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27 julho 2026

SindiTabaco e Abifumo alertam MDIC para risco de perdas de até US$ 100 milhões com tarifa dos EUA

Após audiência com o ministro Geraldo Alckmin e técnicos do MDIC, entidades enviaram correspondência alertando para risco de perda de competitividade, redução das exportações e impactos sobre produtores e indústria brasileira caso o tabaco continue de fora da lista de exceções à tarifa adicional dos Estados Unidos.

Julho 2026 – O Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco) e a Associação Brasileira da Indústria do Fumo (Abifumo) encaminharam, nesta sexta-feira (24), uma carta ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), solicitando que o governo brasileiro atue para incluir o tabaco na lista de exceções à tarifa adicional imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. O documento foi enviado após audiência realizada no dia 22 de julho, na qual o setor apresentou os impactos da medida e propostas para sua mitigação.

Na carta, as entidades destacam a relevância econômica e social da cadeia produtiva do tabaco, presente em mais de 525 municípios brasileiros e responsável pela geração de renda para mais de 600 mil pessoas no meio rural. As entidades ressaltam que os Estados Unidos eram, historicamente, o terceiro maior destino das exportações brasileiras de tabaco, respondendo por cerca de 9% dos embarques do setor. No entanto, essa participação caiu para 6% em 2025.

Segundo dados do MDIC/Secex apresentados no documento, as exportações para o mercado norte-americano totalizaram US$ 195,3 milhões em 2025, uma redução de 23,4% em relação ao ano anterior. No primeiro semestre de 2026, os embarques somaram US$ 88,8 milhões, queda de 31% na comparação com o mesmo período de 2025.

A carta também chama atenção para o fato de que outros produtos do agronegócio brasileiro, como carne bovina, café, laranja, mel orgânico, castanhas e celulose, foram contemplados na lista de exceções à tarifa adicional divulgada pelos Estados Unidos, enquanto o tabaco permaneceu sujeito à sobretaxa. Para o setor, essa diferenciação coloca o produto brasileiro em desvantagem competitiva frente a outros exportadores.

Segundo o documento, caso as tarifas sejam mantidas, compradores norte-americanos deverão buscar fornecedores de outras origens, principalmente de países africanos, como Zimbábue e Malaui, que vêm ampliando significativamente sua produção. Segundo estimativa do setor, o Brasil poderá perder aproximadamente US$ 100 milhões em exportações. A grande preocupação é que a menor demanda provoque redução da produção nacional, especialmente do tabaco Burley, variedade que possui mercado internacional mais concentrado nos Estados Unidos e poucas alternativas de comercialização. Esse cenário deve impactar fortemente centenas de pequenos produtores rurais que têm na produção desse tipo de tabaco sua principal fonte de renda.

Além dos impactos sobre emprego e produção, a redução da atividade econômica afetaria a arrecadação dos municípios produtores, tanto pela redução da atividade econômica local quanto pela diminuição da arrecadação de tributos, comprometendo investimentos públicos em regiões cuja economia depende fortemente da cadeia produtiva do tabaco.


No ofício, o SindiTabaco e a Abifumo solicitam formalmente a inclusão de todo o Capítulo 24 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), que engloba o tabaco e seus produtos, na lista de exceções à tarifa adicional dos Estados Unidos. As entidades reforçam que permanecem à disposição do governo federal para contribuir tecnicamente na busca por uma solução que preserve a competitividade das exportações brasileiras e minimize os impactos econômicos e sociais da medida.

21 abril 2026

Seminário regional coloca trabalhadores no centro do debate sobre o futuro do tabaco

Encontro em Santa Cruz do Sul abre ciclo na Região Sul com foco em saúde, emprego e desenvolvimento; iniciativa da Fentitabaco e Amprotabaco articula trabalhadores, especialistas e municípios para construção de documento-base com alcance nacional

Santa Cruz do Sul – A cadeia produtiva do tabaco, uma das mais relevantes para a economia do Sul do Brasil, estará no centro de um amplo debate institucional no próximo dia 23 de abril, com a realização do primeiro encontro do Ciclo de Seminários Regionais promovido pela Federação Interestadual dos Trabalhadores nas Indústrias do Tabaco (Fentitabaco) em parceria com a Associação dos Municípios Produtores de Tabaco (Amprotabaco). A iniciativa propõe um espaço estruturado de diálogo para tratar dos impactos sociais, econômicos e de saúde que envolvem trabalhadores, produtores e municípios diretamente ligados ao setor.

O encontro em Santa Cruz do Sul marca o início de uma agenda regional que também passará por Santa Catarina e Paraná, consolidando uma mobilização inédita em torno de temas estratégicos como saúde do trabalhador, geração de renda, desenvolvimento regional e perspectivas futuras da atividade. A proposta é reunir trabalhadores da indústria, lideranças sindicais, gestores públicos e especialistas em um ambiente técnico e institucional, capaz de produzir reflexão qualificada e encaminhamentos concretos, representantes dos 525 municípios envolvidos na cadeia produtiva do tabaco na região Sul.

Com participação de especialistas reconhecidas nacionalmente, como a psicóloga Mônica Gorgulho e a toxicologista Silvia Cazenave, o seminário terá abordagem técnica sobre saúde do trabalhador e seus desdobramentos no contexto produtivo. As discussões também irão considerar o papel das políticas públicas, os desafios da proteção social e os caminhos possíveis para a sustentabilidade econômica dos municípios que têm na cadeia do tabaco uma de suas principais bases. Para o presidente da Fentitabaco, Rangel Marcon, a proposta é qualificar o debate a partir de evidências e da realidade vivida no setor. “Estamos promovendo um espaço de escuta e construção, onde a saúde do trabalhador e o contexto produtivo são tratados com seriedade e responsabilidade, conectando conhecimento técnico com a realidade de quem sustenta essa cadeia todos os dias”, afirma.

As contribuições dos encontros serão sistematizadas em um documento-base regional, que servirá como subsídio para uma audiência pública no Congresso Nacional, ainda no primeiro semestre de 2026. Marcon ressalta que a proposta é ampliar o protagonismo dos trabalhadores no debate institucional. “Estamos estruturando um espaço sério, técnico e representativo, onde a realidade de quem está na base produtiva será considerada com responsabilidade. Esse processo é fundamental para qualificar o diálogo nacional sobre o setor.”

A articulação com os municípios reforça o alcance da iniciativa e a necessidade de integração entre diferentes níveis institucionais. Para o presidente da Amprotabaco, Gilson Becker, o envolvimento das administrações municipais é estratégico para compreender os impactos diretos da atividade. “Os municípios vivem diariamente os efeitos econômicos e sociais da cadeia do tabaco. Participar desse processo é contribuir para construir caminhos que garantam equilíbrio, desenvolvimento e segurança para as comunidades”, destaca.


Programação

Santa Cruz do Sul (23 de abril de 2026)

8h30min – Credenciamento e café de boas-vindas;

8h45min – Abertura institucional;

9 horas – Apresentação técnica sobre saúde do trabalhador;

10h30min – Intervalo;

10h40min – Painel de debate sobre emprego e desenvolvimento regional;

11h40min – Construção do documento-base regional;

12h15min – Encerramento.

Horário: 8h30min às 12h30min

Local: Câmara de Vereadores de Santa Cruz do Sul

Especialistas convidadas

Mônica Gorgulho é psicóloga formada pela Universidade de São Paulo (USP), com atuação consolidada na área de políticas públicas relacionadas ao uso de substâncias e redução de danos. Possui trajetória vinculada ao Programa de Orientação e Assistência a Dependentes da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), com participação em projetos do Ministério da Saúde e atuação em organismos nacionais e internacionais voltados à saúde pública.

Silvia Cazenave é doutora em Toxicologia e ex-superintendente de Toxicologia da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Atuou como perita criminal toxicologista por mais de três décadas e como professora titular da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Campinas, sendo referência nacional na área de toxicologia aplicada e políticas relacionadas a substâncias.

06 março 2026

Brasil registra recorde histórico nas exportações de tabaco em 2025

Negócios externos somaram US$ 3,389 bilhões, 13,85% acima do ano anterior. Resultado foi puxado pelo aumento de 23% do volume embarcado.

Março de 2026 – O Brasil alcançou, em 2025, o maior valor já registrado em divisas com exportações de tabaco. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC/ComexStat), o setor somou US$ 3,389 bilhões, resultado 13,85% superior ao obtido em 2024 (US$ 2,977 bilhões). O desempenho supera, inclusive, o recorde anterior, de 2012, quando as exportações haviam gerado US$ 3,272 bilhões.

O crescimento da receita foi impulsionado, principalmente, pelo forte aumento do volume embarcado. Em 2025, o Brasil exportou 561.052 toneladas de tabaco para 121 países, volume 23,23% superior ao registrado em 2024 (455.221 toneladas).

A diferença entre o avanço do volume (+23,23%) e o crescimento da receita (+13,85%) é explicada pela redução do preço médio por tonelada. Em 2024, o valor médio foi de aproximadamente US$ 6.540 por tonelada, enquanto em 2025 ficou em torno de US$ 6.040 por tonelada, uma queda estimada de 7,6%.

“Os números mostram um crescimento muito consistente das exportações em 2025, impulsionado principalmente pelo aumento expressivo de volume. Por outro lado, o preço médio por tonelada apresentou redução em relação a 2024, o que explica o fato de a receita ter crescido em ritmo inferior ao volume embarcado. Vendemos mais, porém a um valor médio menor”, avalia o presidente do Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco), Valmor Thesing.

De acordo com o dirigente, o desempenho reafirma a posição do Brasil como maior exportador mundial de tabaco. “Nos últimos cinco anos, temos mantido uma média anual de embarques em torno de 515 mil toneladas e cerca de US$ 2,6 bilhões em divisas. Essa estabilidade está diretamente ligada ao nosso Sistema Integrado de Produção de Tabaco”, destaca.

O Sistema Integrado é amparado pela Lei da Integração, que rege os contratos entre indústria e produtores, definindo volumes, tipo de tabaco a ser produzido e orientações técnicas de manejo. “A integração permite alinhar o plantio às demandas globais, tanto em quantidade quanto em qualidade de produto, o que nos diferencia como fornecedor mundial. O Brasil é o maior exportador mundial desde 1993 e temos um futuro promissor, desde que mantenhamos o Sistema Integrado fortalecido”, conclui o presidente do SindiTabaco.

Destinos do tabaco brasileiro

Em 2025, a Europa manteve-se como principal destino do tabaco brasileiro, respondendo por 41% do valor exportado. O Extremo Oriente representou 36% dos embarques, seguido por África/Oriente Médio (8%), América do Norte (6%), América Latina (6%) e Leste Europeu (3%). Entre os principais países importadores estão Bélgica, China e Indonésia.

Principais países importadores 2025

1º Bélgica (US$ 733,4 milhões)

2° China (US$ 576,5 milhões)

3° Indonésia (US$ 280,4 milhões)

4° Estados Unidos (US$ 195,3 milhões)

5° Vietnã (US$ 148,7 milhões)

6° Emirados Árabes Unidos (US$ 139,4 milhões)

7° Turquia (US$ 123 milhões)

Sul do Brasil responde por 98% das exportações

Na Região Sul do Brasil, que concentra 96% da produção brasileira de tabaco, as exportações de tabaco em 2025 foram de US$ 3,315 bilhões, superando o ano de 2024 em 14,91%. Do total das divisas do ano passado, 98% é oriundo da Região Sul. Os embarques nos portos do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná foram de 555.222 toneladas, 24,34% superiores ao ano anterior.

04 fevereiro 2026

Pó do tabaco se transforma em fertilizante orgânico

Em 2025, 23 mil toneladas do resíduo industrial foram recicladas. O cumulativo dos últimos 12 anos é de mais de 175 mil toneladas de materiais, que retornam às propriedades para fertilizar as lavouras e melhorar a produtividade.

O pó de tabaco, resíduo do processamento das folhas, retorna às propriedades produtoras na forma de fertilizante orgânico. A reciclagem integra as iniciativas em prol da sustentabilidade ambiental conduzidas pelas empresas associadas ao Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco). A produção do Fertileaf é realizada pela Fundação para Proteção Ambiental de Santa Cruz do Sul (Fupasc), e o produto é registrado no Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e certificado como fertilizante orgânico Classe A.

Após o processamento, o adubo retorna às unidades industriais, que o distribuem aos produtores por meio do Sistema Integrado de Produção de Tabaco (SIPT), fortalecendo a lógica da economia circular junto aos próprios produtores da cadeia. Além da certificação do Ministério da Agricultura, o produto conta com o selo Ecocert, que atesta o uso apropriado do insumo para a produção orgânica, de acordo com normas brasileiras e internacionais.

Conforme dados da Fupasc, entre 2014 e 2025 foram produzidas mais de 175 mil toneladas de fertilizante orgânico. A reciclagem junto à Fundação iniciou em 2014, ano em que foram processadas 5.375 toneladas de pó de tabaco. Com o passar dos anos, a transformação do descarte em fertilizante passou a abranger mais unidades e setores das indústrias, de modo que, atualmente, a totalidade do pó segue para transformação em adubo. Em 2020, já eram produzidas 14.692 toneladas de fertilizante. E em 2025, o volume chegou a 22.991,80 toneladas, que irão fertilizar lavouras da safra 2025/2026.

Para a produção, o pó de tabaco recebe a adição de cinzas de caldeiras à lenha aproximadamente (3%), este um resíduo industrial classe II, gerado nas industrias fumageiras, além de um consórcio de micro-organismos. O coordenador de Sustentabilidade da Fupasc, engenheiro ambiental e de segurança do trabalho Sebastião Bohrer, explica que a cinza é utilizada para correção do pH e que os micro-organismos aceleram a fermentação dos resíduos. “No tratamento, o pó de tabaco e a cinza são umidificados em um sistema coberto, chamado de leiras, onde também é adicionado o consórcio de micro-organismos para promover a degradação e a estabilização dos resíduos”, explica.

Economia circular sustentável

Segundo a assessora técnica do SindiTabaco, Fernanda Viana Bender, a sustentabilidade ambiental e econômica faz parte do propósito das empresas de tabaco, tanto em suas operações industriais quanto nas demais atividades de toda a cadeia produtiva. “A reciclagem de todos os resíduos produzidos é uma ação permanente. E, no caso da produção de fertilizante a partir do pó de tabaco, cumpre todos os requisitos da economia circular sustentável”, afirma. “E isso vem sendo alcançado com o comprometimento dos gestores e das equipes técnicas”, completa.

O que é o Fertileaf

E um fertilizante orgânico Classe A, com registro no Ministério da Agricultura e Pecuária – MAPA EP RS-3713-3, resultado de cerca de 20 anos de pesquisas e experimentos para o desenvolvimento da biotecnologia e da estrutura adequada para compostagem e estabilização dos resíduos provenientes do setor fumageiro. O produto também é certificado pela Ecocert como insumo apropriado para a produção orgânica. O processo de compostagem foi desenvolvido com base nas premissas da economia circular, em que o produto gerado retorna aos produtores.

Como é produzido

A produção do Fertileaf ocorre por meio de um processo de compostagem em área 100% coberta, com ciclo fechado, denominado fermentação em estado sólido, sem geração de resíduos líquidos. A eficiência do processo é avaliada diariamente por meio da medição da temperatura das pilhas de maturação do composto orgânico e também por ensaios de germinação de sementes de ervas daninhas. A fundação recebe o pó cru e as cinzas das empresas associadas, adiciona os micro-organismos e, após 90 a 120 dias de maturação e estabilização, o produto está pronto para retornar às empresas. Na produção, 100% da energia utilizada é proveniente de usina solar própria, e 100% da água é de reuso (pluvial).


Leia este e outros textos no Blog Empreendedores do Campo: https://www.sinditabaco.com.br/blog

27 janeiro 2026

Tabaco ascende municípios no ranking do PIB e das exportações gaúchas

 Janeiro 2026 – A divulgação de uma nota técnica do Departamento de Economia e Estatística (DEE), em dezembro de 2025, colocou Santa Cruz do Sul na 7ª posição do Top 10 do PIB entre os municípios do Rio Grande do Sul. O PIB (Produto Interno Bruto) é um indicador que expressa o valor total dos bens e serviços finais produzidos em determinado período — normalmente um ano — funcionando como um termômetro da atividade econômica.

A ascensão do município no ranking das maiores economias gaúchas vem ocorrendo de forma contínua nos últimos anos. Em 2021, Santa Cruz do Sul ocupava a 11ª posição e não integrava o Top 10 do PIB gaúcho. Ingressou no ranking em 2022, já na 8ª colocação, e, em 2023, com PIB de R$ 13,3 bilhões e crescimento de 19,72% em relação ao ano anterior, avançou para a 7ª posição.

Sede de unidades industriais das maiores empresas de tabaco do mundo, Santa Cruz do Sul tem no setor seu principal sustentáculo econômico. Para o presidente do Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco), Valmor Thesing, os índices confirmam uma percepção histórica.

“A indústria e a produção de tabaco fazem girar a economia das regiões produtoras, beneficiando também o comércio e o setor de serviços”, afirma. “E os municípios onde há unidades industriais, como Santa Cruz do Sul e Venâncio Aires, apresentam altos PIBs per capita, resultado dos empregos, da renda, das divisas e das oportunidades de negócios proporcionadas pelo setor”, explica. Segundo o IBGE, em 2023, Santa Cruz do Sul acumulou um PIB per capita de R$ 100,5 mil/ano. Já Venâncio Aires, registrou R$ 68,1 mil per capita no mesmo período.

Dados da Prefeitura de Santa Cruz do Sul mostram que, entre as 20 maiores empresas em retorno de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) no município em 2024 — responsáveis por 85,94% do total arrecadado —, o setor do tabaco respondeu por 70,18% da arrecadação. As cinco principais empresas do município pertencem ao setor do tabaco.

No estado, Porto Alegre lidera a lista do PIB gaúcho, com R$ 104,7 bilhões, seguida por Caxias do Sul (R$ 37,8 bilhões) e Canoas (R$ 29,1 bilhões). Na 4ª posição está Gravataí (R$ 15,5 bilhões); na 5ª, Rio Grande (R$ 14,1 bilhões); em 6º lugar, Passo Fundo, com R$ 14 bilhões; e, em 7º, Santa Cruz do Sul.

Santa Cruz do Sul e Venâncio Aires no ranking das exportações gaúchas

Em 2025, Santa Cruz do Sul também se destacou no ranking das exportações gaúchas: com o bom desempenho do tabaco, garantiu o 2º lugar, ficando atrás apenas de Rio Grande, município sede do principal porto da região Sul do Brasil. As informações disponibilizadas no portal do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC/ComexStat) são de que Santa Cruz do Sul exportou mais de US$ 1,87 bilhões no período. Os dados mostram também Venâncio Aires, outro município com forte influência do setor do tabaco, em 4º lugar nas exportações gaúchas, com mais de US$ 1,21 bilhões em vendas externas no ano. Confira o ranking completo

Sobre o SindiTabaco

Fundado em 24 de junho de 1947, o Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco) tem sede em Santa Cruz do Sul (RS), no Vale do Rio Pardo, maior polo de produção e beneficiamento de tabaco do mundo. Inicialmente como Sindicato da Indústria do Fumo, a entidade ampliou sua atuação ao longo dos anos e, desde 2010, passou a abranger todo o território nacional, exceto Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo. Com 14 empresas associadas, as ações da entidade se concentram especialmente na Região Sul do País, onde 94% do tabaco brasileiro é produzido, com o envolvimento de 533 mil pessoas no meio rural, em 525 municípios. Saiba mais em sinditabaco.com.br

23 janeiro 2026

Acordo Mercosul-UE pode ampliar competitividade do tabaco brasileiro frente ao africano

 Janeiro 2026 – O anúncio do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia sinaliza a abertura de novas possibilidades de negócios entre a América do Sul e a Europa. O agronegócio está entre os setores com maior potencial de benefício, diante da perspectiva de redução e, futuramente, de isenção das taxas de importação hoje aplicadas pelos países europeus. Para o tabaco brasileiro, o anúncio representa a expectativa de ampliação dos negócios com a Europa, que já responde por mais de 30% das exportações nacionais anualmente.

Pelo texto que está sendo negociado, as exportações de tabaco brasileiro passarão a contar com redução anual das alíquotas de importação até a eliminação total do imposto. Na prática, isso poderá corrigir uma assimetria competitiva, como destaca o presidente do Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco), Valmor Thesing.

“Atualmente, os principais concorrentes do Brasil nas exportações de tabaco são países africanos que já se beneficiam de isenções tarifárias no acesso ao mercado europeu. Nos últimos anos, Maláui, Tanzânia e Zimbábue ampliaram de forma consistente sua produção, o que reforça a necessidade de o Brasil reduzir assimetrias comerciais para preservar e ampliar sua participação no bloco europeu”, observa.

Dados do ComexStat (Sistema de Estatísticas do Comércio Exterior Brasileiro, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) mostram que, somente em 2025, a União Europeia importou do Brasil US$ 1,12 bilhão em tabaco, correspondentes a quase 204 mil toneladas. O dado confirma que o bloco é um dos principais destinos das exportações brasileiras do produto.

Após a assinatura do acordo, o Brasil passará a competir em condições mais equilibradas com os países africanos e poderá ampliar o fluxo comercial, considerando a posição brasileira de fornecedor confiável, regular e de alta qualidade do seu produto produzido dentro do Sistema Integrado de Produção de Tabaco (SIPT).

Apesar da expectativa bastante positiva, Thesing alerta que os efeitos não serão imediatos. O acordo ainda depende de trâmites institucionais, como a aprovação do Parlamento Europeu, onde alguns países, como a França, ainda solicitam ajustes para salvaguardar seus produtores locais. O texto ainda precisa ser aprovado pelos congressos do Uruguai, da Argentina, do Paraguai e do Brasil para entrar em vigor.

Os benefícios do acordo econômico serão sentidos de forma gradativa, uma vez que a desgravação — a redução progressiva das tarifas de importação — ocorrerá ao longo de alguns anos. “A desgravação do tabaco manufaturado é de quatro anos, e a do tabaco não manufaturado, de sete anos”, explica o presidente do SindiTabaco. “A perspectiva é de que o acordo traga benefícios e gere potencial para novos negócios, em razão do aumento da competitividade do tabaco brasileiro no mercado europeu”, destaca.


Sobre o SindiTabaco

Fundado em 24 de junho de 1947, o Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco) tem sede em Santa Cruz do Sul (RS), no Vale do Rio Pardo, maior polo de produção e beneficiamento de tabaco do mundo. Inicialmente como Sindicato da Indústria do Fumo, a entidade ampliou sua atuação ao longo dos anos e, desde 2010, passou a abranger todo o território nacional, exceto Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo. Com 14 empresas associadas, as ações da entidade se concentram especialmente na Região Sul do País, onde 94% do tabaco brasileiro é produzido, com o envolvimento de 533 mil pessoas no meio rural, em 525 municípios. Saiba mais em sinditabaco.com.br


22 agosto 2025

Canguçu lidera Ranking dos municípios sul-brasileiros produtores de tabaco – safra 2024/2025

 Abaixo, ranking dos 30 municípios sul-brasileiros, maiores produtores de tabaco da safra 2024/2025, por estado e Sul do Brasil, levando-se em consideração o volume de produção.

O Brasil é o segundo maior produtor mundial de tabaco. Produz 541 mil toneladas e, destas, 508 mil toneladas são provenientes do Sul do País. Maior exportador mundial 512 mil toneladas vão para outros países.
No Sul do Brasil (Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná):
133.265 famílias produtoras de 509 municípios dependem da produção de tabaco, São 284 mil hectares plantados em pequenas propriedades. 
A fumicultura foi pioneira em ter um sistema de produção integrado. Trata-se de uma relação entre produtores e empresas que planejam e realizam a produção do tabaco, através de um contrato de integração. 
Mais de R$ 11,7 bilhões é a receita dos produtores dos estados do Sul.

O setor do tabaco também é pioneiro em ter um sistema de auxílio mútuo, voltado aos produtores de tabaco, criado pela Afubra.


31 julho 2025

Taxação de Trump pode impactar setor da fumicultura em Canguçu e região

São nove mil hectares destinados ao cultivo ao tabaco em Canguçu, envolvendo cerca de cinco mil famílias. Considerado maior produtor de tabaco do país, o município produziu 18 mil toneladas de fumo em folha na última safra. A taxação de 50% imposta por Donald Trump aos produtos brasileiros vem deixando o setor apreensivo, visto que cerca de 85% do fumo brasileiro é exportado, sendo os Estados Unidos o terceiro maior importador do tabaco brasileiro.

Conforme relato do presidente do Sindicato de Trabalhadores Rurais dos Agricultores Familiares de Canguçu, Guilherme Tessmer, da safra de 2023/2024, foram mais de 39 mil toneladas comercializadas entre Brasil e EUA. “A médio longo prazo estamos identificando uma redução da remuneração dos produtores em função do peso da exportação”, explica.

Na avaliação de Tessmer, a taxação extra dos EUA tornará 2025 um dos momentos mais desafiadores para os setores do agronegócio brasileiro, especialmente na área do tabaco. “Temos um número exponente de produtores. Canguçu é o maior produtor do Brasil, já pagamos uma taxa que não é barata – passou de 5% para 10% recentemente -, e agora se chega a 50%. Isso será extremamente prejudicial”, avalia.

De acordo com economista e professor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Gabrielito Menezes, a tarifa de 50% sob o tabaco brasileiro vai representar aumento substancial do preço final do produto brasileiro nos EUA. “A projeção de quedas nas vendas nos EUA deve chegar até 25% em 2025”, projeta.

Impacto imediato

Também localizado na Zona Sul, o município de São Lourenço do Sul está na quarta posição do ranking nacional de maiores produtores de fumo em folha. São cerca de 3,7 mil famílias, em uma área plantada na casa dos sete mil hectares. “A produção do município gera em torno de aproximadamente 14 mil toneladas”, informa Tessmer.

Tanto em São Lourenço do Sul quanto em Canguçu, a tarifa deve gerar impacto imediato nos preços recebidos pelos produtores familiares, avalia Menezes, o que pode gerar risco de suspensão de compra e embarque de férias coletivas. “Isso aponta a necessidade de diversificação de mercados e produtos”, comenta.

Busca por outros mercados

O produtor Claudemir Schroder Becker acredita que o cenário só poderá ser melhor avaliado a partir de 2026. “Certamente vai nos afetar, pois com a taxação extra os EUA devem passar a comprar de outros países, afetando as exportações brasileiras”, diz

Becker ainda segue na esperança de uma revisão por parte do país americano, visto que na sua avaliação o setor vem passando por um bom momento. O produtor trabalha com a esposa numa propriedade de quatro hectares de fumo.

Para Tessmer, a sobretaxação em cima da indústria brasileira e do produtor brasileiro deve trazer desvalorização para o produto nacional a médio longo prazo. “Nossa alternativa será buscar outros países compradores, de outras regiões do mundo que possam absorver essa fatia do produto brasileiro exportado”, diz. Atualmente, a produção brasileira é comercializada para mais de 100 países.

Menezes destaca que algumas alternativas para minimizar os impactos do possível cenário seria o redirecionamento das exportações dos EUA para a China e Bélgica. “A ampliação da representativa do mercado asiático seria outra alternativa”, diz.
As exportações brasileiras de tabaco devem ultrapassar a marca de três bilhões de dólares em 2025, segundo projeção da consultoria Deloitte, realizado a pedido do SindiTabaco. A estimativa é de crescimento entre 10% e 15% tanto em volume quanto em valor. No Rio Grande do Sul, em 2024 as exportações de tabaco representaram 12,55% do total das exportações do Estado.

Cautela

A BAT Brasil, fundada em 1903, é líder no mercado brasileiro de cigarros. A companhia é parte do Grupo British American Tobacco (BAT), que tem operação opera globalmente, ainda levanta informações para realização de pronunciamento oficial nos próximos dias, segundo informou o setor de comunicação da empresa.

A Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) também informou à reportagem do Jornal A Hora do Sul que ainda não existe um posicionamento oficial sobre os impactos que a taxação causará. (A hora do Sul)

22 janeiro 2025

Polícia fecha fábrica clandestina que produzia 150 mil maços de cigarro por dia em Agudo; 9 pessoas foram presas

A Polícia Civil descobriu e fechou uma fábrica clandestina de cigarros que produzia até 150 mil maços por dia dentro de uma propriedade rural em Agudo, município da Região Central do Rio Grande do Sul. Uma arrozeira era usada como fachada para o esquema criminoso (saiba mais abaixo). Até o começo da manhã desta quarta-feira (22), 9 pessoas foram presas.

De acordo com a Polícia Civil, do total de presos, sete são paraguaios. A investigação indica que eles eram submetidos, no local, a trabalho análogo ao de escravidão – suspeita que ainda deve ser esclarecida.

Os outros dois presos seriam donos da propriedade rural. Questionados pela polícia sobre o espaço e a respeito de como os paraguaios foram levados até lá, permaneceram em silêncio. Além disso, os policiais encontraram com um deles uma arma de fogo – ele não tem permissão para uso do armamento e deve responder por porte ilegal.

Todos os presos devem responder por organização criminosa e fabricar e vender produto impróprio para consumo.

Arrozeira como fachada para o esquema

Segundo a Polícia Civil, após três meses de investigação, foi descoberto que a propriedade rural, que oficialmente opera como uma beneficiadora de arroz, era usada como fachada para a produção dos cigarros – um esquema que rendia até R$ 300 mil para criminosos.

Os cigarros são das marcas paraguaias 51 e Egipt. Eles eram produzidos para venda no Brasil.

O caso começou a ser investigado após denúncias. Ao monitorar a arrozeira, a polícia percebeu que veículos que chegaram à propriedade estavam em nomes de pessoas suspeitas de ter envolvimento com contrabando e tráfico de drogas.

A propriedade rural teria sido escolhida pelos criminosos também pela localização estratégica, de acordo com a polícia: fica distante cerca de 10 quilômetros da RS-287, rodovia estadual que liga Santa Maria a Porto Alegre, e é próxima ao Rio Jacuí, por onde a mercadoria ilegal pode ser levada até a capital por meio de barcos.

02 janeiro 2025

Chuva afetou lavoras de fumo na zona rural de Canguçu

 A chuva e a queda de granizo no primeiro dia do ano de 2025 afetaram lavoras de fumo na zona rural de Canguçu. Na localidade da Estância da Figueira os produtores tiveram prejuízos enormes.

Além do quinto distrito, moradores do segundo e primeiro distritos também tiveram prejuízos com granizo.




15 fevereiro 2024

COP 10: deliberações vão impactar cadeia produtiva

 As diretrizes adotadas durante a 10ª Conferência das Partes (COP) da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (CQCT), realizada de 5 a 10 de fevereiro, no Panamá, podem trazer consequências negativas para toda a cadeia produtiva no Brasil. E isso vem com o agravante de a delegação brasileira não demonstrar disposição para defender o setor que envolve mais de 500 mil trabalhadores no campo e tem 90% da sua produção exportada, gerando anualmente US$ 2,73 bilhões em divisas e quase R$ 15 bilhões em impostos.

“Quando ouvimos falar novamente em medidas para reduzir a área plantada ou em substituição de cultivo de um representante brasileiro, temos a certeza de que os números do setor, em especial no Brasil, são totalmente ignorados nessas discussões. Os membros da CQCT já tentaram, sem sucesso, implementar alternativas ao cultivo do tabaco e todas esbarraram na viabilidade econômica, no perfil das pequenas propriedades ou em aspectos de mercado. Basta comparar a rentabilidade do tabaco com outras culturas para entender: é preciso 7 hectares de milho para auferir a mesma renda de um único hectare de tabaco”, comenta o presidente do SindiTabaco, Iro Schünke.


A própria indústria de tabaco já incentiva a diversificação para que o produtor tenha um complemento de renda. Desde 1985, o programa Milho e Feijão após a colheita do tabaco gera renda extra no campo. Na última safra, mesmo com os efeitos adversos do clima, os resultados foram superiores a R$ 650 milhões. “Somos totalmente favoráveis a iniciativas que possibilitem ganhos aos produtores, mas o que temos visto são ações que serão, em grande parte, subsidiadas pelo governo. Considerando o contexto de mercado mundial, que ainda tem uma grande demanda pelo produto, e que o Brasil é o maior exportador de tabaco do mundo há mais de três décadas, faz sentido liderarmos esse tipo de discussão?”, questiona o executivo.

Outra decisão da COP 10 foi a implementação de trabalhos para discutir os impactos do tabaco no meio ambiente, tema levantado pela delegação brasileira. A proposta da COP 10, de análise de impactos ambientais, está ligada ao Artigo 18 da CQCT, que fala de proteção do ambiente e da saúde das pessoas. A sugestão é de que os 182 países membros façam estudos sobre os impactos ambientais no cultivo, fabrico e consumo de produtos do tabaco, bem como sobre os resíduos gerados.

“Conduzimos, juntamente com a representação dos produtores, diversas ações de proteção dos recursos naturais, algumas delas com décadas de atuação e benefícios comprovados. Um deles foi o fomento, através do Sistema Integrado de Produção de Tabaco (SIPT), do cultivo de florestas energéticas para promover a preservação da mata nativa. Como resultado, atualmente, 14% das propriedades produtoras de tabaco são cobertas por mata nativa e 8% por mata reflorestada”, exemplifica.

Outras iniciativas do setor resultaram, por exemplo, na redução no uso de agrotóxicos a apenas 1,01 quilo de ingrediente ativo por hectare, mantendo o tabaco entre as culturas comerciais do agro brasileiro que menos demandam defensivos. E o programa de logística reversa promove o recolhimento e a reciclagem das embalagens do agrotóxico usado nas propriedades, muitas delas utilizadas em outras culturas.

“É claro que essas iniciativas não são demonstradas, talvez sequer apuradas, considerando o viés unilateral das discussões. Quaisquer ações incentivadas pelas indústrias nesse sentido são totalmente desconsideradas nesse fórum que se tornou um exemplo antidemocrático para o mundo, em especial quando vemos representantes do povo e a própria imprensa impedidos de acompanhar os eventos”, reforçou Schünke.

NOVOS PRODUTOS - Sem consenso sobre os DEFs (dispositivos eletrônicos de fumar), o tema foi adiado para a COP 11, que ainda não possui sede definida ou data para acontecer. As divergências ocorreram porque parte das delegações participantes defendia a necessidade de realizar mais estudos. No Brasil, uma consulta pública da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), encerrada no dia 9 de fevereiro, colocou em debate a proposta de manutenção da proibição de comercialização, fabricação e importação, bem como a proibição da publicidade ou divulgação. Os resultados ainda não foram divulgados pela Anvisa.

“Temos certeza que muitas pessoas contribuíram com a consulta, questionando a proibição de um produto que já circula ilegalmente no País há muito tempo e que impossibilita uma indústria legalizada se instalar, gerar empregos, renda, tributos e, mais importante, oferecer um produto regulamentado, com a fiscalização adequada. É um contrassenso sem tamanho seguir com esse tipo de abordagem, basta olhar para o comércio ilegal destes produtos que já acarretam enormes prejuízos aos cofres públicos”, ressalta Schünke.

TABACO NO BRASIL – Os números demonstram a grande importância do tabaco no cenário do agro sul-brasileiro. Desde 1993, o Brasil permanece na liderança como maior exportador de tabaco do mundo. Segundo o Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC/ComexStat), o Brasil embarcou 512 mil toneladas de tabaco em 2023, o que gerou divisas de US$ 2,729 bilhões. Ao todo, 107 países compraram o produto, tendo a União Europeia em destaque com 42% do total embarcado, seguida de Extremo Oriente (31%), África/Oriente Médio (11%), América do Norte (8%) e América Latina (8%). Bélgica, China, Estados Unidos e Indonésia continuam no ranking de principais importadores. A participação do tabaco nas exportações foi de 0,80% no Brasil, 4,51% na Região Sul e, no Rio Grande do Sul, estado que é o maior produtor, chegou a 11,19%.

28 setembro 2023

Reunião formaliza encerramento da pré-inspeção do tabaco brasileiro

Pré-inspeção do produto é uma das exigências do protocolo bilateral de comércio entre Brasil-China. Em 2022, a China foi o segundo maior importador do tabaco brasileiro, gerando divisas de US$ 472 milhões 
O Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco) sediou nesta quinta-feira, 28 de setembro, reunião para formalizar o encerramento da pré-inspeção do tabaco, safra 2022/23, uma das exigências do protocolo bilateral de comércio entre Brasil-China. O encontro ocorreu em formato híbrido, com a presença virtual dos técnicos da Administração Geral das Alfândegas da República da China (GACC).  

Participaram da reunião na sede do sindicato, em Santa Cruz do Sul (RS), o chefe da Divisão de Programas Especiais de Exportação do Ministério da Agricultura de Brasília, Caio César Simão; o superintendente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) do Rio Grande do Sul, José Cleber de Souza; o presidente do SindiTabaco, Iro Schünke; o Chefe da Divisão de Defesa Agropecuária do MAPA RS, Jairo Carbonari; o chefe do Serviço de Fiscalização de Insumos e Sanidade Vegetal MAPA RS, Roque Danieli; o presidente da China Tabaco Internacional do Brasil (CTIB), Zhou Xinghua; a responsável técnica do Laboratório da Central Analítica da Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC), Adriana Dupont Schneider; bem como representantes das empresas fornecedoras de tabaco para a China. 

O presidente do SindiTabaco, Iro Schünke, cumprimentou os presentes no encontro e reforçou a importância da China para o setor de tabaco brasileiro. “A China é um dos nossos maiores importadores já há muitos anos. O Brasil tem exportado uma média de 500 mil toneladas por ano e a China aparece sempre entre os principais destinos. Isso se deve muito ao trabalho estabelecido pelas entidades aqui presentes e, em especial, a participação do MAPA, sempre muito eficiente e efetiva. Nosso agradecimento à CTIB pela intermediação deste importante trabalho, bem como à UNISC. E, em especial, aos representantes da GACC. É a primeira vez que nos encontramos, mesmo que em vídeo, para trocarmos essas informações. O SindiTabaco atua como um facilitador na intermediação entre as empresas e essas entidades e estamos muito satisfeitos de chegar ao final de mais uma pré-inspeção com bons resultados. A expectativa é de que possamos evoluir nossos negócios com a China”, ressaltou Schünke.  

“A China é nosso mais importante parceiro comercial. Em 2022, foram mais de US$ 150 bilhões transacionados. No setor do tabaco, os embarques para a China iniciaram em 2005. A partir de 2008 iniciamos o monitoramento e em 2010 formalizamos o protocolo que vem fortalecendo o comércio de tabaco entre os dois países e que envolve setor público e privado com o objetivo de destinar um produto de qualidade fitossanitária. O setor é um exemplo na condução deste programa e sempre conseguiu demonstrar a rastreabilidade do processo e do produto. Desde o campo até a caixa que é exportada, a gente consegue rastrear a origem na eventualidade de encontrar uma inconformidade, algo que nunca aconteceu em todos esses anos de protocolo”, comentou o Chefe da Divisão de Programas Especiais de Exportação do Ministério da Agricultura de Brasília, Caio César Simão. 

José Cleber de Souza, superintendente do MAPA RS, reforçou a importância de manter o olhar atento em torno do mercado. “A China é um parceiro relevante, assim como o tabaco, que ocupa uma posição de destaque do cenário gaúcho. A superintendência está atenta para prover todo o suporte necessário à manutenção e ampliação de mercados. Minha participação é no sentido de representar esse compromisso, que é também do ministro Carlos Fávaro e do governo, e de reconhecimento desta atividade que é muito relevante”, comentou. 

Como tem ocorrido nos últimos anos, em acordo com o GACC, o MAPA ficou encarregado da coleta das amostras de tabaco processado e envio à Central Analítica da Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC) para testes laboratoriais que comprovem a fitossanidade do produto antes do embarque. Roque Danieli, auditor fiscal e chefe do Serviço de Fiscalização de Insumos e Sanidade Vegetal do MAPA no RS, falou sobre as atividades da pré-inspeção. 

“Durante essas três semanas, os representantes da GACC puderam acompanhar, em formato virtual, a execução do protocolo. Esperamos que a apresentação dos trabalhos esteja a contento e agradecemos o empenho das empresas no trabalho de monitoramento, garantindo um produto livre das pragas previstas dentro do protocolo. Também avaliamos o uso de defensivos e de boas práticas agrícolas e não encontramos inconformidades nas fiscalizações realizadas a campo, resultado direto do Sistema Integrado e do constante trabalho de atualização dos técnicos das empresas. Esperamos que sejam aprovados esses seis últimos lotes e vamos encaminhar ainda na próxima semana o relatório final. Recomendamos a continuidade deste trabalho conjunto para a manutenção desta importante parceria comercial”, comentou Danieli ao grupo. 

Relatório preliminar é positivo 

A responsável técnica do Laboratório da Central Analítica da UNISC, professora Adriana Dupont Schneider, detalhou as análises realizadas até o momento. “Este ano teremos um total de 53 lotes analisados, sendo 47 já aprovados e outros seis que serão avaliados após a reunião. As amostras são oriundas de oito empresas e todos os resultados foram negativos para as pragas que fazem parte do acordo entre Brasil e China”, atestou. Segundo ela, objetivo foi analisar e atestar a qualidade fitossanitária do tabaco para as nove pragas previstas no protocolo: seis insetos [sendo quatro tipos de besouros e dois tipos de pulgas], dois tipos de sorgos [plantas invasoras daninhas] e, por fim, o mofo azul. “Foram 17 dias de investigação e cada amostra, minuciosamente analisada, gerou um relatório de ensaio. Quanto ao mofo azul, deu-se atenção especial visto que é o patógeno de maior preocupação do governo chinês. Todas as amostras analisadas até o momento tiveram resultado negativo. São resultados que atestam e asseguram a qualidade fitossanitária do tabaco brasileiro a ser exportado para a China. Tenho acompanhado esse monitoramento há muitos anos e temos evoluído muito essa parceria, o que se reflete na confiança entre os dois países e consequente aumento do volume embarcado”, ressaltou em sua avaliação.  

O representante da GACC comentou que o resultado final da pré-inspeção dependerá da conclusão da análise das últimas amostras. Já o presidente da CTIB, Zhou Xinghua, está confiante com os resultados e aguarda que os trabalhos possam ser concluídos o mais brevemente possível. “Iniciamos este trabalho no início de setembro e encerramos hoje, com a última inspeção. Agradecemos a todos os envolvidos neste trabalho e esperamos que seja possível finalizar o relatório o quanto antes para que se possa adiantar os embarques”, concluiu Xinghua. 

21 março 2023

O que o tabaco representa para os municípios?

 No Sul do Brasil, o tabaco contribui com a economia de 488 municípios, sendo parte deles com grande representatividade na economia e qualidade de vida da população. Canguçu, no Rio Grande do Sul, é o município campeão no ranking dos que mais produzem tabaco e o prefeito Vinicius Pegoraro tem reiterado a afirmação de que seu município tem sido largamente beneficiado desde que as lavouras de tabaco se tornaram mais presentes na zona rural. Com 18.845 toneladas produzidas na safra 2021/2022 por 5.144 produtores, Canguçu tem no tabaco a maior força econômica, que resulta em benefícios para todos que vivem e trabalham na região.

O segundo município que mais produz é São João do Triunfo, no Paraná, onde 2.125 produtores colheram 18.262 toneladas na safra 2021/2022. Com sustentáculo na atividade rural e 70% da população vivendo no campo, em torno de 50% do PIB tem origem no tabaco, que é o mais rentável produto. Venâncio Aires é o terceiro maior produtor (com 16.948 toneladas produzidas por 3.711 produtores), mas as folhas são ainda mais significativas no setor industrial, pois as cinco maiores empresas do município são processadoras de tabaco.

No ranking dos municípios produtores, em quarto lugar está São Lourenço do Sul (RS), com 15.325 toneladas cultivadas por 3.930 produtores, e em quinto lugar, Rio Azul (PR), com 14.450 toneladas, produzidas por 2.015 fumicultores na safra passada. E a sexta colocação é ocupada por Itaiópolis, em Santa Catarina, que teve 14.274 toneladas cultivadas por 2.819 produtores. Nesse município, o tabaco é a principal e maior produção de renda. Conforme o prefeito Mozart Myczkowski, o município de Itaiópolis é essencialmente agrícola e 66% da arrecadação vem do agronegócio, sendo que desses 52% tem origem no tabaco.

Na sequência, Canoinhas (SC) está na sétima colocação, com 12.214 toneladas produzidas por 2.560 produtores; e Vale do Sol (RS) em oitavo lugar, com 11.585 toneladas cultivadas em 2.664 propriedades. Candelária (RS) é o nono colocado, com 11.386 toneladas produzidas por 2.929 produtores; e Ipiranga (PR) está em 10º lugar, com 10.926 toneladas produzidas por 1.631 empreendedores do campo. E a 11ª colocação é de Santa Teresinha (SC), com 10.838 toneladas cultivadas por 2.085 produtores na safra 2021/2022.

Já Santa Cruz do Sul (RS), que ocupa o 12º lugar na produção (10.757 toneladas e 3.152 produtores), é a cidade onde se concentram unidades industrias das principais companhias tabaqueiras do mundo e as três maiores empresas do município são processadoras de tabaco. É do seu Distrito Industrial que partem produtos de tabaco em folha para todas as partes do planeta. O município possui a 5ª economia do PIB gaúcho e é destaque no ranking do anuário As Melhores Cidades do Brasil em 30º lugar no país entre as cidades brasileiras de médio porte.

Em 13º lugar na produção de tabaco está Camaquã (RS), com 10.683 toneladas cultivadas por 2.340 fumicultores na safra passada. O 14º colocado é Prudentópolis (PR), com 9.116 toneladas produzidas em 1.361 propriedades rurais. E a 15ª colocação pertence a Irati (PR), que teve 8.685 toneladas produzidas por 1.151 produtores na safra 2021/2022. Os 128 mil produtores dos três estados do Sul do Brasil receberam renda total de aproximadamente R$ 9,5 bilhões. As indústrias mantêm 40 mil empregos e as exportações geraram em torno de US$ 2,4 bilhões em divisas e R$ 12,2 bilhões em impostos arrecadados. (Sinditabaco)

28 fevereiro 2023

Tabaco e agrotóxicos: mitos e fatos

O blog Empreendedores do Campo entrevistou o presidente do Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco), Iro Schünke, sobre os mitos e fatos acerca do tabaco e sua relação com os agrotóxicos. Além da grande experiência no setor do tabaco, Schünke é também engenheiro agrônomo de formação. Confira abaixo: 


É verdade que a cultura do tabaco é a que mais utiliza agrotóxicos? 
 

Iro Schünke: Este é um dos motivos que justificam a comunicação como um dos pilares do SindiTabaco. Desmistificar mitos como este tem sido um de nossos maiores objetivos. O tabaco brasileiro está entre os produtos comerciais agrícolas que menos utiliza agrotóxico, de acordo com quatro diferentes pesquisas. A mais recente delas, realizada por professores da ESALQ/USP com dados do SINDVEG (2016), aponta que a cultura de tabaco utiliza em média 1,01 kg de ingrediente ativo por hectare, quantidade muito inferior ao de outras culturas que utilizam até 45 vezes mais ingrediente ativo por hectare. Ou seja, não é verdade que o tabaco utiliza muito agrotóxico. 

Por que acredita que a premissa acima continua sendo divulgada de forma errônea?  

Iro Schünke: Por ter um produto final controverso, a cadeia produtiva do tabaco fica mais vulnerável a ataques. É por isso que temos investido, cada vez mais, na comunicação dos nossos feitos, porque o setor do tabaco é, na verdade, exemplo para outros setores, não só na área de saúde e segurança, mas também na área social e ambiental. Ao emitir opinião sobre um determinado tema, temos que estar munidos de informações baseadas em fatos, com dados atualizados e com fontes oficiais. Essa é a conduta que seguimos, mas que lamentavelmente nem todos seguem. Há também alguns casos em que percebemos certa confusão ou desconhecimento ao tratar o tema, que é bastante técnico. Um exemplo é quando ouvimos que determinado setor utiliza “x” litros de agrotóxicos. O que determina a toxicidade do agrotóxico é a composição do produto [os chamados ingredientes ativos] e não o volume aplicado, seguindo a mesma lógica de remédios como o paracetamol: a mesma cápsula pode conter 250mg, 500mg, 750mg ou até 1g do princípio ativo. Passar a encarar os agrotóxicos como um tipo de “remédio” para a lavoura poderia desmistificar tudo isso: receitado na dose certa, cura; na dose errada e sem os cuidados necessários para sua aplicação, pode sim se transformar em um veneno. 

Agrotóxicos usados no tabaco são mais tóxicos que utilizados em outras culturas? 

Iro Schünke: Outro mito. Quando consideramos as Classes Toxicológicas dos produtos empregados, a sua quase totalidade está registrada no MAPA e classificada pela ANVISA nas categorias 4 e 5, ou seja, produto pouco tóxico e produto improvável de causar dano agudo (ambas de faixa azul) e categoria produto não classificado (faixa verde). Nenhum produto da faixa vermelha – a mais tóxica – é recomendado por nossas empresas associadas aos produtores de tabaco. 

Pesquisas associam o uso de organofosforados a problemas de saúde. Como o setor trata o tema? 

Iro Schünke: Os Organofosforados são um tipo de inseticida que já não são mais recomendados na produção de tabaco há muitos anos. Mas cabe ressaltar que a intoxicação por agrotóxicos só acontece se o produtor não utilizar o Equipamento de Proteção Individual (EPI) ou não seguir as orientações de segurança. 

Você acredita que os produtores de tabaco ainda resistem ao uso do EPI? 

Iro Schünke: O uso correto do EPI ao manusear e aplicar agrotóxicos é fundamental, mas ainda gera resistências por parte de alguns produtores. Cartilhas, campanhas de mídia e seminários de conscientização fazem parte dos investimentos da indústria para reforçar a orientação técnica repassada e tentar mudar a questão cultural de que a proteção não é necessária. Cabe ressaltar que o setor do tabaco é a única cadeia produtiva organizada que possui assistência técnica gratuita e um trabalho de orientação e conscientização dos produtores sobre o uso correto do EPI. Pesquisa conduzida pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), com produtores de tabaco da Região Sul do País, constatou que, em 2016, 85% já tinha realizado cursos sobre manuseio seguro de agrotóxicos (NR 31). Ademais, o uso de equipamentos de proteção individual (EPIs) é obrigatório e previsto em contrato com as empresas integradoras, e os equipamentos são disponibilizados a preço de custo aos produtores. 

E com relação ao meio ambiente? Os produtos utilizados têm potencial de contaminar o solo e a água? 

Iro Schünke: Todo agrotóxico tem potencial de contaminação. É por isso que as empresas lançaram um pioneiro programa de logística reversa no ano 2000, antes mesmo da legislação que regulamenta a devolução, de 2002. O Programa de Recebimento de Embalagens Vazias de Agrotóxicos percorre 1,8 mil pontos de coleta em 381 municípios produtores de tabaco do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina e recolhe embalagens utilizadas inclusive em outras culturas agrícolas. No Paraná, iniciativas semelhantes realizadas pelas centrais locais são apoiadas pelas empresas associadas ao SindiTabaco. Em 22 anos, a iniciativa já destinou corretamente mais de 18,8 milhões de embalagens, inclusive de recipientes utilizados em outras culturas, uma vez que é alto o número de produtores de tabaco que diversificam a propriedade. 

O que a indústria de tabaco tem feito para reduzir os problemas relacionados ao uso de agrotóxicos? 

Iro Schünke: Quando o assunto é agrotóxico, o setor atua em três grandes frentes: o da saúde e segurança do produtor, conscientizando-o sobre a necessidade de se proteger; o da proteção ambiental, tendo como exemplo o já citado Programa de Recebimento de Embalagens e a orientação sobre a correta armazenagem e manuseio desses produtos; e, por fim, o da inovação, com investimento em pesquisas para continuar a reduzir a necessidade do uso de agrotóxicos. Nesse sentido, o uso de boas práticas agrícolas e o emprego de agentes biológicos específicos para o controle de certas pragas, pode reduzir significativamente o uso de defensivos na produção de tabaco. 


Como o uso de agrotóxicos não recomendados pode afetar a cadeia produtiva? 

Iro Schünke: Além de representar um risco à saúde e ao meio ambiente, o uso de agrotóxicos não recomendados prejudica também o mercado brasileiro de tabaco. O Brasil lidera o ranking mundial de exportação há 30 anos e isso se deve muito à qualidade, mas também à integridade física (materiais estranhos) e química (resíduos) do produto. Exportamos anualmente para mais de 100 países e isso requer a observância de critérios nacionais e internacionais. Por esse motivo, as empresas também investem na rastreabilidade do produto e na assistência técnica, além de integrar programas que oficializam esses cuidados, como é o caso da PI Tabaco, conduzida pelo Ministério da Agricultura. 

Fotos: Banco de Imagens SindiTabac

14 setembro 2022

Canguçu lidera produção de fumo na safra 2021/2022

 

🤠Foi divulgado a lista dos 25 maiores produtores de tabaco do Sul do país desta última safra!
✅Qual posição está seu município??
⚠️Lembrando que temos diversos municípios que produzem tabaco, porém a lista divulgada contém as primeiras 25 posições!
📲Informações Lojas Afubra. (via https://www.facebook.com/photo/?fbid=638225237683219&set=a.594161058756304)

14 abril 2022

Instituto Crescer Legal apresenta terceira turma de jovens aprendizes em Canguçu

O Programa de Aprendizagem Profissional para adolescentes é focado em Gestão Rural e Empreendedorismo  


  O Instituto Crescer Legal, primeira instituição brasileira a oferecer uma formação sobre empreendedorismo e gestão para jovens do meio rural por meio da Lei de Aprendizagem, apresentou nesta quarta-feira (13), a terceira turma de jovens aprendizes em Canguçu. Em 2022, dezoito aprendizes participam do curso no contraturno escolar no município. 

As atividades são viabilizadas por meio da parceria com o município, por intermédio da Secretaria Municipal da Educação. O evento de apresentação dos jovens na cidade contou com a participação de diversas autoridades, representantes de entidades e associados do Instituto.  

“O apoio da prefeitura é importante, estamos há três anos com o Programa de Aprendizagem Rural na cidade, e foi em Canguçu que iniciamos o Programa de Boas Práticas, de empreendedorismo para a educação. O Instituto Crescer Legal oferece uma nova visão de vida para os jovens do meio rural e valores como a disciplina e conhecimento que fazem a transformação”, destaca o presidente do Instituto Crescer Legal, Iro Schünke.  

O Instituto estimula o protagonismo juvenil, possibilitando uma atuação consciente e cidadã, para que cada adolescente possa ser agente do seu próprio futuro. Além disso, a instituição inova ao proporcionar um curso de gestão, por meio da Lei da Aprendizagem, permitindo ao jovem renda própria. 

“Estamos no terceiro ano dessa parceria com o Instituto Crescer Legal em Canguçu, esse projeto fortalece o vínculo dos jovens com o município. O programa leva oportunidades para que os adolescentes estejam preparados para os desafios que estão sendo apresentados em nossa frente, além de contribuir com o avanço da agricultura que é dos fortes pilares da região. Os valores apresentados pela turma mostram a importância do trabalho em conjunto, união e respeito”, afirma Marcus Vinicius Müller Pegoraro, prefeito de Canguçu. 

As atividades de 2022 do Programa de Aprendizagem Profissional Rural do Instituto Crescer Legal já iniciaram, mas entre abril e maio os jovens aprendizes participantes terão encontros com a diretoria do Instituto e com os parceiros que tornam possível as atividades. O momento está sendo promovido nos sete municípios gaúchos que sediam o curso de gestão rural e empreendedorismo.  

Com a validação do Ministério do Trabalho, o Programa de Aprendizagem Profissional Rural já beneficiou, desde 2016, 596 jovens rurais do Rio Grande do Sul, na região Sul do Brasil, e é considerado pioneiro por proporcionar uma forma inovadora de aplicação da Lei de Aprendizagem em favor dos jovens do campo.   

COMO FUNCIONA? – Os participantes são contratados como jovens aprendizes pelas associadas do Instituto Crescer Legal, recebem salário proporcional a 20 horas semanais, mas ao invés de trabalharem nas empresas, participam do curso de gestão e empreendedorismo no contraturno escolar com atividades teóricas e práticas concomitantes conduzidas pelo Instituto Crescer Legal em suas comunidades – normalmente nas escolas em que estudam ou em sedes cedidas pelas prefeituras parceiras que também auxiliam com a alimentação e logística de transporte diário para viabilizar o atendimento dos adolescentes.  

RECONHECIMENTO – Iniciativa do Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco) e suas empresas associadas no Brasil, o Instituto Crescer Legal tomou forma em 2015 e já conta com dois reconhecimentos nacionais pela inovação e pioneirismo em oferecer oportunidades para os jovens rurais. Em dezembro de 2020, foi homenageado na 17ª edição do Prêmio Innovare, na Categoria Justiça e Cidadania, pelo método inovador da aprendizagem profissional rural como alternativa no combate ao trabalho infantil. E em novembro de 2021, o Instituto conquistou o primeiro lugar no Prêmio Brasil Amigo da Criança, na categoria Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente, promovido pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos em reconhecimento às melhores práticas na promoção e fortalecimento dos direitos de crianças e adolescentes.  

Crédito:  Junio Nunes  

MSL Andreoli

15 março 2022

Mais um passo rumo a classificação do tabaco no galpão

 Foi aprovado hoje, terça-feira (15), na Comissão de Constituição de Justiça da Assembleia Legislativa o Projeto de Lei 204/15 que prevê que a classificação do fumo seja feita nas propriedades rurais. Atualmente, a classificação é realizada nas empresas. 

Foram 7 votos a 4 pela aprovação do relatório da deputada Juliana Brizola (PDT), ao Projeto de Lei de  autoria do deputado estadual Zé Nunes (PT), que prevê que a classificação do fumo seja feita nas propriedades dos agricultores, para a comercialização.

A Fetag-RS defende que a classificação aconteça sempre nas propriedades, pois ao ser realizada na sede da indústria, na grande maioria dos casos o produtor acaba sendo prejudicado, pois ele não consegue acompanhar o processo de análise da forma como deveria em virtude muitas vezes da distância.

Com a classificação sendo realizada na propriedade, o que já aconteceu em outras safras em situações pontuais, o produtor consegue participar ativamente da classificação e obter melhores preços pela sua produção. Nos últimos anos, a cultura vem sendo fortemente afetada pela alta nos custos de produção e pela desvalorização que sofre por parte das indústrias, que não reconhecem o esforço das famílias que se dedicam a atividade.

Para o presidente da Fetag-RS, Carlos Joel da Silva, “a aprovação na comissão é mais um passo dado na busca por uma classificação justa pelo tabaco, que valorize o produto e o(a) agricultor(a). Seguiremos acompanhando e cobrando para o projeto seja aprovado logo no plenário da Assembleia Legislativa”.

02 abril 2021

Audiência pública debateu negociação de preço do tabaco

 Audiência pública reforça necessidade de retomada de levantamento de custo conjunto e negociação de preço com SindiTabaco


Com presença de representações de agricultores e indústrias, a Comissão de Agricultura, Pecuária, Pesca e Cooperativismo da Assembleia Legislativa realizou, nesta quinta-feira (1), audiência pública virtual para discutir a comercialização de tabaco na safra 2020/2021, que atingiu 30% no final de março com preços frustrantes para as mais de 70 mil famílias na atividade. O presidente da Afubra, Benício Werner, reafirmou que não houve negociação de preço e que os valores pagos ao produtor foram impostos pelas empresas. Os participantes criticaram ainda a falta de diálogo com as federações para a composição do custo e manifestaram descontentamento com a classificação do produto.


Proposição conjunta dos deputados Elton Weber e Zé Nunes, a audiência reforçou a necessidade urgente de retomada do levantamento de custo conjunto e da negociação de preço com o SindiTabaco. Desde o ciclo 2007/2008, a negociação deixou de ser setorial e passou a ocorrer diretamente com cada indústria. Segundo pesquisa da Afubra, na variedade Virgínia, o preço médio praticado nesta safra é de R$ 10,18. Já o custo de produção por quilo é de R$ 10,09, ou seja, 0,89% de lucratividade. A entidade salienta, contudo, que o custo de produção é o apurado pelos representantes dos fumicultores. 
Entre os encaminhamentos: solicitar às empresas a planilha de custos da safra, propor que a Emater possa, também, fazer cálculo de custo de produção, envolver a Câmara Setorial do Tabaco no debate e realizar levantamento jurídico para o cumprimento da legislação.

 

Vice-coordenador da Frente Parlamentar em Defesa dos Produtores de Tabaco da Assembleia Legislativa, Weber insistiu na retomada do sistema em vigor até a safra 2006/2007 no Rio Grande do Sul e criticou a ausência do sindicato das indústrias no debate. "Quando um segmento que participa de um setor não quer discutir, não é um bom sinal. Estou falando aqui do SindiTabaco. Quero fazer um apelo: precisamos voltar a ter um custo de produção conjunto, voltar ao sistema de negociação de preços. Não podemos deixar que tudo que foi construído no passado se perca. Nosso tema de casa é ampliar o diálogo e a negociação, como se fazia, e melhorar nosso relacionamento. Se não, corremos o risco de nos fragilizar".


 

Zé Nunes lamentou que, mais uma vez, algumas empresas tenham se negado a participar do debate, e acredita que a Assembleia deva viabilizar este diálogo de alguma forma. “Temos um trabalho organizado na Frente Parlamentar em Defesa dos Produtores de Tabaco, acompanhamos o processo e os desafios da comercialização da safra. Temos discutido com todos os envolvidos, buscando uma alternativa, já que os produtores estão sendo bastante prejudicados. Tivemos um aumento no custo de produção, e uma comercialização com preços aquém do esperado. É preciso que a legislação federal 13.288 proteja de fato o produtor”, defendeu.

 

Para ele, causa estranheza que as empresas desconsiderem o aumento dos preços de insumos, energia, combustível. “Precisamos garantir um levantamento conjunto do custo produtivo, porque nessa cadeia, o agricultor está na situação de maior vulnerabilidade, é sem dúvida o elo mais fraco da cadeia”, lamentou.


 

Primeira estimativa aponta recuo de área e produção

A primeira estimativa para a safra de tabaco 2020/2021: 606.952 toneladas nos três Estados do Sul do Brasil, o que significa uma redução de 4% comparado à safra passada, que fechou em 633.021 toneladas. Em termos de área, é prevista redução de 6%, passando de 290.397 hectares para 273.356 hectares nesta safra.

Deputado Federal Marcelo Moraes (PTB-RS) fez uma importante manifestação durante a audiência sintetizando a aflição dos produtores.Ele sugeriu um preço mínimo para que a partir daí as indústrias passem a dar um valor em cada negociação. Também pediu mais atuação da EMATER para que contraponha  a indústria.