os R$ 477 milhões por meio da iniciativa privada. O trecho a ser duplicado é de 204 quilômetros entre Tabaí e Santa Maria. Em ambas as rodovias, a concessão resultará em R$ 3,3 bilhões investidos durante 30 anos.
A Rodoviária de Porto Alegre receberá R$ 77 milhões e será totalmente revitalizada com melhorias que vão desde climatização até elevadores, escadas rolantes e qualificação dos espaços comerciais. A gestão será da iniciativa privada por 25 anos.
A partir de agora, será elaborado um documento que compõe os editais para encaminhá-lo a órgãos reguladores. A estimativa é publicá-los até o fim do ano para que as obras iniciem em 2020. 
Criatividade, inovação e muito trabalho são fundamentais para melhorarmos a qualidade dos serviços públicos prestados às nossas comunidades e garantirmos o bem-estar de todos os gaúchos.

Juvir Costella, secretário estadual de Logística e Transportes

13 maio 2019

13 DE MAIO: A ESCRAVIDÃO QUE PERDURA

Quantos alunos de uma escola pública de ensino fundamental concluem o 9º ano querendo ser professor? Desses, quantos sonham em ser professor de história? Esse quase inexistente desejo, demonstra a falta de entendimento e consequente desinteresse pela história, uma batalha perdida, pois para tomar gosto por história, ela precisa ser dinâmica, assim como o interesse em qualquer outra disciplina. Na maioria das escolas existe um total engessamento em propiciar a um aluno gosto pela história, então como surgirão bons professores, filósofos, sociólogos, psicólogos? A crença materialista, causa nas ciências exatas, um atraso e um risco gigantesco a humanidade, é preciso começar a dar espaço aos físicos quânticos que hoje provam quem é Deus e ainda são considerados doidos, ao invés dar prestigio aos físicos nucleares que fabricam bombas atômicas! Mas como, se as ciências humanas estão estagnadas?
O atual conteúdo escolar de história passado aos alunos é arcaico, e pior do que isso é a forma desconectada do presente com que ele é abordado. Que tivéssemos que decorar nomes, guerras e datas, mas que trouxéssemos para a realidade não o que aquilo representou, mas as consequências do que ainda representa, porém, o método cartesiano vigente que acredita apenas na matéria beneficia o individualismo, a competição e a separação de tudo o que existe no universo.
Em 5 anos de história na escola, são em médias gastas 3300 horas de conteúdo, que poderiam ser resumidos em uma frase: Caros alunos, vocês preferem ficar 3300 horas ouvindo a mesma coisa, ou simplesmente saber que, em 3300 anos de história documentada da humanidade contamos nos dedos os anos sem guerras e barbáries? 
Acho que a 2º opção é mais sensata! Mas, após a escolha feita, teremos de discutir porque nada mudou, o que diferencia nossa sociedade daquela das múmias? Praticamente nada, seguem as crenças limitantes, embora temos exemplos bem atuais provando que até piorou! Mas isso não pode ser admitido, discutido, socialmente não é aceito, então se espera a era pós-contemporânea, que para muitos já está sendo vivida após a internet. Pouco importa, mesmo saindo da época da revolução francesa, a nova era da história segue sem clareza!
Em 1932, o inglês Aldous Huxley em seu livro Admirável Mundo Novo, escreveu:
“A ditadura perfeita terá a aparência da democracia, uma prisão sem muros na qual os prisioneiros não sonharão sequer com a fuga. Um sistema de escravatura onde, graças ao consumo e ao divertimento, os escravos terão amor à sua escravidão”
A DATA
Em 13 de Maio de 1888, foi assinada a abolição da escravatura, e além disso o máximo que se aprende é que os negros eram colocados em trabalhos forçados, agora entender porque a 131 anos comemoramos algo que nunca deveria ter ocorrido não estudamos! Mais de um século se passou, mas isso não é nada, porque a reencarnação traz de volta os problemas mal resolvidos, os escravos, os feitores e os senhores, apenas a novo modelo, e principalmente continuam instaladas as crenças, os preconceitos, os traumas e os egos inflados pelo poder. Quando será discutido isso? E os traumas ainda atuais da inquisição? E as consequências da 2ª guerra? Um pedido de desculpa reconhece um erro, mas as sequelas não se consomem em chamas, não são surradas pelo tempo, nem explodem com urânio... Temos de fato muito mais do que 3 mil horas de assunto! Mas para que mesmo? Seria para formar pensadores e não robôs-escravos!

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07 maio 2019

Artigo: A voz do silêncio

Desde muito pequenos somos induzidos a compreender e usar 5 sentidos, se tratando da cultura ocidental isso é muito marcante. Em nossa tradição, os pais têm desejo que os filhos comecem logo a falar, é o sentido que faltava para comprovar que são saudáveis, estando então, prontos para interagir e compreender o mundo. Por mais que o sentido da fala seja uma benção divina, poucos desenvolvem o dom de saber usa-la, devido isso fica muito difícil compreender que existe uma coisa chamada sexto sentido, intuição, conexão interior com o universo, entre outros nomes que podem ser relacionados.

A fala deveria ser observada com atenção, pois se trata de uma expressão que teoricamente já processou, e remete algo que os demais sentidos já captaram e estão divulgando, portanto existe um processo complexo por traz de cada frase pronunciada, algo que, por falta de intuição aguçada as pessoas não percebem, então se fala muito e, se tem pouco a dizer. 
O sexto sentido nada mais é do que a sabedoria. É bom destacar que, inteligência se alcança usando os 5 sentidos, já a sabedoria não! Para chegar de fato ao sexto sentido, entre outras coisas, é preciso perceber quanto inculta é e sempre foi a comunicação, uma manifestação externa que espelha um vazio conteúdo interno. A observação na real necessidade de falar te tornará mais calando, não se identificará mais com os assuntos antes de seu interesse, é onde surge o silêncio, ele será o principal aliado na busca da sabedoria. Aos que não ouviram ou esqueceram a história das 3 peneiras na escola fica uma outra reflexão:
No aproximado ano de 500 a.C, com quase 70 anos, Sidarta Gautama (Buda) foi perguntado sobre o que havia ganho com seu silêncio e sua meditação! Percebendo a ignorância e o sentido materialista da pergunta do homem que se aproximou dele, Buda apenas manteve-se calado, o homem repetiu a pergunta, e como não teve resposta, irritou-se, esbravejou e depois afastou-se, sem que Buda se quer piscasse os olhos. 
Mais tarde, quando reunido aos seus seguidores, percebeu que o homem estava disfarçando sua presença entre eles, e disse: Mais cedo fui perguntado sobre qual a melhor forma de lidar com um estupido?! Após quase uma hora de silêncio ele prosseguiu: Se meu objetivo na vida fosse acumular posses não teria abandonado o berço de ouro em que nasci! Ao longo de minha trajetória nada ganhei, apenas perdi! Novamente após longa pausa ele continuou. Perdi pelo caminho necessidade de ser aprovado e de julgar, perdi ansiedade, raiva, insegurança, medo da velhice e o temor da morte, e ainda fiz algumas trocas, troquei quilos de ouro por toneladas de sabedoria, troquei centenas de assuntos tolos que não eram meus, por milhares de pensamentos internos de luz, confiança, gratidão e Amor...
Fica reiterada aqui a necessidade e a responsabilidade da evolução, é hora de abandonar a personalidade artificial, que não tem nada a ver com a natureza interna ainda oculta pelo poder reativo criado perante o mundo externo. Reivindique em você o poder de sua sabedoria e da espiritualidade. O silêncio é o melhor despertador e esconde o maior dos tesouros!
 07 de maio dia do silêncio
Dica: Assista no youtube, o vídeo  Tao - A sabedoria do silêncio interno
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”Experimente mudar a si, então descobrirá um novo mundo”

05 dezembro 2018

A importância de celebrar vitórias

* Dijanira Silva

O final de ano me parece ser uma época propícia para fazer uma revisão de vida com foco nas vitórias. Certamente, ao pararmos para analisar tudo que vivemos antes de trocarmos de calendário, iremos nos deparar com muitos desafios.. Mas também vamos contemplar vitórias, pequenas ou grandes, e é sobre elas que quero jogar um pouco de luz, convidando você a tomar posse do que já lhe pertence! 

A cada tempo, a história atualiza os fatos, mas a essência não muda. O homem é movido por lutas e impulsionado pelo desejo de alcançar vitórias. Esta é uma das forças que movimentam o universo e é bom que seja assim. Até porque, se não tivéssemos expectativas de conquistas, porque haveríamos de lutar? O diferencial está em como escolhemos lutar por nossos objetivos e se, de fato, temos celebrado nossas vitórias como elas merecem.

Existem pessoas que passam pela vida esperando motivos para comemorar e existem aquelas que comemoram, mesmo quando aparentemente não há motivos. Eu faço parte do segundo grupo, e pode até ser uma herança cultural, pois sou nordestina, e no nordeste nós amamos fazer homenagens e comemorações. Mas, independente disso, comemorar me ajuda a viver melhor os meus dias e penso que isso faz bem para todo mundo, pois quando comemoramos uma conquista estamos dizendo para nós mesmos que valeu a pena lutar, que somos capazes, que estamos no caminho certo. Isso aumenta a nossa confiança para continuarmos buscando nossos ideais. A lembrança de uma vitória dá força para ganhar a próxima batalha, e a comemoração alimenta esta lembrança por mais tempo.

O clima do Natal nos faz pensar Naquele que nos deu a maior de todas as vitórias, a vida e a capacidade de amar. Jesus veio ao mundo para nos ensinar que quando amamos de verdade sempre temos o que comemorar, pois o amor encontra sentido em tudo, até mesmo na dor. 

Ensinou também, que somente quando nos doamos e fazemos os outros felizes, quando partilhamos nossos sonhos e acendemos a esperança na alma de quem nos rodeia, é que conquistamos nossa própria felicidade. A comemoração faz todo sentido! 

Eu creio que durante o ano, muitas vezes, você fez o bem, mesmo que não tenha sido notado; chorou algumas vezes, mas também sorriu, abraçou, estendeu a mão, amenizou dores, cultivou flores, trabalhou, dormiu, acordou, acreditou de novo, e isso é viver! Com gestos assim, você venceu e fez a diferença na vida de muita gente, portanto, é um grande motivo para comemorar.

Então comemore! Comece pelas pequenas vitórias, pois são elas que nos transformam, mesmo quando não percebemos, em grandes vencedores. Nos provam que é possível ir além e crescer na confiança. E ter confiança é fundamental para vencer! 

Precisamos confiar em Deus que, através de nós, pode fazer muito mais do que imaginamos. Mas é importante também confiarmos no potencial que Ele já nos deu, que cabe a nós desenvolvê-lo. 

Não deixe para depois, pense agora nas conquistas que você já obteve até aqui, lembrando que sua vida é a maior vitória. E seja grato pelo que já tem, não fique apegado ao que ainda espera. Depois, compartilhe suas conquistas com quem está a seu lado, pois assim como o amor é contagiante, o clima de celebração também o é! Ao compartilharmos as coisas boas que conseguimos alcançar, iremos ajudar outras pessoas a fazerem o mesmo.

Aquele que é o autor de todo bem nos dará a força necessária para vencermos os desafios e, a cada dia, celebrarmos as vitórias.

* Dijanira Silva é missionária da Comunidade Canção Nova, autora do livro “Por onde andam seus sonhos?”, pela Editora Canção Nova, e apresentadora da Rádio América em São Paulo e do programa “De mãos unidas”, da TV Canção Nova.

07 setembro 2017

Opinião: Sem demagogias

Professor Volnei Ceron dos Santos

Sete de setembro! O que comemorar? Muitos brasileiros numa data como a de hoje estarão em alguma praia, visitarão amigos, assistirão a um filme, assarão alguma carne e apreciarão a cerveja favorita. Sim, sem demagogias de patriotismo. Vamos ser sinceros. O verde e o amarelo, pura utopia, ficou nos ideais românticos nacionalistas e naquelas pessoas que ainda acreditam, diria que ingenuamente, num país que nunca chegou a ser. Não há o que comemorar. Pátria de quem? Nossa? Tua? Geração futura? De quem? 
Essas pessoas,  por vezes, conotativamente tidas por ignorantes, sem cultura, popularmente falando, provavelmente são as mais sensatas no momento, pois não acreditam em contos de fadas, nem em discursos ufanos e mentirosos. Observam e sentem a realidade que aí está, sem muito o que fazer, perplexos ou apáticos, seja como for, esse negócio de pátria virou bobagem e acredito que por isso já escrevo com letra minúscula.
Quem acha que o desrespeito ao Brasil é de agora, que a roubalheira e a mesquinharia é de pouco tempo, engana-se. A ganância pelo dinheiro e poder, a exploração barata – individualista ou corporativa – a todo custo, vêm desde os primeiros dias de colonização, de invasão deste território. Fatos históricos e literários revelam essa triste tendência deste “solo de mãe gentil”. Décadas, séculos... os esquemas podres que assolam o país, tiveram outros nomes no passado e outros personagens, que a seu tempo, usam de poderes e posições influentes para saquear o povo. Além disso, são ladrões de sonhos... porque não há como sonhar alguma coisa para nós brasileiros. Ninguém precisa ser vidente para ver as muitas arguras a espreitar nossos lares, adiante.
Tenho pena, sinceramente, daquelas crianças que ainda inocentes e possuidoras de sorrisos sem maldade, ensaiam momentos da história brasileira... Usam chapéus... vestem o figurino de época... cavalgam em cavalinhos de cabo de vassoura... a simbolizar o Sete de Setembro e entoar um hino nacional mitificado para criar um falso orgulho de uma terra de ninguém, senão daqueles que a saqueiam ano a ano.
Pobres crianças. Um dia, essa fantasia cairá. Resta-nos torcer que venha uma geração capaz de romper com os modelos vergonhosos que aí estão manchando nossa moral.
Desculpem-me. Ficarei por aqui. Acho que está bem gelada. 

22 janeiro 2017

TRAGÉDIA ANUNCIADA: MINAS DO CAMAQUÃ

As minas do Camaquã ficaram famosas pelo ciclo da exploração do cobre, que ativou e desativou algumas vezes. A paisagem é única e representa a riqueza e a diversidade de cenários que formam o nosso Pampa Brasileiro. Mas esse lindo lugar, onde há anos levo turmas de alunos, está novamente ameaçado pela mineração. No período do cobre a falta de tecnologia e controle contaminou arroios e o grande rio Camaquã, que chegou a ser descrito como um rio morto, sem peixes e sem vida.

Agora é a vez do chumbo, no denominado Projeto Caçapava do Sul - uma joint venture entre a Mineração Iamgold Brasil e a Votorantim Metais Holding, que tem como objetivo desenvolver a lavra e o beneficiamento de minerais polimetálicos no Estado. Um investimento estimado em R$ 371 milhões, projetado para extrair 36 mil toneladas de chumbo, 16 mil de zinco e cinco mil de cobre. Será a primeira planta brasileira a operar sem barragens de contenção e os empreendedores prometem controle absoluto nas operações, mas ninguém é capaz de garantir que erros e acidentes não voltarão a acontecer e na prática os benefícios apontados para a região podem ser menores que os prejuízos de uma nova contaminação do ambiente e das pessoas.

A mineração é a cultura de uma safra só e a riqueza desse local é um potencial econômico em si mesmo, seja pelo turismo ou pelo desenvolvimento de atividades sustentáveis, de baixo impacto, que visam o aproveitamento da paisagem, sem esgotar os recursos e sem ameaçar a biodiversidade. Aliás, este é um modo de vida que já existe na região e não pode ser ignorado, inclusive foi reconhecido pelo governo, na forma do Arranjo Produtivo Local (APL) Alto Camaquã.

Além disso, grandes projetos de mineração costumam sobrepujar esforços na direção de alternativas econômicas, depreciam o produto local e criam dependência a um único fator de geração de renda. Trata-se de uma parceria internacional e é possível que os metais extraídos sejam beneficiados fora do país, gerando empregos e impostos mais robustos em outro lugar. Ademais, a atividade da mineração é das menos taxadas no Brasil e normalmente o que sobra ao município explorado é o dano ambiental irreparável e a frustação de viver num lugar pior.

De outra parte, a falta de esclarecimentos e transparência, quanto aos detalhes do empreendimento incomoda bastante. Para este tipo de atividade, mesmo que não haja o acúmulo de rejeitos, o risco envolvido deve ser visto dentro de um contexto, na perspectiva da paisagem. No caso de um acidente ou erro operacional, o dano não se limitará ao local, podendo se estender por todo o rio Camaquã, até a sua foz, na Lagoa dos Patos. E se algo assim acontecer, outras atividades do nosso motor econômico serão postas em risco, como o cultivo do arroz.

Portanto, o fato das pessoas estarem se posicionando de forma contrária ao projeto não significa que estejam sendo manipuladas, pelo contrário, é consciência pura. Talvez esteja faltando informação no que está sendo proposto. Também, não está em julgamento a competência dos profissionais da engenharia, tampouco se desconsidera os avanços tecnológicos alcançados na atividade da mineração. Fala-se de precaução, segurança e transparência no processo. Na dúvida não façam, primeiro escutem as pessoas, principalmente as que moram na região ou que podem ser afetadas pela atividade.

Por: Prof. Marcelo Dutra da Silva
Ecólogo| dutradasilva@terra.com.br

07 janeiro 2017

Artigo: Se é público, não é grátis

Felipe Camozzato - Vereador de Porto Alegre (Partido Novo)

Já passou da hora de os políticos mudarem o jeito de lidar com os recursos do pagador de impostos. Pense nas suas despesas particulares, por exemplo: caso você gaste demais com festas e compras desnecessárias, não sobrará para o que é mais importante. Esse é um dos motivos de eu assumir o compromisso de poupar quase 90% da verba indenizatória a que todos os vereadores têm direito. Afinal, creio que falo também por você quando digo que ninguém aguenta mais ver os burocratas torrando o dinheiro de quem mais precisa: o povo!
Para quem não sabe, os gabinetes podem gastar até R$ 15 mil por mês com o que é necessário para o trabalho diário, como compra de materiais de escritório, ligações telefônicas, assinaturas de jornais etc. O meu vai gastar no máximo R$ 2 mil desse total. Entendo que talvez o leitor pense que somente esse valor não irá, de fato, mudar a nossa cidade, porém, se é da própria política que deve vir o exemplo, faço desde já a minha parte.
Claro que hoje isso não é uma realidade, mas imaginemos que todos os vereadores resolvam também economizar R$ 13 mil mensais. Já pensou na quantia que isso representaria? Pelo menos R$ 22 milhões a mais nos cofres públicos até o fim da atual legislatura (2020). Sim, R$ 22 milhões! Praticamente a metade do que foi gasto na Secretaria de Segurança de Porto Alegre em 2016.
Esse é apenas um exemplo de como um novo jeito de fazer e pensar a política traz grandes benefícios. Se atualmente funções precípuas do Estado não são cumpridas e serviços que deveriam ser de qualidade não são entregues, isso ocorre por falta de gestão e respeito com o dinheiro de quem sustenta a máquina pública. Portanto, resolvi antes de tudo começar a trazer essa nova maneira de lidar com a coisa pública para o meu próprio gabinete. Afinal, não existe nem almoço, nem materiais de escritório, nem ligações de telefone grátis, pois quem paga a conta é você!

14 dezembro 2016

Em artigo promotor fala sobre situação politica atual

O crescente ataque de deputados federais e senadores ao Ministério público e ao Poder Judiciário em resposta à operação “Lava Jato” demonstra a desfaçatez e o desespero daqueles que sempre se utilizaram da máquina pública para corrupção.

O exercício da função pública é regido por normas legais que garantem o uso do patrimônio e dos recursos públicos em proveito da sociedade e não para o atendimento de interesses pessoais de servidores e administradores.  Cabe ao Ministério Público fiscalizar a administração dos órgãos públicos e o desempenho funcional de servidores, bem como as relações entre a iniciativa privada e o poder público.

Faz parte dessa atuação a fiscalização de licitações, para a contratação de produtos e serviços, e de concursos e processos seletivos, para o quadro funcional. Além de combater a corrupção - que é um crime - o objetivo do Ministério Público é impedir que a gestão pública seja ineficiente, porque o mau uso dos recursos públicos gera o desperdício e prejudica o atendimento ao cidadão.

Em nossa recente democracia este é um momento delicado de instabilidade entre as instituições. Entretato, tenhamos fé e coragem para lutar, pois a noite é sempre mais escura antes do amanhecer.


Francisco Ribeiro Soares é canguçuene e atua como Promotor de Justiça em Tubarão – Santa Catarina(SC).

03 dezembro 2016

Política não é profissão


Em janeiro de 2017, prefeitos e vereadores eleitos no corrente ano assumem os mandatos conferidos pelo povo. Antes, porém, que os novos mandatários sejam empossados em seus cargos, gostaria de ver tremulando entre eles alguma faixa saneadora, talvez uma espécie de vocativo contra a corrupção.

É uma lástima que esse negócio de eleição brasileira seja sempre assim tão competitivo, tão caótico, tão extenuante quanto uma maratona olímpica. Nunca se viu tanta disputa por uma cadeira nos plenários da dita "representação popular". A cada eleição legislativa cresce, e muito, o número de candidatos que procuram uma boquinha bem remunerada. Na última eleição municipal, em outubro, mais de 20 mil sôfregos pretendentes consolidaram a pergunta que não quer calar: "Afinal, o que há de tão atraente nessas cadeiras legislativas que justifique um investimento às vezes milionário?".

As cidades cresceram. Os candidatos e os eleitores se multiplicaram. Hoje já não se pode reunir os representantes do povo ao redor de uma miniassembleia, como na antiga Eclésia, na ágora ateniense, onde possivelmente tenha nascido o parlamento, no século V antes da era cristã. Atenas era um espaço social modesto, uma polis, a cidade-estado grega, cujo território não ultrapassava parte da área urbana de Pelotas.

A democracia grega foi uma instituição peculiar. A ágora cabia no Café Aquarius e o eleitorado enchia, no máximo, uma camioneta Kombi. As mãos a apertar eram poucas. Pouquíssimas! As crianças a beijar simplesmente inexistiam; elas eram confinadas no gineceu. Péricles, o maior político ateniense, eleito e reeleito estratego, sem ter beijado crianças, terá apertado um número muito menor de mãos do que um candidato a vereador em Capão do Leão.

Mas - por Deus! - não devemos chorar pelo país que emergiu das urnas ou o que ressurgirá em 2017. A democracia, caro leitor, não é somente uma eleição: a democracia é um processo, com suas teses e antíteses.

07 outubro 2016

Perseguir resultados

Integrante da delegação da Alemanha na Olimpíada realizada no Rio de Janeiro, o técnico de canoagem Stefan Henze não foi vítima de um ataque terrorista como se temia antes dos jogos. Foi mais uma estatística da violência no trânsito que atinge 50 mil pessoas todos os anos e coloca o País como um dos quatro que mais matam nas cidades e rodovias. Já em relação à Paralimpíada, conforme noticiado, praticamente um em cada cinco atletas brasileiros tem deficiência causada por acidente de automóvel. Reduzir o número de mortes e lesões no trânsito é um problema de toda a sociedade. Os acidentes podem ser evitados, uma vez que 90% deles são causados pelo fator humano. As consequências são danosas não apenas em termos emocionais às famílias das vítimas, mas também do ponto de vista do atendimento hospitalar e econômico, já que 60% dos leitos destinados a traumatizados no País são ocupados por vítimas de acidentes.
Apresentamos um projeto de lei, que tramita no Senado, para reduzir à metade, em 10 anos, o índice de mortos no trânsito. O projeto determina que as políticas públicas do Sistema Nacional de Trânsito sobre segurança deverão voltar-se prioritariamente ao cumprimento de metas anuais de redução de mortes por grupo de veículos e de habitantes, ambos apurados por estado. O Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito deverá ser elaborado em conjunto pelos órgãos de saúde, trânsito, transportes e Justiça. O estabelecimento de metas pelo Conselho Nacional de Trânsito é fundamental para traçar um diagnóstico dos acidentes. É preciso reduzir de maneira urgente e obstinada os alarmantes índices de mortes nas ruas e estradas. Precisamos conscientizar o cidadão de sua responsabilidade no trânsito, valorizando ações do cotidiano, o planejamento, a fiscalização e a educação. Vivemos um momento político e econômico onde é necessário perseguir resultados que poupem vidas.

Artigo de Beto Albuquerque, 
Ex-deputado federal e presidente estadual do PSB/RS.

06 maio 2016

Artigo - Sozinhos Ou Acompanhados?

Querido jovem! Você já se sentiu só alguma vez? Muitas vezes podemos ter esse sentimento. E a Ascensão de Jesus, lembrada por nós cristãos pode nos dar essa sensação.

Sabe por que? É que 40 dias depois da ressurreição Jesus subiu ao céu. E Lucas nos relata que no dia em que isso aconteceu algumas pessoas ficaram olhando para o alto, talvez pensando que Jesus voltaria.

Mas aí dois homens de branco falaram com eles, dizendo:
- “Homens da Galiléia, por que vocês estão aí olhando para o céu? Esse Jesus que estava com vocês e que foi levado para o céu voltará do mesmo modo que vocês o viram subir” (At 1.11)

Jesus subiu ao céu para nos preparar um lugar (Jo 14.2) e disse que iria voltar para nos levar para junto dele. Ele já havia morrido e ressuscitado para a nossa salvação (Lc 24.46). Jesus fez o que tinha para fazer aqui na terra. Estava cumprida a sua missão.

Hoje não conseguimos ver a Jesus assim como os discípulos o viram e nele tocaram. Mas Ele subiu ao céu e lá está e também continua conosco todos os dias até o fim dos tempos (Mt 28.20). Ele é onipresente, está em todos os lugares. Está contigo neste momento em que lês esta mensagem.

Quando você se sentir sozinho lembre que Jesus está ao teu lado, por onde quer andares e ao mesmo tempo Ele está junto do Pai no céu para nos preparar um lugar onde moraremos definitivamente com Ele um dia.

E ainda mais: nós somos testemunhas destas coisas (Lc 24.48). Por isso vamos compartilhar a notícia de que não estamos sós. Jesus está sempre conosco. Ele morreu, ressuscitou, subiu ao céu para nos salvar. E além de tudo isso: Está contigo!

Que Deus abençoe a todos vocês.
Pr. Clóvis Blank – Conselheiro da JELG
Comunidade Bom Pastor (Igreja da Figueira) - Canguçu/RS