NOVANET

Vida Plena

Gordices da KÁ

02 maio 2010

O SABER NÃO OCUPA ESPAÇO

Por diversas vezes ouvimos de nossos pais, principalmente nas famílias mais humildes, a frase: “estuda meu filho, talvez seja a única coisa que o pai e mãe vão poder de te deixar”. São inúmeros os sacrifícios que os pais se submetem para concretizarem o sonho dos filhos, vê-los formados numa faculdade com um diploma na mão, torna-se quase uma obsessão.

Vislumbram no saber uma melhor qualidade de vida para os filhos, a certeza que poderão constituir suas famílias com menos necessidades e padrão econômico condizente com a realidade.

Se analisarmos os dados estatísticos do Tribunal Regional Eleitoral, constaremos em nosso município uma triste realidade dos: quarenta e três mil quatrocentos e trinta e cinco eleitores, possuímos três mil cento e sessenta e quatro analfabetos, se adicionarmos a este número as pessoas que se declaram alfabetizadas pelo fato de saberem assinar o nome, teremos um acréscimo significativo.

Somos o sexto município no Estado em número de analfabetos, no entanto todos os outros cinco municípios que possuem maior número, têm no mínimo o triplo do número de eleitores nossos. O que nos concede um título nada gratificante.

Estes dados nos fazem refletir e com certeza são motivadores para que os pais, que por diversas razões: falta de acesso a escola, condições econômicas, necessidade de trabalhar para sua subsistência, dentre outros, valorizem sobremaneira o acesso ao saber de seus filhos.

É indiscutível que a informação e o saber, principalmente num mundo globalizado, é fator imprescindível para ser humano em todos os seus aspectos. O desenvolvimento da informática, conecta em tempo real o mundo dos negócios, dos jogos, da comunicação, informação e lazer. Os jovens já nascem “plugados” em seus computadores, notbook, msn, orkut, twitter e sei lá mais o que. No entanto mesmo com este grande número de informações disponíveis, não raras vezes, presenciamos uma verdadeira alienação, quanto ao conhecimento histórico, cultural e social dos mais jovens.

Alijam sua juventude em frente a uma tela. Quando crianças com a da televisão e logo a seguir com a do computador. O convívio entre amigos torna-se limitado ou restrito as mensagens através de computadores e celulares, sem a possibilidade de uma troca de experiências mais afetivas, que permitiriam construir uma personalidade mais sólida para enfrentar as agruras e dificuldades futuras.

De igual forma precisamos incentivar e motivar aqueles que por diversas circunstâncias da vida, tiveram frustradas ou barradas suas possibilidades de acesso a educação na idade apropriada. Estes detêm o conhecimento de vida forjado na luta diária, no entanto de forma acelerada, estão sendo esquecidos ou colocados de lado pela globalização ou informatização dos setores produtivos.

Países milenares como China e o Japão, preservam o respeito pelo conhecimento e saber dos idosos, buscando neles fonte de inspiração para o seu cotidiano. Vivemos num mundo em constante evolução, onde a frase que mais ouvimos é: “tempo é dinheiro”, esquecendo que nem mesmo os detentores das maiores fortunas são capazes de alterar o seu ciclo de vida, podemos isto sim melhorar sua qualidade, mas não de forma individualista e egoísta, mas promovermos uma verdadeira globalização integrada aos preceitos de uma sociedade mais justa e fraterna, respeitando os direitos e liberdades.

Precisamos encontrar soluções que harmonizem os tempos modernos de informação, com os hábitos e culturas do passado, de forma que possamos unificar o “saber”.


Texto publicado no jornal "Portal do Sul" do dia 29 de Abril.
Autor: Nilso Pinz

2 comentários:

Josi disse...

Muito bom o texto, é importante para refletirmos um pouco sobre a realidade cultural da nossa cidade.

Irene disse...

Belo texto.Parabéns Nilso