Enquanto os japoneses contam com um evoluído sistema de alerta e são exaustivamente treinados para agir sob situações de desastres naturais, por aqui, tudo é ainda do jeitinho brasileiro. Em São Lourenço do Sul, quando se soube da iminência da enxurrada de quarta-feira passada, a prefeitura colocou um carro de som pedindo a evacuação das residências. Aqueles que não acreditaram passaram, depois, por dificuldades. Até ontem eram sete mortes registradas no sul do Estado.
A situação era previsível sim, segundo a coordenadora do Centro Estadual de Pesquisa em Sensoriamento Remoto e Meteorologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (CEPSRM/Ufrgs), Rita de Cássia Marques Alves. "Mas teria que ter gente 24 horas monitorando a situação. Tem que ter um centro de meteorologia do Estado", recomenda a pesquisadora. Rita também coordena o projeto Previsão de Eventos Extremos no Sul do Brasil, desenvolvido em conjunto com instituições dos governos gaúcho, catarinense e paranaense.
CENTRO METEOROLÓGICO
O chefe da divisão de Assistência Comunitária da Defesa Civil RS, major Paulo Roberto Locatelli Gandin, reconhece as deficiências do órgão na ação preventiva aos desastres. "Não temos pessoal técnico, nem 24 horas. Mas estamos com a proposta de fazer este centro de meteorologia. O governador conhece o projeto. Precisamos disso para não ficar apenas na ajuda humanitária", revela.
Conforme Rita, é necessário articular estas informações sob a forma de um centro. "Dentro de nossos projetos, estamos buscando implantar a parte de meteorologia nos radares da Aeronáutica de Canguçu e Santiago. O Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Cptec/Inpe) disponibilizaria estas informações on-line para nós." Para a coordenadora, seria a forma mais eficiente de distribuir alertas de desastres naturais. "Hoje a meteorologia tem diálogo difícil com os órgãos de Defesa Civil", critica.
Leia reportagem completa e entrevista com Rita de Cássi Clicando AQUI (Jornal NH)
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