Quando uma nação como o Brasil vive um "pacote" de crises - ética, econômica, política, administrativa -, inevitavelmente, renasce porque se trata de um momento recorrente da história nacional e nem vale a pena relembrar a quantidade de vezes que tal divisão interferiu na formação do povo brasileiro.
Não há nações em estágios civilizados mais avançados que não tenham atravessado o que estamos passando. E nenhuma delas ultrapassou essa fase aplicando o reducionismo do "nós contra eles". Um debate assim encolhe as ideias da mesma maneira que uma discussão entre gremistas e colorados termina sempre com as clássicas questões e suas respectivas verdades - "quem venceu mais Gre-Nais?" ou "quem tem mais títulos?", "quem tem o estádio mais moderno?".
Estamos num período perigoso que ainda - felizmente - não atingiu o patamar de uma crise institucional, mas o atual "pacote" de crises, se não for contornado, poderá nos levar a uma ruptura onde as primeiras vítimas são sempre a liberdade e os direitos da cidadania.
O "nós contra eles" é o atalho para o radicalismo como nas seitas religiosas, e o trágico exemplo é o que vem fazendo o Estado Islâmico. Ou algo assim como disse o ex-presidente Lula defendendo a Petrobras do escândalo do petrolão: "Quero paz e democracia, mas também sabemos brigar. Sobretudo quando o Stedile colocar o exército dele nas ruas".
Aí está um modelo de discussão proposto por Lula que está mais para uma solução tribal do que para um pacto nacional. É o incentivo ao "nós contra eles" que nos distancia das sociedades civilizadas e nos aproxima de uma Venezuela.
Nosso país que hoje tem lugar na mesa compartilhada pelas 20 maiores nações do planeta não pode continuar internamente dividido entre o "nós contra eles". Fugir deste conceito simplista não será fácil, mas ele só será eliminado com nossas instituições funcionando e qualificando seu material humano. (Jornal Correio do Povo, Domingo 13/09/15)

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