NOVANET

Vida Plena

Gordices da KÁ

13 março 2011

Explicar o inexplicável

A cidade de São Lourenço do Sul mais uma vez passou por momentos complicados devido ao grande volume de chuva que ocorreu no município, assim como ocorreu no interior do município no ano passado, um grande volume de chuva em poucas horas fizeram que a população tivesse passado por momentos de horrores. Algumas pessoas me procuraram me questionando como o fenômeno não foi previsto com antecedência e também tenho acompanhado os esforços de meteorologistas de diversos meios em procurarem a resposta. Mas talvez a resposta seja que um fenômeno como este é praticamente impossível de ser previsto.
Abaixo segue trechos de uma reportagem do meteorologista Eugenio Hackbart da Metsul: “O dilúvio que levou à inundação de São Lourenço do Sul também era imprevisível. De acordo com medições de agricultores, feitas em pluviômetros nas suas propriedades, choveu entre 300 e 500 milímetros em oito horas. Trata-se de um volume absurdo, se as medições estiverem corretas, afinal não existe estação meteorológica na área. Considerem que o maior acumulado em 24 horas (estamos falando de 24 horas e não 8 horas) em toda a primeira metade do século XX no Rio Grande do Sul foi de 310 milímetros em São Luiz Gonzaga em 21 de junho de 1920.” o meteorologista prossegue “É um extremo ilógico e absurdo que foge à lógica de uma previsão, por mais que ela seja pessimista.” Ainda segundo Hackbart, nenhum meteorologista por mais experiência que tenha, jamais faria uma previsão de um acúmulo de chuva tão significante e nenhum modelo também teria essa capacidade de prever tal volume de chuva.
A escala do fenômeno e a deficiência existente na comunicação sobre eventos são fatores que dificultaram muito segundo Hackbart: “O evento que levou à tragédia de São Lourenço, ademais, foi incrivelmente isolado. Na área urbana do município, somente veio a chover forte quando tudo já estava inundando, na manhã da quinta. O dilúvio se deu no interior do município. Tratou-se assim de uma ocorrência de microescala (pequena escala). O argumento que a tecnologia de radar poderia antecipar com antecedência o episódio de São Lourenço é falacioso, já que o radar, tal como ocorre com fotos de satélites, apenas mostra condição momentânea. Não indica quanto choverá em seis ou doze horas à frente numa área. Rede de superfície (de estações automáticas meteorológicas), com medições de volumes de chuva em tempo real, se por um lado em nada auxiliaria para prever que ocorreria uma chuva extrema, por outro poderia registrar a precipitação extrema e permitir informar que enorme volume de água rumava pelo Rio São Lourenço para a cidade. Vamos supor que tivéssemos dez radares no Rio Grande do Sul e uma estação automática a cada quilômetro no Estado na mais completa rede do mundo. O meteorologista, que está no centro de operações em Porto Alegre, enxergaria o dado assustador de chuva no interior de São Lourenço do Sul. E o que faria para alertar toda a população de forma imediata nas zonas urbana e rural, Prefeitura, Bombeiros, Defesa Civil, Polícia Rodoviária, Brigada Militar, concessionárias de rodovias, etc, no meio da madrugada? Morreria gente igual porque não temos um sistema de comunicação de emergência de massa e que possa levar informação de forma instantânea”
O que podemos concluir após esse evento, é que apesar dos avanços tecnológicos existentes, determinados eventos como o de São Lourenço do Sul que foi bastante isolado ainda seguem no terreno obscuro da imprevisibilidade.
Foto: Claudio Fachel/Palácio piratini
Caso queira acompanhar mais notícias sobre meteorologia, o blog da Metsul é o seguinte: http://www.metsul.com/blog/
Douglas da Silva Lindemann

Mestrando em Meteorologia Agrícola
Departamento de Meteorologia Agrícola
Universidade Federal de Viçosa-MG
Fone: (31)8581-8602

Nenhum comentário: