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02 agosto 2011

A diferença entre granizo e chuva congelada

Hoje, dia 02/08/11 (terça-feira) o nosso Estado teve registros de chuva congelada (ou chuva congelante), e começaram a surgir dúvidas sobre chuva congelante: Como se forma? É granizo? Qual a diferença entre granizo e essa chuva congelada?
O granizo (ou saraiva) é um fenômeno meteorológico, que consiste numa precipitação de pedras de gelo que podem medir 5 mm ou ser até do tamanho de uma laranja. Em muitas partes do mundo, é comum a tempestade com pedras de gelo do tamanho de uma bola de tênis. O granizo forma-se quando pequenas partículas de gelo caem dentro das nuvens, recolhendo assim a umidade. Essa umidade se congela e as partículas são levadas para cima novamente pelas correntes de ar, aumentando de tamanho. Isso acontece várias vezes, até que a partícula se transforma em granizo, que tem o peso suficiente para vencer as correntes de ar e cair em direção a terra. Abaixo segue um link do youtube que explica o processo de formação do granizo:
Já a chuva congelada ou chuva congelante é um tipo de precipitação que começa a cair desde as nuvens em direção à superfície em forma de neve, a grandes alturas, derrete-se completamente enquanto cai, quando atravessa uma camada de ar com temperatura acima do ponto de congelamento (0°C), e logo encontra uma segunda camada inferior a níveis mais baixos de temperatura que a primeira, sobrefundindo-se. Esta água então congelar-se-á ao impactar-se com qualquer objeto que encontre, podendo o gelo acumular-se até vários centímetros, com uma camada de gelo transparente.

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Douglas da Silva Lindemann
Mestrando em Meteorologia Agrícola
Departamento de Meteorologia Agrícola
Universidade Federal de Viçosa-MG
Fone: DEA - (31)3899-1890
Cel. - (31)8581-8602.

04 julho 2011

Conhecendo um pouco mais sobre as massas de ar

O que uma massa de ar? Uma massa de ar se define como um volume de ar de grande extensão cujas propriedades físicas, sobretudo temperatura e umidade, são uniformes. Seu tamanho cobre em geral centenas e inclusive milhares de quilômetros quadrados, verticalmente pode atingir espessuras de vários quilômetros, e suas características são conferidas pelo contato prolongado sobre extensas áreas oceânicas ou continentais.
Como se deslocam? O ar está em constante movimento devido às diferenças de pressão atmosférica entre um local e outro. Com este movimento, o ar tenta igualar as pressões, transportando dos pontos de maior para os de menor valor. Ao passar por um determinado ponto, a massa de ar em movimento encontra a massa de ar local e interage com ela, alterando o estado do tempo neste lugar. Como a temperatura do ar varia de um local para outro, devido às diferenças da incidência da radiação na superfície, são formadas áreas de alta e baixa pressão atmosférica, que fazem as massas de ar se deslocar. Elas vão de áreas com menores temperaturas, onde a pressão atmosférica é alta para áreas de maior temperatura, onde a pressão atmosférica é baixa. É importante ressaltar que as massas de ar não se misturam, a que tem uma densidade maior “empurra” a outra. Por isso é comum em determinados dias termos uma variação do tempo, muitas vezes é uma massa de ar se sobrepondo sobre a outra atuante até então na região.
Classificação das massas de ar: As massas de ar se classificam segundo sua temperatura (determinada por sua posição sobre o globo: polar, tropical ou equatorial) e pela umidade do ar (continental ou marítima). Existem vários tipos de massas de ar: polar continental, polar marítima, tropical continental, tropical marítima, equatorial tropical, entre outras.
Atualmente o Rio Grande do Sul está sob influência de uma massa de ar polar oriunda da região nas proximidades da Antártica, ela se desloca rumo ao norte da América do Sul, passando por Argentina e Uruguai, até chegar ao nosso Estado. Tem como característica um ar seco e com poucas nuvens, o que traz uma garantia de tempo bom por alguns dias.

Douglas da Silva Lindemann

Mestrando em Meteorologia Agrícola
Departamento de Meteorologia Agrícola
Universidade Federal de Viçosa-MG
Fone: (31)8581-8602

12 junho 2011

PREVISÃO PARA O INVERNO DE 2011

O inverno começa oficialmente dia 21/06, mas parece que esse ano veio antes, e com muita força. Como já vem ocorrendo, existe uma diminuição do fenômeno La Niña na região do oceano Pacífico equatorial, e a permanência das condições de aquecimento das águas do oceano Atlântico sul. Com esses padrões se mantendo, espera-se ainda irregularidade da chuva durante o inverno, mas tudo próximo do normal esperado. As temperaturas também apontam para uma grande variação, principalmente nos meses de julho e agosto.
A análise detalhada dos modelos estatísticos (CPPMet/UFPel) indicam pequenas variações dos totais acumulados das precipitações. A situação das temperaturas não é diferente, os meses de junho e julho as temperaturas tendem a ficar abaixo da média, enquanto no mês de agosto a temperatura deverá ficar acima da média, de acordo com os modelos.
De acordo com os padrões de circulação atmosférica durante o inverno, é salientada uma maior persistência das massas de ar frias sobre o Estado principalmente nos meses de junho e julho e consequentemente maior ocorrência de geadas.
Então para o inverno de 2011 espera-se que as precipitações se mantenham dentro do padrão, com temperaturas mais baixas e com uma maior ocorrência de geadas durante junho e julho e um maior aquecimento no mês de agosto.
FONTE: Boletim Climático. Responsabilidade Técnica: 8° DISME/INMET e CPPMet/UFPel.
Douglas da Silva Lindemann

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30 maio 2011

A temperatura continua subindo

Não há dúvidas que um tema que muito preocupa é a questão das mudanças climáticas. Apesar de muitas pessoas pensarem que não tem relação alguma com o assunto, na verdade, podemos estar muito mais relacionados que pensamos. Um bom exemplo está na agricultura, ocorrendo uma mudança no clima, culturas poderão sofrer muito com isso, deixando de ser plantadas por não terem uma condição favorável para a sua produção. Mas apesar da preocupação do meio científico, parece que nossos governantes não demonstram a mesma preocupação, como mostra a reportagem da Agência Brasil:
Emissão de gases bate recorde em 2010 e ameaçam combate ao aquecimento
As emissões internacionais de gases responsáveis pelo efeito estufa bateram um recorde histórico no ano passado, colocando em dúvida o cumprimento da meta de limitar o aquecimento global em menos de 2 °C, segundo informações divulgadas nesta segunda, dia 30, pela Agência Internacional de Energia (AIE). Segundo a agência, as emissões de dióxido de carbono (CO2), o principal gás de efeito estufa, cresceram 5% no ano passado em relação ao recorde anterior, em 2008. Em 2009, as emissões haviam caído graças à crise financeira global, que reduziu a atividade econômica internacional.
A agência estimou ainda que 80% das emissões projetadas para 2020 no setor de energia já estão comprometidas, por virem de usinas atualmente instaladas ou em construção. A meta de limitar o aumento global das temperaturas médias em 2 ºC foi estabelecida durante a conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre mudanças climáticas realizada no ano passado em Cancun, no México. O limite teve como base um relatório técnico que indicava que se a temperatura global aumentar mais de 2 °C, as consequências podem ser irreversíveis e devastadoras. Segundo os cálculos da AIE, a quantidade de CO2 emitida no mundo atingiu 30,6 gigatoneladas no ano passado, um aumento de 1,6 gigatonelada em relação ao ano anterior. A agência estimou que, para limitar o aquecimento dentro dos limites aceitáveis, as emissões globais não devem ultrapassar 32 gigatoneladas até 2020.
Se o crescimento das emissões neste ano igualar o do ano passado, o limite estabelecido será ultrapassado nove anos antes do prazo. Segundo a AIE, os países considerados desenvolvidos foram responsáveis por 40% das emissões totais em 2010, mas responderam por apenas 25% do crescimento global das emissões. Países em desenvolvimento, principalmente China e Índia, registraram um aumento muito maior de suas emissões, acompanhando seu crescimento econômico acelerado. Quando consideradas as emissões per capita, porém, os países desenvolvidos tiveram uma emissão média de 10 toneladas por pessoa, enquanto na China foram 5,8 toneladas per capita e, na Índia, 1,5 tonelada.
Douglas da Silva Lindemann

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29 abril 2011

Chuvas e temperaturas acima da média para o próximo trimestre

De acordo com o 8° DISME/INMET de Porto Alegre e o CPPMET/UFPEL, órgãos responsáveis pela elaboração do Boletim Climático para o Rio Grande do Sul, as chuvas nos meses de março e abril se apresentaram muito irregulares no Estado, mas que na região de Canguçu as precipitações se mantiveram acima da média. As temperaturas mínimas e máximas também se mantiveram acima do padrão.
No último mês a temperatura da superfície do mar no Oceano Pacífico Equatorial ainda permaneceu com anomalias negativas (águas mais frias que a média), mas existe uma redução da área, ou seja, ocorre um enfraquecimento do fenômeno La Niña. Com a permanente redução desta área associada com um aumento na temperatura da superfície do mar no Oceano Atlântico Sul, espera-se ainda padrões irregulares de chuva no estado.
No entanto, para este próximo trimestre as tendências permanecem indicando predomínio de padrões acima do normal para as precipitações (Figura 1) e temperaturas, principalmente para os meses de maio e junho. Essa tendência acontece justamente por causa deste enfraquecimento da La Niña.
A análise detalhada dos modelos estatísticos indica um aumento da precipitação, para a região sul do estado principalmente para os meses de junho e julho. As temperaturas mínimas e máximas seguem padrões semelhantes, acima do padrão normal para o período. Apesar dos prognósticos indicarem tendências de temperaturas acima da média para a maior parte do Estado, ocorrerá também dias com temperaturas baixas e formação de geadas em alguns dias durante o trimestre.
Através da Figura 1 podemos observar a tendência da precipitação para o próximo trimestre, quanto mais forte o tom de verde, maior é o acúmulo de chuva esperado para o mês.
Colaboração
Douglas da Silva Lindemann

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16 abril 2011

DESENVOLVIMENTO DE UMA TEMPESTADE

Assim como a primavera, o outono é conhecido como estação de transição, é um período em que a atmosfera passa por períodos instáveis, ocorrendo uma grande amplitude na temperatura e umidade do ar. No caso da temperatura, em certos períodos podemos ter uma amplitude de 15 °C em um único dia, com temperaturas baixas pela manhã e elevadas no período da tarde. Situações como essa são propícias para a formação de tempestades, se a atmosfera apresentar condições para isso, essas tempestades podem ser localizadas ou de uma forma mais geral quando associada com uma frente fria que chega a determinada região.
Tempestades são caracterizadas por chuvas e ventos fortes, relâmpagos, trovões e, algumas situações até precipitação de granizo. Elas são produzidas por uma ou mais nuvens cumulonimbus (Cb), com diâmetro de 5 -10 km, alcançando altitudes de 10 - 20 km, dura em média 30 - 60 min e move-se com uma velocidade de 40 - 50 km/h. Normalmente elas podem ser identificadas por seus grandes e brilhantes topos esbranquiçados, que se projetam na direção dos ventos formando uma saliência denominada bigorna. A frequência de tempestades em um dado local depende de vários fatores, entre eles a topografia, a latitude, a proximidade de massas de água e a continentalidade. Uma pequena percentagem das tempestades que ocorrem todo ano é considerada tempestade severa, isto é, produzem ao menos uma das seguintes características: granizo com diâmetro igual ou maior que 2 cm, ventos com velocidades superiores 90 km/h e ainda tornados. As tempestades estão compostas por uma ou várias células, tendo cada uma um ciclo de vida bem definido.
Douglas da Silva Lindemann

Mestrando em Meteorologia Agrícola
Departamento de Meteorologia Agrícola
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13 março 2011

Explicar o inexplicável

A cidade de São Lourenço do Sul mais uma vez passou por momentos complicados devido ao grande volume de chuva que ocorreu no município, assim como ocorreu no interior do município no ano passado, um grande volume de chuva em poucas horas fizeram que a população tivesse passado por momentos de horrores. Algumas pessoas me procuraram me questionando como o fenômeno não foi previsto com antecedência e também tenho acompanhado os esforços de meteorologistas de diversos meios em procurarem a resposta. Mas talvez a resposta seja que um fenômeno como este é praticamente impossível de ser previsto.
Abaixo segue trechos de uma reportagem do meteorologista Eugenio Hackbart da Metsul: “O dilúvio que levou à inundação de São Lourenço do Sul também era imprevisível. De acordo com medições de agricultores, feitas em pluviômetros nas suas propriedades, choveu entre 300 e 500 milímetros em oito horas. Trata-se de um volume absurdo, se as medições estiverem corretas, afinal não existe estação meteorológica na área. Considerem que o maior acumulado em 24 horas (estamos falando de 24 horas e não 8 horas) em toda a primeira metade do século XX no Rio Grande do Sul foi de 310 milímetros em São Luiz Gonzaga em 21 de junho de 1920.” o meteorologista prossegue “É um extremo ilógico e absurdo que foge à lógica de uma previsão, por mais que ela seja pessimista.” Ainda segundo Hackbart, nenhum meteorologista por mais experiência que tenha, jamais faria uma previsão de um acúmulo de chuva tão significante e nenhum modelo também teria essa capacidade de prever tal volume de chuva.
A escala do fenômeno e a deficiência existente na comunicação sobre eventos são fatores que dificultaram muito segundo Hackbart: “O evento que levou à tragédia de São Lourenço, ademais, foi incrivelmente isolado. Na área urbana do município, somente veio a chover forte quando tudo já estava inundando, na manhã da quinta. O dilúvio se deu no interior do município. Tratou-se assim de uma ocorrência de microescala (pequena escala). O argumento que a tecnologia de radar poderia antecipar com antecedência o episódio de São Lourenço é falacioso, já que o radar, tal como ocorre com fotos de satélites, apenas mostra condição momentânea. Não indica quanto choverá em seis ou doze horas à frente numa área. Rede de superfície (de estações automáticas meteorológicas), com medições de volumes de chuva em tempo real, se por um lado em nada auxiliaria para prever que ocorreria uma chuva extrema, por outro poderia registrar a precipitação extrema e permitir informar que enorme volume de água rumava pelo Rio São Lourenço para a cidade. Vamos supor que tivéssemos dez radares no Rio Grande do Sul e uma estação automática a cada quilômetro no Estado na mais completa rede do mundo. O meteorologista, que está no centro de operações em Porto Alegre, enxergaria o dado assustador de chuva no interior de São Lourenço do Sul. E o que faria para alertar toda a população de forma imediata nas zonas urbana e rural, Prefeitura, Bombeiros, Defesa Civil, Polícia Rodoviária, Brigada Militar, concessionárias de rodovias, etc, no meio da madrugada? Morreria gente igual porque não temos um sistema de comunicação de emergência de massa e que possa levar informação de forma instantânea”
O que podemos concluir após esse evento, é que apesar dos avanços tecnológicos existentes, determinados eventos como o de São Lourenço do Sul que foi bastante isolado ainda seguem no terreno obscuro da imprevisibilidade.
Foto: Claudio Fachel/Palácio piratini
Caso queira acompanhar mais notícias sobre meteorologia, o blog da Metsul é o seguinte: http://www.metsul.com/blog/
Douglas da Silva Lindemann

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06 fevereiro 2011

Canguçuense viaja pela Antártica

Nosso amigo e colaborador Douglas Lindemann está realizando uma viagem pelo “continente gelado”, até o dia  14 de fevereiro. Após conseguir acesso a internet, o canguçuense mandou um relato desta aventura:

"É uma experiência única, onde tudo que acontece por aqui é ao extremo, a temperatura não é tão baixa, gira em torno de zero graus, mas o problema é o vento que deixa a sensação térmica lá em baixo. Outro fato curioso é que por aqui essa época do ano se tem algumas horas sem sol apenas, agora mesmo são 23h e o sol está querendo se por no horizonte, mas daqui a 3h ele estará de volta.

Mas o objetivo da minha vinda até aqui está no fato de participar de uma parceria junto ao departamento de solos do curso de Agronomia da Universidade Federal de Viçosa, onde estamos instalando sensores para medir umidade e temperatura do solo, onde realizamos uma análise das condições atuais de clima e posteriormente uma projeção para condições de mudanças climáticas.

No mais era isso, apenas queria deixar registrado que sou mais um canguçuense espalhado pelo mundo, e que com muito orgulho posso dizer que de uma certa forma estou contribuindo para o avanço da pesquisa sobre o clima no Brasil. Qualquer dúvida ou sugestão é só mandar aí que farei o possível para ajudar."

O Continente Antártico está situado na região polar austral; é formado por uma massa continental localizada quase inteiramente dentro do círculo polar antártico. É cercado pelo Oceano Antártico, de limites imprecisos, formado pelo encontro das águas dos Oceanos Atlântico, Pacífico e Índico, a chamada Confluência Antártica
LEIA MAIS SOBRE o tema clicando AQUI

26 dezembro 2010

Variação de temperatura e poucas chuvas

VERÃO COM CHUVA IRREGULAR E GRANDE VARIAÇÃO DE TEMPERATURA
Durante o mês de novembro e os primeiros vinte dias do mês de dezembro as precipitações ficaram abaixo do normal, a temperatura mínima também ficou abaixo do padrão, enquanto a temperatura máxima ficou acima do padrão climatológico, o que explica um pouco a grande variação de temperatura ao longo dos dias.
No último mês a temperatura da superfície do mar (TSM) no Oceano Pacífico Equatorial (Região 1 na figura abaixo) permaneceu com temperaturas abaixo do normal, o que caracteriza condições de La Niña, e com tendência de permanecer nos próximos meses. No Oceano Atlântico Sul, ocorreu uma inversão na temperatura da superfície do mar, passando de frias para temperaturas mais elevadas.

A permanência desse padrão de temperaturas baixas no Pacífico Central e o aumento da temperatura do oceano no Atlântico Sul para os próximos meses esperam-se ainda padrões irregulares no regime de chuva, principalmente na região sul do estado.
As análises detalhadas dos modelos indicam precipitações abaixo do padrão para os próximos meses, principalmente durante o mês de fevereiro. Já no caso das temperaturas, teremos uma grande variação entre a mínima e a máxima para os próximos meses, enquanto as mínimas estarão abaixo da média, às máximas estarão acima da média.
Como teremos uma grande variação de temperatura nesse período, principalmente que a estimativa é de que no leste do estado teremos temperatura mais elevadas enquanto o oeste do estado espera-se temperaturas abaixo da média, isso ocasionará uma grande variação térmica. Estas variações diárias da temperatura, apesar do baixo volume de chuva esperado para o período, podem contribuir para ocorrer rápidas mudanças de tempo com tempestades localizadas.
Fonte: 8ºDISME/INMET e CPPMet/UFPEL
Colaboração
Mestrando em Meteorologia Agrícola
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Universidade Federal de Viçosa-MG
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13 novembro 2010

Temperaturas ao extremo

Essa semana começou um tanto complicada em nosso estado, na segunda-feira (08/11) a temperatura em Canguçu chegou a 32,6ºC às 15h, no mesmo horário na terça-feira (09/11) a temperatura registrada foi de 15,1ºC, segundo a estação meteorológica automática do INMET localizada em nosso município.

Mas o questionamento que se faz é o seguinte, como pode ocorrer uma variação tão grande da temperatura em um período tão curto? A resposta não é muito difícil de entender, vamos procurar explicar de uma forma simples e objetiva:

Na segunda-feira o estado do Rio Grande do Sul estava sob influência de um sistema de alta pressão (ou anticiclone) que é caracterizado por apresentar um ar seco, com poucas nuvens, ou seja, têm características por apresentar um tempo bom. Acrescentando-se a isso a umidade relativa do ar estava muito baixa na tarde de segunda-feira.

Neste mesmo dia um sistema frontal (ou ciclone) estava sobre o Uruguai, esse tipo de sistema tem características por apresentar um tempo instável, com chuvas e geralmente vem acompanhado com queda na temperatura.

No momento que esse sistema frontal chegou ao nosso estado na terça-feira (09/11) esse ar úmido e frio entrou em contato com o ar quente e seco que predominava em nosso estado, essa situação fez com que o tempo tenha sofrido essa variação brusca. Quando acontece esse encontro de dois sistemas meteorológicos tão diferentes, faz com que ocorra temporal que é geralmente acompanhado com granizo e vento, isso porque a atmosfera já estava aquecida pelo calor do dia anterior, mas faltava à umidade no ar que veio juntamente com o sistema frontal, isso faz com que ocorra uma evaporação muito acentuada e ocorra à rápida formação de nuvens, e principalmente nuvens de grande desenvolvimento vertical.

Após a passagem deste sistema frontal, as temperaturas caem bruscamente, porque geralmente esses sistemas são acompanhados por massas de ar polares que tem por características temperaturas amenas. Estima-se que esse frio possa durar alguns dias ainda até essa massa de ar perder força e as temperaturas voltem a subir no estado no final de semana.

Esse tipo de situação é característica da primavera, que assim como o outono são conhecidas como estações de transição, ou seja, tem características da estação anterior, mas que já começa a sofrer influência da nova estação que se aproxima. A única anormalidade foi em relação à intensidade da massa de ar polar que predominou depois da passagem do sistema.

Douglas da Silva Lindemann

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21 outubro 2010

PREVISÃO PARA O PRÓXIMO TRIMESTRE

Aproximadamente um mês atrás postei neste blog um texto sobre o prognóstico climatológico para o trimestre (outubro-novembro-dezembro), agora acrescento para o trimestre (novembro-dezembro-janeiro). Segundo estes resultados recentes, a previsão de chuva abaixo do padrão se mantêm para novembro e dezembro, enquanto para janeiro a chuva tenderá a se manter na média.

Esse padrão de chuva abaixo da média é consequência do fenômeno La Niña que ocorre na região equatorial do Oceano Pacífico (Figura 1), somando-se a esse fenômeno da região equatorial, as águas do oceano Atlântico também se apresentam mais frias.
Figura 1 – Temperatura da superfície do mar. Fonte: NOAA-CDC/UFPEL-CPPMET


Ao analisar os modelos estatísticos (CPPMet/UFPel) observa-se que as precipitações tendem a ficar ABAIXO DO PADRÃO para os próximos meses. Para novembro e dezembro os modelos apontam precipitações abaixo do padrão em todas as regiões do estado. Para janeiro as precipitações tendem a ficar entre pouco abaixo e dentro do padrão.

As temperaturas mínimas, diferentemente deste mês, deverão ficar um pouco acima da média, o mesmo deverá ocorrer para as temperaturas máximas, especialmente para a região sul do estado.

Então vale ressaltar que para o próximo trimestre espera-se que ocorra uma DIMINUIÇÃO DA PRECIPITAÇÃO, justamente porque haverá um AUMENTO NA TEMPERATURA mínima e máxima, isso faz com que ocorra uma maior demanda na taxa evaporativa da atmosfera e prejudique a precipitação em nossa região. Que está de acordo com as características que o fenômeno La Niña realiza sobre a região.

Colaboração:
Douglas da Silva Lindemann

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24 setembro 2010

PROGNÓSTICO CLIMATOLÓGICO

Com início da primavera a economia do nosso município começa a se movimentar em torno da plantação de tabaco e de outras culturas nas quais são as principais fontes de renda do nosso município. Mas um detalhe deve ser muito bem observado, geralmente em fases de transições entre uma estação e outra, costuma-se apresentar temporais como os que já aconteceram na região do Vale do Taquari.
Aqui nesse texto vou procurar apresentar um prognóstico climatológico para o último trimestre do ano (outubro, novembro e dezembro), dando ênfase nas variáveis temperatura e precipitação, que são tão importantes para a nossa agricultura.
No mês de agosto as precipitações ficaram abaixo do padrão climatológico no estado. As temperaturas mínimas ficaram pouco abaixo do padrão climatológico em todo o Estado, enquanto que, as máximas ficaram um pouco abaixo do padrão.
Nos primeiros vinte dias de setembro as precipitações estão abaixo do padrão climatológico no norte do Estado e acima do padrão nas demais regiões. As temperaturas mínimas estão pouco acima do padrão climatológico no norte e dentro do padrão nas demais regiões, já as temperaturas máximas estão pouco abaixo do padrão no sudoeste e dentro do padrão nas demais regiões para este período.
Neste último mês (Figura 1), a Temperatura da Superfície do Mar (TSM) no Oceano Pacífico Equatorial (região 1) permanece com evolução nas anomalias negativas (La Niña). No Oceano Atlântico Sul, as anomalias enfraqueceram não caracterizando padrões predominantes, mas as tendências são de aumentar as anomalias negativas próximas ao litoral do Sul do Brasil.

Figura 1
Com a expansão das anomalias negativa de TSM no Pacifico Central (Região 1) e tendência de persistência deste sinal para este próximo trimestre, associado a aumento das anomalias negativas no Atlântico Sul, estima-se a redução no padrão da chuva no Estado neste trimestre.
As análises detalhadas dos modelos estatísticos indicam precipitações abaixo do padrão climatológico para os próximos meses. Para outubro os modelos apontam para precipitações pouco abaixo do padrão na metade sul (100 mm) e oeste do Estado. Para os meses de novembro e dezembro as precipitações tendem a ficar abaixo do padrão em todo o Estado (60 mm e 90 mm respectivamente), especialmente em novembro.
Para as temperaturas mínimas os modelos apontam para valores acima da média nos próximos meses. Para outubro (0.6ºC acima da média) a tendência já indica valores acima do padrão climatológico, especialmente no noroeste do Estado. Para os meses de novembro e dezembro os modelos indicam temperaturas mínimas pouco acima do padrão na metade sul e oeste do Estado.
As temperaturas máximas também tendem a apresentar variações semelhantes às temperaturas mínimas. Para os meses de outubro e novembro (3ºC e 2.5ºC acima da média) a tendência mostra valores acima do padrão climatológico, especialmente na metade sul do Estado. Para o mês de dezembro, os modelos indicam valores acima do padrão climatológico para a metade norte e próximos do padrão na metade sul do Estado.
Os padrões climatológicos das precipitações deste trimestre mostram valores ligeiramente superiores em outubro, com pequena redução em novembro e dezembro. Esta pequena redução natural de novembro e dezembro pode ser agravada em função das anomalias de precipitação previstas e também pelo aumento da demanda evaporativa da atmosfera (maiores temperaturas).

Informações:
Douglas da Silva Lindemann

Mestrando em Meteorologia Agrícola
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07 agosto 2010

A Neve

Provavelmente a grande atração durante os meses de inverno é o lindo fenômeno conhecido como neve, esse fenômeno não chega a ser comum em nosso Estado, durante algumas vezes por ano, não necessariamente no inverno, há condições ideais para que a neve ocorra, uma série de fatores precisa acontecer para que ela apareça.
Todos nós sabemos que a necessidade do frio para que haja a chuva de neve é conhecida, porém as massas de ar polar que trazem frio para o nosso estado nessa época do ano são sistemas frios e secos, assim esse ar seco inibe a formação de nuvens e, sem elas, não há precipitação, nem ocorrência de neve. Porém esse ano o tempo está a favor das pessoas que contemplam esse fenômeno e/ou que gostam do inverno.
Além disso, não basta apenas o frio em superfície, é necessário um frio intenso em grande parte da atmosfera para que a nuvem de chuva se desenvolva dentro de uma camada gelada, criando ainda dentro da nuvem flocos cristalinos de forma alongada, com um formato especial. Quando esse floco sair de dentro da nuvem, precisa encontrar um ambiente frio suficiente para mantê-lo com essas características até atingir o solo. A partir daí, quando o floco atinge a superfície, ele acumula ou pelo menos fica por alguns minutos com esse formato, ocorrendo isso então você estará diante da tão esperada neve!!!
Porém não confunda, se o floco de neve precipita, mas vira água ao chegar à superfície, ocorre o que chamamos de chuva congelada (fenômeno que já ocorreu em nosso município durante o inverno de 2008).
Outra situação interessante ocorre quando em situações de forte nevoeiro em condições de temperatura abaixo de 0°C (sem nuvens no céu) as gotículas, ao se chocarem com uma superfície, como árvores, acabam congelando, ocorrendo o sincelo. Este é um fenômeno que acontece com mais frequência em Santa Catarina.
E ainda tem a geada (já comentada em textos anteriores) é um fenômeno bem diferente da neve, embora muitos confundam. A geada não cai ou precipita, ela se forma junto à superfície quando a temperatura é fria o suficiente para congelar o orvalho. Para que isso ocorra, é preciso que as temperaturas estejam em torno de 0ºC ou negativas. As condições para a sua formação são comuns no inverno do Rio Grande do Sul, pois são necessários ar seco, frio e ausência de nuvens.

Fontes: INMET e ZERO HORA
Colaboração: Douglas Lindemann

22 julho 2010

TORNADOS, MICROEXPLOSÃO OU FRENTE DE RAJADA?

Enviado pelo colaborador Douglas da Silva Lindemann

Nesta última quarta-feira (21/07/2010) as cidades turísticas de Gramado e Canela na serra gaúcha foram atingidas por volta das 21h possivelmente por um tornado. Mas a questão que fica sem resposta é, como não é possível de se identificar um fenômeno tão devastador como um tornado?
A resposta é simples, como um tornado é um fenômeno meteorológico de escala pequena (algo em torno de 100 metros a 1 km) as tecnologias atuais que existem no Brasil não são capazes de identificar esse fenômeno, além de sua escala ser tão pequena a sua duração também é muito pequena, algo que não passa de alguns minutos, por isso tamanha dificuldade. Então como não dispomos desta tecnologia para prever, que poderia ser amenizada se tivéssemos mais radares meteorológicos para monitorar o nosso país, o que nos resta fazer é analisar fotos da região e relatos dos moradores.
O fenômeno que atingiu Canela não pode ser conhecido ainda, mas já se sabe o que pode ter causado esse estrago todo, foi uma combinação de uma frente fria que se deslocava da região sul do estado e quando chegou a serra encontrou um ar quente vindo da região amazônica (o conhecido vento norte), ontem a tarde em Canela a temperatura chegou a 23 ºC, combinação perfeita para que esses ventos aconteçam.
Existem três possibilidades de fenômenos que possam ter ocorrido em Canela, primeiro, pode ter sido um tornado, onde os ventos podem ir de 100 km/h a 400 km/h (o vento que atingiu Canela chegou a 126 km/h), mas esse tipo de fenômeno acontece em 1% das tempestades no nosso estado, a segunda hipótese pode ser uma microexplosão, mais frequente em nosso estado e acontece quando uma forte corrente de vento atinge o solo, e a terceira hipótese pode ser uma frente de rajada, que são ventos provenientes justamente desse encontro entre duas massas de ar com temperaturas muito distintas.
A figura abaixo apresenta um resumo dos três fenômenos, a primeira figura (da esquerda pra direita) é a imagem de satélite das 21h.

20 junho 2010

Previsão Climática para o próximo trimestre

A previsão diária ou semanal do tempo é muito importante para a população de uma forma geral, como por exemplo, ficar sabendo se vai chover, se irá fazer frio ou calor e diversas outras mudanças do tempo. Mas é importante também ter algum conhecimento sobre o comportamento do clima para um período mais distante, como uma previsão mensal, anual ou trimestral.
Pretendo apresentar para vocês uma previsão para o próximo trimestre (julho, agosto e setembro) para o estado do Rio Grande do Sul (em especial para a nossa região), de acordo com as previsões realizadas pelo CPPMet/UFPel (Centro de Pesquisa e Previsões Meteorológicas da Universidade Federal de Pelotas – Faculdade de Meteorologia) e o 8º DISME/INMET (8º Distrito Meteorológico – Instituto Nacional de Meteorologia – Porto Alegre), onde é apresentado o regime de chuva e temperatura máxima e mínima para esse período.
A temperatura da superfície do mar no oceano Índico apresenta anomalias negativas (resfriamento das águas) como um indicativo de La Niña, enquanto no oceano Atlântico as anomalias positivas (aquecimento das águas) apresentaram um enfraquecimento. Com essa atual inversão de temperatura no oceano Pacífico e a tendência da expansão dessa anomalia negativa para os próximos meses esperam-se uma redução no padrão de chuva e conseqüente redução das temperaturas para o próximo trimestre do estado.
As análises detalhadas dos modelos estatísticos indicam precipitações pouco abaixo do padrão climatológico para os meses de julho (em torno 100-110 milímetros para a nossa região) e agosto (em torno 95-105 milímetros). Para setembro os modelos apontam para precipitações próximas do padrão (130-140 mm)
Os modelos indicam temperaturas mínimas e máximas abaixo do padrão climatológico neste inverno para o nosso estado.
Para os meses de julho e agosto os valores mensais mostram temperaturas mínimas abaixo do padrão climatológico. Em setembro a tendência é o predomínio de temperaturas dentro do padrão.
As temperaturas máximas também tendem a apresentar variações semelhantes às temperaturas mínimas. Para os meses de julho, agosto e setembro as temperaturas máximas mensais tendem a ficar abaixo do padrão climatológico.
Então segundo esses prognósticos climáticos, o inverno que nos aguarda provavelmente será mais seco e com temperaturas abaixo do normal.

Colaboração
Douglas da Silva Lindemann
Departamento de Meteorologia Agrícola
Universidade Federal de Viçosa-MG
Fone: (31)8581-8602.

13 junho 2010

Processo de Formação de Geada

Geada é a formação de uma camada de cristais de gelo na superfície ou na folhagem exposta devido à diminuição de temperatura da superfície abaixo ou igual a zero grau Celsius, como o ar frio tende a se deslocar para os vales, o risco de geada em terrenos baixos é mais provável que em planaltos e encostas. A principal causa da formação de geada é a advecção (chegada) de massa de ar polar, ou seja, sistemas meteorológicos que possuem temperaturas muito baixas geralmente oriundas do continente antártico. Dependendo da intensidade e da extensão da geada, o fenômeno pode causar sérios danos à agricultura, queimando e ressecando a folhagem das plantas, especialmente das hortaliças. Durante o inverno os meteorologistas conseguem identificar possíveis locais com formação de geada através das imagens de satélite, onde são caracterizados por ausência total de nebulosidade durante a noite. Então é interessante notar durante a noite se o céu estiver sem nuvens, sem ocorrência de vento e a temperatura estiver muito baixa, a probabilidade de geada será muito grande.
Existem três tipos de processos de formação da geada em nossa região:
* Geada de advecção: provocadas por injeção de ar com temperaturas muito baixas;
* Geada de radiação: ocorre o resfriamento intenso da superfície, que perde energia durante noite de céu claro e sob o domínio de sistemas de alta pressão (que se caracterizam pela ausência de nuvens);
* Geada mista: engloba os dois processos citados;
Para a nossa região o processo radiativo é crucial para um resfriamento mais efetivo, ou seja, durante a ocorrência de processo de formação de geada de radiação as temperaturas se apresentam mais baixas que o normal para o período; porém este não ocorrerá sem a incursão de massas de ar frio e seco.
Quanto ao aspecto visual as geadas podem ser divididas em:
* Geada negra: em condições de pouca umidade e geralmente não é vista a olho nu justamente por causa da pouca umidade existente, nessa situação a temperatura chega a zero graus Celsius, e as plantas expostas congelam, mas não existe depósitos de água para congelar (o que caracteriza a geada branca);
* Geada branca: em condições de maior umidade do ar, quando efetivamente existe o congelamento de água.

Foto: Augusto Pinz
Informações:
Douglas da Silva Lindemann

Departamento de Meteorologia Agrícola
Universidade Federal de Viçosa-MG

01 maio 2010

Canguçu 11,9°C

O Mês de Maio começou com temperatura nos 11.9º C, segundo o Centro de Pesquisas Meteorológicas do ClicRBS.
O tempo deve permanecer seco durante o Domingo (02) e durante a próxima semana deve haver um aumento na instabilidade.

29 março 2010

Formação do Orvalho




Com o início do outono e a proximidade do inverno, um fenômeno muito comum é a formação de orvalho durante esse período do ano, principalmente em cidades mais frias como é o caso da região sul do Brasil. A maneira como o orvalho se forma foi um quebra-cabeça por muito tempo e só foi resolvido quando os cientistas descobriram que o ar nunca está completamente seco. Mesmo em desertos, o ar contém vapor de água.
Durante o dia, o solo é aquecido e aquece também o ar próximo dele. À noite, o solo se resfria, irradiando (ou seja, perde o seu calor armazenado durante o dia para o ar que está localizado logo a cima, para manter o equilíbrio) seu calor para o céu. Se o céu está nublado, a maior parte do calor é refletida de volta para baixo, reduzindo a taxa com a qual o solo se resfria durante a noite. Por outro lado, se o céu está limpo de nuvens, o calor se perde rapidamente e o solo se resfria rapidamente, resfriando também o ar próximo ao chão.
Se o ar é resfriado até o seu ponto de orvalho (temperatura em que o ar fica saturado, ou seja, a umidade relativa chega a 100%), o vapor de água vai se condensar sobre as superfícies e o orvalho se formará.
Quando se observa orvalho no início da manhã, sabe-se que provavelmente a noite não teve muitas nuvens. Medir quanta água irá se condensar como orvalho é difícil, porque a quantidade é muito pequena. Entretanto, em regiões de clima seco, o orvalho provavelmente é uma porção importante do total de precipitação no ano. Uma forma que os cientistas usam para medir o orvalho consiste em uma laje de gesso. Essa laje é pesada quando está seca e é novamente pesada depois que o orvalho se forma. A diferença de peso encontrada será a massa de água condensada em forma de orvalho sobre a laje de gesso.
O calor que a superfície recebe do sol durante o dia é irradiado de volta para o céu durante a noite. O efeito de uma barreira que provoca sombra durante o dia é impedir o calor irradiado pelo sol, fazendo com que a superfície que está na sombra se aqueça menos do que uma superfície diretamente exposta ao sol. Durante a noite, já que o fluxo de calor irradiado inverte o sentido, então uma superfície que esteja com alguma cobertura irá perder menos calor à noite. É como se a gente pudesse dizer que uma sombra diminui o ganho durante o dia, mas tem efeito inverso durante a noite, impedindo a perda de calor.
É possível demonstrar esse efeito da sombra pela formação do orvalho, usando duas folhas de papel preto e um guarda-chuva. No final do dia, quando o orvalho está prestes a se formar, colocam-se as duas folhas no chão, em lugar descoberto, e coloca-se o guarda-chuva fazendo sombra sobre uma delas, após o pôr-do-sol , deve-se checar as duas folhas a cada meia hora. O orvalho deverá se formar em uma das folhas, mas não na outra. É por isso que quando estamos em grandes cidades ao vermos mendigos dormindo nas ruas durante a noite, eles estão embaixo de marquises e tapados com jornais ou papelões, por dois fatos, primeiro que não ficarão no orvalho e o jornal e o papelão funciona como um isolante térmico, não deixando o calor escapar (nesse caso o calor de seu corpo).

Colaboração: Douglas da Silva Lindemann
Bacharel em Meteorologia
Mestrando em Meteorologia Agrícola
Universidade Federal de Viçosa - MG

02 março 2010

CONHECENDO O CONTINENTE ANTÁRTICO (Parte II)

O vasto manto de gelo antártico é o principal apreensor do calor terrestre e tem um papel essencial no sistema climático global. Controla as circulações atmosféricas e oceânicas no Hemisfério Sul e a formação de água fria de fundo dos oceanos.

O clima no Hemisfério Sul é essencialmente gerado e controlado por massas de ar frio provenientes do continente gelado. A coleta de dados meteorológicos antárticos permite a realização de previsões meteorológicas mais confiáveis e com maior antecedência. Além do que, as variações climáticas no Brasil, com vital consequência para a agricultura e para os estoques de água em represas hidroelétricas por exemplo, só serão adequadamente entendidas e previstas se os modelos de circulação geral da atmosfera integrarem a América do Sul, a Antártica e os oceanos adjacentes.

A Antártica é a região do planeta mais sensível às mudanças globais. É lá que percebemos primeiro as alterações que o planeta vem sofrendo. O impacto global causado pelo mundo industrial pode ter efeitos desastrosos no ambiente antártico. O aumento da concentração de gases do efeito estufa e o consequente aquecimento global têm contribuído para a fragmentação de grandes porções de gelo. As consequências sentidas na Antártica podem, em retorno, trazer sérias consequências ambientais para o resto do planeta, a exemplo do aumento do nível do mar e a mudança do clima global.

A evolução do impacto ambiental natural, ou provocado pelo homem, está registrada no manto de gelo polar. Esse é o melhor arquivo da história climática e da química atmosférica. Pesquisas em testemunhos de gelo antártico permitiram reconstruir variações no teor de gases do efeito estufa e da temperatura atmosférica ao longo dos últimos 720 mil anos, dando indicações sobre eventos de desertificação e explosões vulcânicas. Essas investigações possibilitam melhor conhecimento de oscilações ambientais de duração mais curta dos dias atuais (El Niño e La Niña), que podem ser mais diretamente relacionadas a variações na composição atmosférica da América do Sul, em especial da região amazônica.

Existem outros fatores que fazem com que a Antártica seja considerado um laboratório único, como o seu afastamento dos centros industriais o que deixa a sua atmosfera essencialmente limpa, estruturas dos ecossistemas marinhos e terrestres que vivem somente naquela região, a própria temperatura diferenciada do restante do planeta, entre outras particularidades existentes naquela região.

Os motivos já apresentados são mais que suficientes para explicar o motivo que leva os países a investirem no continente gelado, porque é lá que está a maioria da explicação das dúvidas que surgem sobre o nosso clima. Mas muito ainda tem para ser estudado e analisado sobre esse continente que tem uma grande influência no nosso país. O Brasil pode aumentar bastante o seu potencial agrícola no momento que virar um pouco mais as suas atenções para essa região do planeta.


Colaboração: Douglas Lindemann
Bacharel em Meteorologia e mestrando em Agrometereologia em Viçosa-MG

16 fevereiro 2010

Previsão do tempo


Apesar do tempo feio deste feriado de Carnaval, a semana será com o restante de tempo bom. Mas somente até Domingo (21) quando novamente teremos chuva em nossa cidade.