Essa não é exatamente uma pergunta, mas um tema que há muito tempo vejo as pessoas conversarem. A grande maioria tem a opinião de “ao invés de se construir presídios devemos construir escolas” ou “onde se constroem escolas fecham-se presídios...”. Mais recentemente com o expressivo aumento da violência, e o que vem sendo veiculado pela mídia, já existe um público que reconhece a necessidade de presídios.
Em nosso Estado, não foram construídos os presídios e nem as escolas, ao contrário, ambos os sistemas estão em maus lençóis. Em relação a vagas prisionais, o estado admite que faltem quatro mil vagas. A situação das escolas públicas não é diferente. Há anos faltam vagas nas creches, no ensino fundamental, e a evasão escolar está cada vez maior, sem falar no aspecto estrutural das escolas e da falta de professores.
Nosso Estado precisa de Escolas & Presídios.
De um lado o aspecto preventivo, a educação e a formação de cidadãos e de outro a repressão. Não tem como nesse momento acreditarmos apenas na prevenção. Precisamos urgentemente estancar a criminalidade.
Investir na prevenção, inicia pelas creches e escolas de ensino fundamental no bairro onde residem, que possibilitam as mães trabalharem e terem onde deixar seus filhos. A criminalidade está sendo gerada pelos já identificados infratores que não estão sendo punidos, ou recolhidos do convívio com a sociedade. É urgente a necessidade de aumentar o número de vagas prisionais. Nos dois casos não faltam recursos falta atitude, falta gestão. O RS devolveu pra os cofres da união R$ 18,8 milhões de verba que estava destinada a construção de presídios.
Ao invés de construir os presídios, temos leis que permitem que os detentos permaneçam em regimes aberto e semiaberto. Sem a devida monitorização, esses criminosos estão livres para planejar “ações invejáveis” de ataque a população.
Além de tratarmos de dois temas que estão na UTI, Educação e Segurança, a proposta é de uma reflexão em como funcionamos no estado em termos de pensamento e discurso. Sempre na dualidade: Ximango ou Maragato, Grêmio ou Inter... A dualidade não constrói. Cada Governo é um novo governo, parte do zero, e os problemas permanecem. Enquanto ficamos na discussão de Escolas ou Presídios, foram construídos estádios de futebol.
Precisamos parar de achar tudo normal, isso não é normal. Está errado.
* Paula Ioris é a representante da Brasil Sem Grades no Núcleo da Serra Gaúcha.
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