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Vida Plena

Gordices da KÁ

29 março 2010

Formação do Orvalho




Com o início do outono e a proximidade do inverno, um fenômeno muito comum é a formação de orvalho durante esse período do ano, principalmente em cidades mais frias como é o caso da região sul do Brasil. A maneira como o orvalho se forma foi um quebra-cabeça por muito tempo e só foi resolvido quando os cientistas descobriram que o ar nunca está completamente seco. Mesmo em desertos, o ar contém vapor de água.
Durante o dia, o solo é aquecido e aquece também o ar próximo dele. À noite, o solo se resfria, irradiando (ou seja, perde o seu calor armazenado durante o dia para o ar que está localizado logo a cima, para manter o equilíbrio) seu calor para o céu. Se o céu está nublado, a maior parte do calor é refletida de volta para baixo, reduzindo a taxa com a qual o solo se resfria durante a noite. Por outro lado, se o céu está limpo de nuvens, o calor se perde rapidamente e o solo se resfria rapidamente, resfriando também o ar próximo ao chão.
Se o ar é resfriado até o seu ponto de orvalho (temperatura em que o ar fica saturado, ou seja, a umidade relativa chega a 100%), o vapor de água vai se condensar sobre as superfícies e o orvalho se formará.
Quando se observa orvalho no início da manhã, sabe-se que provavelmente a noite não teve muitas nuvens. Medir quanta água irá se condensar como orvalho é difícil, porque a quantidade é muito pequena. Entretanto, em regiões de clima seco, o orvalho provavelmente é uma porção importante do total de precipitação no ano. Uma forma que os cientistas usam para medir o orvalho consiste em uma laje de gesso. Essa laje é pesada quando está seca e é novamente pesada depois que o orvalho se forma. A diferença de peso encontrada será a massa de água condensada em forma de orvalho sobre a laje de gesso.
O calor que a superfície recebe do sol durante o dia é irradiado de volta para o céu durante a noite. O efeito de uma barreira que provoca sombra durante o dia é impedir o calor irradiado pelo sol, fazendo com que a superfície que está na sombra se aqueça menos do que uma superfície diretamente exposta ao sol. Durante a noite, já que o fluxo de calor irradiado inverte o sentido, então uma superfície que esteja com alguma cobertura irá perder menos calor à noite. É como se a gente pudesse dizer que uma sombra diminui o ganho durante o dia, mas tem efeito inverso durante a noite, impedindo a perda de calor.
É possível demonstrar esse efeito da sombra pela formação do orvalho, usando duas folhas de papel preto e um guarda-chuva. No final do dia, quando o orvalho está prestes a se formar, colocam-se as duas folhas no chão, em lugar descoberto, e coloca-se o guarda-chuva fazendo sombra sobre uma delas, após o pôr-do-sol , deve-se checar as duas folhas a cada meia hora. O orvalho deverá se formar em uma das folhas, mas não na outra. É por isso que quando estamos em grandes cidades ao vermos mendigos dormindo nas ruas durante a noite, eles estão embaixo de marquises e tapados com jornais ou papelões, por dois fatos, primeiro que não ficarão no orvalho e o jornal e o papelão funciona como um isolante térmico, não deixando o calor escapar (nesse caso o calor de seu corpo).

Colaboração: Douglas da Silva Lindemann
Bacharel em Meteorologia
Mestrando em Meteorologia Agrícola
Universidade Federal de Viçosa - MG

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