Dr. Jacó Zylbersztejn, médico, voluntário da ONG Brasil sem Grades.
Realmente a natalidade está diminuindo no RS. Reduzindo na população com acesso à informação. Entretanto, o que vemos no plantão obstétrico de hospitais públicos é uma triste realidade. Existem mulheres nas quais a gravidez é uma situação de risco e ninguém diz isto para elas. Parece que nos postos de saúde ninguém tem nada a ver com isso. Neste grupo de mulheres encontram-se as portadoras de patologias que complicam em caso de gestação. São as obesas, as hipertensas, as diabéticas, as aidéticas, as portadoras do vírus da hepatite, as portadoras de inúmeras patologias que diminuem a resistência imunológica, as gestantes multíparas que já se submeteram a duas cesarianas e etc.
O que a saúde pública deve fazer com uma mulher obesa mórbida diabética? Tem que identificá-la e orientá-la a não engravidar. Mas isto não acontece e seja o que Deus quiser.
A saúde pública, no que tange à natalidade, deve ser pró-ativa e incluir as adolescentes. Não se precisa de muita tecnologia para identificar as gestantes que não deveriam engravidar. Um exame clínico já seria o bastante para alertar o médico de que a paciente corre sério risco numa gestação.
Estamos copiando o que há de pior nos Estados Unidos, ou seja, obesidade com pobreza. Parece uma incongruência, mas onde menos se espera que se comam produtos industrializados é onde mais acontece. Num país como o Brasil, rico em alimentos vegetais, consomem-se farinha branca, gordura, muito açúcar e refrigerantes. Com uma dieta destas, não há gestante que não aumente exageradamente de peso. Vamos ter que estimular a frequência aos cursos pré-natais, aos exames pré-natais, à educação alimentar e aos exercícios físicos. Quem sabe diminuiremos esta praga que é a gestação de risco em nosso país.

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