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Vida Plena

Gordices da KÁ

18 abril 2012

Denúncia leva a trabalho escravo em Canguçu

Seis homens atuavam em corte de lenha e vivam em condições degradantes.
Até o final do mês de março, seis homens, moradores do 5° distrito de Canguçu eram vítimas de trabalho escravo como cortadores de lenha em uma propriedade de 150 hectares. A denúncia chegou ao Ministério Público do Trabalho (MPT) que ao se associar, ao Ministério do Trabalho e Emprego, confirmou o caso. Os trabalhadores foram libertados e já receberam o valor total de aproximadamente R$ 30 mil, equivalente a todos os direitos trabalhistas que tiveram ignorados ao longo dos meses que cumpriram jornadas diárias de cerca de 10 horas.
As condições eram degradantes. Os operários não tinham acesso à água potável, dormiam em camas improvisadas em um galpão desativado, alimentavam-se pelo chão e recebiam bem abaixo do salário mínimo regional, de R$ 700,00.  Os rendimentos de R$ 200,00, por quinzena, eram reduzidos à metade devido aos gastos no mercado onde adquiriam a comida que os ajudaria a enfrentar a labuta, das 07h30min às 12h00min e das 13h30min até o anoitecer. E a comida era simples: arroz, feijão com caldo ralo e farinha para engrossar. “Era o que dava. Era tudo muito caro no armazém”, conta João Vilson da Silva, 57.
E juntos, lado a lado, os moradores do assentamento Arroio das Pedras desde 2001, confirmam: ao desbravar outros matos já enfrentaram situação ainda mais caótica. Nessa propriedade, ao menos, o alojamento significava um teto de alvenaria. “O normal é ficarmos acomodados embaixo de lonas pretas no meio do campo, sem água ou luz”,  conta Marcos Vinícius de Bairros, 22, que chegou aos dez anos em Canguçu, quando a família foi contemplada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e deixou o acampamento em Rodeio Bonito, no norte do estado.
O rato morto encontrado na cacimba de onde tiravam água, portanto, não choca. Pelo contrário. Vira até motivo de riso enquanto relembram a longa jornada com o machado em mãos, para então sobrar em torno de R$ 200,00 ao final do mês, descontados os custos de alimentação.
FUTUROS E INCERTEZAS
Os próximos três meses serão de renda certa. Os seis trabalhadores receberão o seguro-desemprego. Depois, volta o assombro da falta de alternativas. O jovem Jonatan Volmir da Silva, 19, explica com naturalidade o fato de ter permanecido quase oito meses nas terras, sem carteira assinada nem um prato de comida garantido por dia. “Quando não se tem trabalho, ninguém pensa se dá. Quando surge algo a gente pega”, resume e festeja a oportunidade de completar a mobília da casa que divide com a mulher e a filha. “Por enquanto ainda não sabemos como vai ser depois que  como vai ser depois que acabar o seguro".
Trabalho escreavo é crime previsto pelo artigo 349 do Código Penal. Denuncie pelos telefones (53) 3227-5214 ou (53) 3229-1131
Fonte: Diário Popular

Um comentário:

Anônimo disse...

PARABENS!!!É de ficar estarrecido que em pleno século 21 ainda se tem situações como esta.
As pessoas sendo esploradas e o sr. feudal oprimindo os menos favorecidos ou aqueles que pelas necessidades se submetem a tais situações. As pessoas que submetem trabalhadores a tais condições, tem sim que ser encuadradas no C.P art. 149, caput, pena. reclusão, de 2 a 8 anos, e multa, mais a pena correspondente à violência.