O vasto manto de gelo antártico é o principal apreensor do calor terrestre e tem um papel essencial no sistema climático global. Controla as circulações atmosféricas e oceânicas no Hemisfério Sul e a formação de água fria de fundo dos oceanos.
O clima no Hemisfério Sul é essencialmente gerado e controlado por massas de ar frio provenientes do continente gelado. A coleta de dados meteorológicos antárticos permite a realização de previsões meteorológicas mais confiáveis e com maior antecedência. Além do que, as variações climáticas no Brasil, com vital consequência para a agricultura e para os estoques de água em represas hidroelétricas por exemplo, só serão adequadamente entendidas e previstas se os modelos de circulação geral da atmosfera integrarem a América do Sul, a Antártica e os oceanos adjacentes.
A Antártica é a região do planeta mais sensível às mudanças globais. É lá que percebemos primeiro as alterações que o planeta vem sofrendo. O impacto global causado pelo mundo industrial pode ter efeitos desastrosos no ambiente antártico. O aumento da concentração de gases do efeito estufa e o consequente aquecimento global têm contribuído para a fragmentação de grandes porções de gelo. As consequências sentidas na Antártica podem, em retorno, trazer sérias consequências ambientais para o resto do planeta, a exemplo do aumento do nível do mar e a mudança do clima global.
A evolução do impacto ambiental natural, ou provocado pelo homem, está registrada no manto de gelo polar. Esse é o melhor arquivo da história climática e da química atmosférica. Pesquisas em testemunhos de gelo antártico permitiram reconstruir variações no teor de gases do efeito estufa e da temperatura atmosférica ao longo dos últimos 720 mil anos, dando indicações sobre eventos de desertificação e explosões vulcânicas. Essas investigações possibilitam melhor conhecimento de oscilações ambientais de duração mais curta dos dias atuais (El Niño e La Niña), que podem ser mais diretamente relacionadas a variações na composição atmosférica da América do Sul, em especial da região amazônica.
Existem outros fatores que fazem com que a Antártica seja considerado um laboratório único, como o seu afastamento dos centros industriais o que deixa a sua atmosfera essencialmente limpa, estruturas dos ecossistemas marinhos e terrestres que vivem somente naquela região, a própria temperatura diferenciada do restante do planeta, entre outras particularidades existentes naquela região.
Os motivos já apresentados são mais que suficientes para explicar o motivo que leva os países a investirem no continente gelado, porque é lá que está a maioria da explicação das dúvidas que surgem sobre o nosso clima. Mas muito ainda tem para ser estudado e analisado sobre esse continente que tem uma grande influência no nosso país. O Brasil pode aumentar bastante o seu potencial agrícola no momento que virar um pouco mais as suas atenções para essa região do planeta.
Colaboração: Douglas Lindemann
Bacharel em Meteorologia e mestrando em Agrometereologia em Viçosa-MG
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