Ernesto Oderich S.º
Os protestos que, nas últimas semanas, abalaram o Brasil vieram acompanhados
de atos de violência que, segundo um jovem líder do movimento, é justificada
pelas injustiças sofridas pela população pobre durante anos! Outros, mais
velhos, alegam sua inevitabilidade lembrando os exemplos das Revoluções
Americana, Francesa e Russa.
Aos jovens lembro que a
violência não consegue nem derrotar, nem vingar a pobreza! E aos mais velhos,
que os casos citados foram verdadeiras revoluções que implicaram troca da
origem do poder, passando-o de um grupo de privilegiados para todo um povo,
convertendo cada indivíduo de súdito a cidadão! Acho incorreto comparar golpes
e revoltas com revoluções, e talvez nem estas requeiram violência! Martin
Luther King, liderando uma revolta, e Gandhi e Nelson Mandela à frente de
revoluções, optaram pela forma pacífica!
A frase, repetida por
muitos jovens, é atribuída a Trotsky: “Nada muda sem violência”.
Vinda de um ícone admirado,
achei importante examiná-la. Infelizmente não consegui descobrir nem quando nem
em que contexto a teria proferido, o que não significa que não a teria dito!
Mas encontrei um grande número de outras citações pertinentes que passo a
apresentar, ainda que fora de contexto:
· Uma bela e perigosa por
envolver subjetividades: “Os fins
justificam os meios desde que exista algo que justifique os fins!”;
· Outra muito importante: “O crescimento histórico da humanidade tomado como um
todo pode ser resumido como uma sucessão de vitórias da consciência sobre a
força bruta – na natureza, na sociedade, e no próprio homem.”.
O melhor que consegui sobre
a frase em pauta – o que talvez seja prova a de que realmente foi dita -,
encontrei em análise das “Reflexões sobre a Violência” de Georges
Sorel (1908). Esta defende que Trotsky tinha em mente a “violência intelectual”, de
natureza inteiramente diversa da brutalidade e dos atos de selvageria, por
entender ser assim que os Capitalistas percebiam o Comunismo e o Socialismo:
“antes de tudo, uma violência
intelectual”!
Concluindo, violência é
opção. Dispensável!
Encerrando, mais duas
citações:
· Heráclito de Éfeso (
535 a . C. –
475 a . C.): “A violência deliberada deve ser mais combatida que um
incêndio!”;
· James Joyce (1882
– 1941): "Questões que se resolvem
com violência nunca ficam resolvidas”.
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