Engenheiro e Conselheiro da ONG Brasil Sem Grades, Ernesto Oderich S.º
Ética é o que faz a pessoa proceder corretamente mesmo quando não é vigiada. É o que a leva a não tirar uma vantagem indevida mesmo que possa sair impune. É parte de seus valores pessoais, “éticos”, construídos ao longo da vida. Para incorporá-la ao espírito do brasileiro, acho que será necessário bem mais que simplesmente acabar com a impunidade!
Só somos éticos por crermos que existem valores maiores que as vantagens imediatas que poderíamos ter. Mas precisamos, também, acreditar na punição de quem transgredir as regras!
As religiões conseguem que muitos dos fiéis ajam eticamente. A motivação vem da certeza da existência de vida eterna após a morte, a qual será boa ou má conforme o comportamento ao longo da vida terrena.
É também necessário ter fé na existência de um Deus que nos considera a todos como iguais, e que julgará nosso comportamento. E Deus é Onisciente, Onipresente, Implacável e Incorruptível, e nos julgará a todos dentro dos preceitos da religião que abraçamos!
A “ética civil” exige três coisas: todos iguais perante a Lei, uma visão clara dos benefícios que teremos, e a certeza de que a falta de ética será punida.
Nosso povo tem pouca instrução, é submisso e humilde, desconhece a igualdade civil, e acha que o Governo é o “Pai de todos”, e não apenas o gestor do Estado. Acha que os políticos são os “donos” do Estado e que, como tal, não devem satisfações a ninguém.
Não foi o povo que declarou a República, ato que deveria ter sido o marco inicial da igualdade republicana da liberdade de opinar e protestar dentro da lei, de sentir orgulho e alegria por poder servir à nação independente de origem social, credo, cor e gênero! Do orgulho de demonstrar “espírito público”, que é a capacidade de decidir em favor do público, mesmo que contra seus interesses pessoais.
A infraestrutura política, social e econômica que assegura saúde, educação, segurança e condições para a atividade econômica, dependem da existência dessa liberdade pessoal e política, dessa valorização do serviço público, desse espírito público e, também, de assegurar a igualdade social e a punição dos infratores. Ou seja, é um caminho complexo que faz indispensável a participação do cidadão, e onde acabar com a impunidade é, apenas, um bom começo! Onde nem isso existe, não há razão para ser ético!
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