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01 março 2014

Substituição gradativa do cultivo de fumo preocupa produtores

Os produtores de tabaco se reuniram novamente com representantes do governo federal em Brasília para pedir que a produção no país não seja prejudicada. A defesa do governo brasileiro é pela substituição gradativa do cultivo, o que preocupa os produtores.

No encontro, realizado na última quarta-feira (26) em Brasília, a Associação dos Municípios de Produtores de Tabaco (Amprotabaco) e entidades ligadas ao setor pediram que o governo federal assuma o compromisso de não apoiar medidas restritivas à produção na 6o Conferência das Partes (COP-6) da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (CQCT), que está marcada para outubro na Rússia.

A importância socioeconômica para os municípios produtores e o fato de o país ser grande exportador da cultura são os motivos defendidos pelo setor produtivo, representado nesta situação pelo presidente da Amprotabaco, Telmo Kirst, o presidente da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), Benício Werner, e o presidente do Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco), Iro Schünke.

O Brasil é o segundo maior produtor de tabaco do mundo e o maior exportador há 21 anos. A atividade é exercida por 160 mil produtores rurais, sendo 90%, com propriedades de até 20 hectares, concentrada nos estados do RS, SC e PR.

A produção gera divisas anuais da ordem de US$ 3,700 bilhões. Conseguir um cultivo que substitua a rentabilidade do tabaco é uma tarefa difícil de ser alcançada. "Para produzir a mesma renda de um hectare de tabaco, você precisa plantar sete a oito hectares de milho", enfatiza o presidente Schünke. O também prefeito de Santa Cruz do Sul, quer a garantia de que não terá qualquer medida que restrinja a produção, a área plantada ou a oferta de crédito.

“Todos os prefeitos se preocupam em diversificar a produção, mas queremos primeiro garantir o que já temos e o que tabaco nos proporciona. É preciso tomar medidas mais sensatas e justas com o tabaco”, diz o presidente da Amprotabaco.

Exportações de tabaco
De acordo com a Secretaria de Comércio Exterior, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Secex/Mdic), em 2013 foram embarcadas 627 mil toneladas do produto que geraram divisas de US$ 3,27 bilhões. Com este resultado, o país bateu o recorde embarcado em 2012 e confirmou a manutenção da liderança no ranking mundial de exportação de tabaco em folha. Depois do Brasil, Índia, Estados Unidos e Zimbábue aparecem na lista dos maiores exportadores do produto.

Experiência positiva
Em outubro de 2013 uma comitiva formada por 18 países da Convenção-Quadro da Organização Mundial da Saúde (OMS) para o Controle do Tabaco tiveram a chance de conhecer um exemplo de diversificação em São Lourenço do Sul.

A Cooperativa Mista dos Pequenos Agricultores da Região Sul Ltda (Coopar) recebe diariamente 100 mil litros de leite, de 510 famílias da região, 80% delas trabalha com a produção de tabaco. O presidente da cooperativa, Zilmar de Almeida, é ex-fumicultor e garante que os produtores que estão diversificando a produção estão satisfeitos. Eles recebem em média R$ 0,90 por litro de leite.

A maior parte da produção de fumo ocorre nos três estados do Sul - Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná - mais de 96%. Os 4% restantes são produzidos no Nordeste do país, nos estados da Bahia e Alagoas. Estima-se que a produção de fumo seja fonte de renda de cerca de 186 mil famílias nesses estados. O desafio da cadeia produtiva é evitar posições que prejudiquem a produção de fumo no Brasil.

Na sexta-feira (28) o setor produtivo tentará se reunir com a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Rosa Weber. Ela é relatora do processo que julgará as resoluções da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que proíbem a mistura de aromatizantes, cravos e mentol aos cigarros.

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