O filme brasileiro “Ainda Estou Aqui” venceu neste domingo (2.mar.2025) o 1º Oscar da história do Brasil, ao levar a estatueta na categoria melhor filme internacional. O longa dirigido por Walter Salles superou “A Garota da Agulha”, “Emilia Pérez”, “The Seed of the Sacred Fig” e “Flow”.
“Ainda estou aqui” superou os concorrentes contando a história de luta da advogada e militante pelos Direitos Humanos e Indígenas Eunice Paiva, papel de Fernanda Torres. Baseado no romance homônimo de Marcelo Rubens Paiva, filho de Eunice, o filme transforma a família Paiva em metáfora de um projeto de país brutalmente interrompido pela ditadura militar (1964-1985).
Em janeiro de 1971, o ex-deputado federal Rubens Paiva, marido de Eunice, foi preso por agentes do Centro de Informações da Aeronáutica (Cisa), levado para o quartel da Força Aérea Brasileira, no Rio de Janeiro, e, depois, para os porões do DOI-CODI, onde foi torturado e morto.
Dias depois, Eunice também foi presa junto da filha Eliana, de 15 anos, e levada para o mesmo local onde os militares mantinham Rubens Paiva. Ela foi liberada 12 dias depois e nunca mais teve notícias do marido, a não ser um posicionamento cínico e mentiroso do Exército defendendo a tese de que Rubens Paiva fora sequestrado por guerrilheiros quando era transportado para outro presídio. Eunice dá, então, início a uma jornada para fazer o Estado Brasileiro reconhecer a morte de Rubens Paiva, o que ocorreu somente em 1996.
Salles conta a saga dessa matriarca sem recorrer a demonstrações explícitas de violência. Trata-se do filme de uma família feito em família (Torres divide o papel de Eunice com a mãe, Fernanda Montenegro) e para as famílias. Não à toa, levou tantos brasileiros para o cinema.
“Ainda estou aqui” estreou em 7 de novembro do ano passado e já atraiu mais de 5 milhões de espectadores. É a produção nacional que chegou ao maior número de cidades do Brasil nos últimos sete anos, sendo exibido em 420 das 439 cidades com salas de cinema do país.

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