Muitas entidades de classe, associações, escolas, empresas declaram e até se orgulham ao afirmar: “Aqui não se fala em política e nem em religião...” Sem querer entrar no mérito histórico, de um olhar filosófico ou sociológico onde isso tem origem, quero trazer à tona a seguinte reflexão: não estará aí a raiz dos nossos problemas? Do caos que vem se instalando? Cada dia um novo golpe, um golpe mais baixo. Cada dia surge algo ainda mais inescrupuloso.
O povo não fala em política, não se interessa pelo tema, não estuda, não se aprofunda e fica alienado e também indiferente com injustiças. Estudos de marketing político apontam que 70% da população rechaça o tema política. Isso é causa ou consequência? Quem nasceu antes: o ovo ou a galinha? A meu ver estamos vivendo a consequência. A manipulação desenfreada dos políticos é permitida pela omissão que veio sendo desenvolvida há anos. A única reação possível é a autoconsciência. Cada um precisa se dar conta que sua vida é completamente envolvida pela política.
Um povo que não fala em religião, não estará falando pouco em Deus? Todas as religiões, não importam quais sejam, pregam a palavra de Deus, o amor ao próximo, a caridade, a humildade, a verdade. Pessoas com Deus no coração não cometem o que estamos vendo todos os dias em crimes de toda ordem. E não pensemos apenas nos crimes hediondos, como os assassinatos de crianças. Pensemos em quem falsifica, superfatura, sustenta o tráfico de drogas, o comércio de peças roubadas, a contaminação dos alimentos, etc. Há muita distração e omissão na execução dos diversos papeis exercidos na sociedade: o meu papel, o teu papel, o papel do vizinho. Impera o individualismo, o materialismo e a conformismo. O mundo que estamos vivendo carece de compromisso, carece de Deus nos corações. Enfim, a reflexão propõe um olhar moral, de princípios básicos. Devemos começar a falar mais de religião e política, sim.
* Paula Ioris é representante do Núcleo da Serra Gaúcha da Brasil Sem Grades (BSG).
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