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27 março 2019

Medicina da UFPEL e da UCPEL realizam trote solidário

A cidade de Pelotas recebe, nesta sexta-feira (29) e no sábado (30), as atividades da primeira etapa do Trote Solidário 2019, uma iniciativa do Simers, por meio do seu Núcleo Acadêmico. A campanha envolverá cerca estudantes de Medicina da UCPel e da UFPel. As ações incluem doação de sangue pelos alunos e arrecadação de alimentos não-perecíveis e materiais de limpeza em diversos supermercados. (Confira abaixo a programação)

O Trote Solidário busca engajar a comunidade em uma ação solidária convocada pelos futuros médicos. O objetivo é combater a violência nos ritos de recepção aos novos universitários. Neste ano, o Trote Solidário irá envolver 19 faculdades de Medicina do Estado. Além de Pelotas, as atividades ocorrerão em Novo Hamburgo, São Leopoldo, Lajeado, Caxias do Sul, Passo Fundo, Porto Alegre, Canoas, Santa Maria, Rio Grande, Santa Cruz do Sul, Erechim e Uruguaiana.


Na edição de 2018, houve um crescimento de 30% nas doações de sangue: foram 947, que beneficiaram aproximadamente 4 mil pessoas (cada bolsa pode ajudar até quatro pessoas). Na arrecadação de alimentos não-perecíveis, foram 56,8 toneladas, um crescimento de 60%. Os donativos foram encaminhados ao Banco de Alimentos e beneficiaram mais de 113 mil pessoas. Na primeira etapa do ano passado, foram 70 doações de sangue e arrecadados quase 4.700 quilos de alimentos em Pelotas.

O Diretor de Projetos Especiais do Simers, Vinícius Souza, ressalta que o Trote Solidário busca dar uma alternativa à violência, ao assédio e à humilhação dos trotes "sujos” que marcam negativamente um dos momentos mais importantes da vida do estudante. “O Trote Solidário é um atestado de que empatia, solidariedade e pensar no próximo são sentimentos e ações inerentes ao comportamento humano e contagiosas, que devem sempre ser estimuladas e valorizadas, sendo capazes de provocar mudanças imensas na sociedade”, afirma.

A campanha – Desde 2008, o Trote Solidário é uma parceria com as universidades, bancos de sangue e Banco de Alimentos do Rio Grande do Sul. O projeto venceu, em 2013, o prêmio TOP Ser Humano no Estado, promovido pela Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-RS). No ano seguinte, arrematou o TOP Ser Humano Nacional, da ABRH Brasil. Durante todas as edições do Trote Solidário foram alimentadas mais de 432 mil pessoas com arrecadação de alimentos e mais de 18 mil vidas receberam doações de sangue.

Confira a programação de Pelotas:
Universidade participante: UFPel e UCPel
Datas: 29 de março (bancos de sangue) e 30 de março (coleta de alimentos)

COLETA DE SANGUE
·        Santa Casa - Praça Piratinino Almeida, 53 – Centro. Telefone: (53) 3284-4703. Horário: de segunda à sexta, das 8h às 16h
·        Hemopel - Av. Bento Gonçalves, 4.569 – Centro. Telefone: (53) 3222-3002. Horário: de segunda à sexta, das 8h às 18h

COLETA DE ALIMENTOS
·        BIG Areal - Av. Presidente Juscelino Kubitscheck de Oliveira, 2.300
·        Nacional – Rua Lobo da Costa, 1.251
·        Nacional – Calçadão General Osório, 656
·        Nacional – Rua Gonçalvez Chaves, 2.810
·        Nacional – Rua Barão Azevedo Machado, 600
·        Peruzzo – Rua Adolfo Fetter, 1.380 (estrada do Laranjal)
·        Guanabara – Rua Dom Pedro II, 1.155

12 setembro 2018

Trote Solidário do Simers mobiliza calouros de Medicina de Pelotas dias 14 e 15

 A cidade de Pelotas recebe nesta sexta-feira (14) e no sábado (15) as atividades da segunda etapa do Trote Solidário 2018, iniciativa do Simers – Sindicato Médico do Rio Grande do Sul, por meio do seu Núcleo Acadêmico. A campanha envolverá estudantes de medicina da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). As ações incluem doação de sangue pelos alunos e arrecadação de alimentos não-perecíveis em diversos supermercados. (Confira abaixo a programação)

Sobre o Trote Solidário

Promovido pelo Simers desde 2008, o Trote Solidário é uma parceria com as universidades, bancos de sangue e Banco de Alimentos do Rio Grande do Sul. O objetivo é extinguir a violência e substituir o “trote sujo” por duas ações solidárias: a doação de sangue e a arrecadação de alimentos não-perecíveis e materiais de limpeza em supermercados.

Além da Capital, o Trote Solidário acontece também na Região Metropolitana e no interior do Estado, reunindo estudantes de Medicina de faculdades situadas em Canoas, Novo Hamburgo, Lajeado, Passo Fundo, Caxias do Sul, Santa Maria, Uruguaiana e Pelotas. 

Na edição de 2017, o Simers contabilizou 730 doações de sangue que beneficiaram aproximadamente 3 mil pessoas (cada bolsa pode ajudar até quatro pessoas). Além disso, foram arrecadadas mais de 35 toneladas de alimentos não-perecíveis, que foram encaminhadas para o Banco de Alimentos.

Campanha premiada

O Trote Solidário conquistou o prêmio TOP Ser Humano no Estado, promovido pela Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-RS).  O projeto social também arrematou o TOP Ser Humano Nacional, da ABRH Brasil.

Confira a programação de Pelotas:
Universidades participantes: UFPel
Datas: 14 e 15 de setembro de 2018 - Sexta (bancos de sangue) e sábado (arrecadação de alimentos)

COLETA DE SANGUE
•          Santa Casa - Praça Piratinino Almeida, 53 – Centro
•          Hemopel - Av. Bento Gonçalves, 4.569 – Centro

ARRECADAÇÃO DE ALIMENTOS
•          BIG Areal - Av. Presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira, 2.300
•          Nacional – Rua Lobo da Costa, 1.251
•          Nacional – (Calçadão) Rua General Osório, 656
•          Nacional – Rua Gonçalves Chaves, 2.810 - Centro
•          Nacional – Rua Barão Azevedo Machado, 600 - Centro
•          Guanabara – Rua Dom Pedro II, 1.155

20 fevereiro 2011

Trote, uma prática medieval que desafia as universidades

Instituições tentam implementar programas de "boas-vindas aos calouros", mas ainda falham em coibir agressões e humilhações


Calouro da USP de 1996 tenta "matar formiga no grito": ritual de passagem não pode descambar para violência e humilhação (Rogério Assis/Folhapress)
As primeiras universidades surgiram na Europa em plena Idade Média. Foram um sopro de liberdade. Permitiram progressivamente ao homem atuar segundo a razão, em vez de apenas obedecer a dogmas. Paradoxalmente, ao mesmo tempo em que nasciam os centros de estudo, surgia uma instituição muito mais tributária da ideia que hoje fazemos da "Idade das Trevas": o trote. Os primeiros registros da prática datam do início do século XIV. Calouros da região correspondente à moderna Alemanha eram obrigados a andar nus e ingerir fezes de animais mediante a promessa de que poderiam se vingar nos novatos do ano seguinte. "Os alunos veteranos descontavam nos mais novos a repressão promovida em sala de aula por professores rigorosos", afirma Antônio Zuin, professor do Departamento de Educação da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e autor do livro O Trote na Universidade: Passagens de um Rito de Iniciação.

Linha do tempo: os trotes violentos no Brasil, de 1831 a 2011


O trote é uma demonstração de que, a despeito de avanços inegáveis, o mundo não mudou tanto assim em quase 800 anos. Mantém no século XXI um tanto de século XIV. Prova disso é que o trote se mantém no calendário como uma atividade acadêmica regular: encerrada a fase de vestibulares, se inicia a de divulgação de listas de candidatos aprovados e explode a agressão e a humilhação dos novatos. Neste ano, por exemplo, uma tropa de veteranos da Universidade de Brasília (UnB) exibiu sua porção medieval ao obrigar calouras a simular sexo oral com uma linguiça envolta numa camisinha e embebida em leite condensado. Americanos e franceses, entre outros, também tem motivos para lamentar. Lá, como aqui, o trote persiste, preocupa e escapa do controle.

No centro do problema, estão as próprias universidades. A maioria das instituições proíbe o trote dentro de suas dependências – algumas já o fazem há cerca de 40 anos. Contudo, em geral, a fiscalização não é rigorosa, e as atividades envolvendo veteranos e calouros muitas vezes acontecem do lado de fora dos muros acadêmicos. "A universidade ainda não vê como sua tarefa coibir o trote", diz Antonio Ribeiro de Almeida Júnior, professor de sociologia da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP) e autor do livro Universidade, Preconceito e Trote. "A proibição por si só não funciona. É preciso punir aqueles que desrespeitam a norma. O problema é que normalmente as universidades se restringem a abrir inquéritos, mas ninguém é punido", afirma.

Mostrar aos algozes a face dura da lei foi a escolha da França. Desde 1998, está em vigor no país uma lei que criminaliza o trote violento. Os condenados podem pegar um ano de prisão e pagar multa de até 15.000 euros. Desde que o mecanismo entrou em vigor, os veteranos passaram a se comportar melhor, apontam estudos locais. As práticas humilhantes e violentas foram substituídas por uma jornada de integração dos novos alunos à instituição. Estudante de psicologia da École des Psychologues Praticiens, de Paris, Maria Elisa Serra passou pela experiência. "Foram promovidas festas, gincanas e atividades dentro da universidade. Foram dois dias divertidos e saudáveis", diz a brasileira. Alguma semelhança com a tradicional baderna por que passaram seus colegas no Brasil? "Nenhuma", ela responde.

Tiago Queiroz/AE

Calouros do Mackenzie obrigados a ingerir pinga, em 2008
Trote camarada – Algumas instituições brasileiras têm se esforçado para melhorar as estatísticas sobre trotes – que são escassas, diga-se, pois o medo dos novatos inibe reclamações e o problema só costuma vir à tona quando ocorrem mortes ou ferimentos graves. Há dois anos a UnB criou, em parceria com os diretórios de estudantes, um "programa de boas-vindas aos calouros" nos moldes franceses. Alguns resultados são animadores. No curso de agronomia, a parcela de vítimas de trotes caiu de 75% para 50%. Contudo, o episódio da linguiça encapada por camisinha, ocorrido na mesma unidade da universidade, segue como alerta de que ainda há muito o que fazer. A Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) tenta iniciativas semelhantes para afastar o trote violento. "Conversamos com os diretórios acadêmicos para coibir esse tipo de ação. Em paralelo, desenvolvemos atividades em parceria com os alunos veteranos para receber os novos estudantes. Nos últimos quatro anos, não registramos nenhuma ocorrência relacionada aos calouros", afirma Luiz Leduino de Salles Neto, pró-reitor de assuntos estudantis da Unifesp.

Os legisladores brasileiros ainda discutem o que fazer para enfrentar o problema que, por aqui, já tem quase dois séculos – o trote chegou ao país trazido por brasileiros que haviam estudado na Europa no século XIX. Um projeto de lei que pretende disciplinar o assunto foi aprovado na Câmara em 2009 e, desde então, repousa no Senado. Pretende proibir o constrangimento dos calouros, a exposição deles a situações vexatórias e ofensas graves, além de garantir a integridade física dos novatos. O texto determina que as universidades abram processos disciplinares contra os veteranos violentos, mas não prevê sanções a instituições que se furtarem a cumprir suas responsabilidades. Aos alunos que se excederem, seriam aplicadas multas – de 1.000 a 20.000 reais –, suspensão de um a seis meses e até expulsão. Desde 1999, alguns estados mantêm leis locais que tratam do tema, caso de São Paulo e Santa Catarina. No entanto, passada mais de uma década, não há registros de condenações motivadas por esses freios legais.

Os Estados Unidos também tentam minorar o problema pela via legal – e têm falhado igualmente. Em 44 estados, o trote já é considerado crime. Contudo, 29 estudantes morreram vítimas de trotes violentos na última década, cinco deles só em 2008, segundo levantamento de Hank Nuwer, professor do Franklin College e estudioso do assunto. "As leis e os programas das universidades que tentam promover atividades alternativas ainda são ineficientes. É difícil combater uma prática que, até a metade do século passado, era amplamente incentivada pelas próprias instituições de ensino", diz Nuwer.

Entre os americanos, em geral, violência e humilhação não são impostos cobrados às portas da instituição. Lá, os maiores problemas são registrados durante a seleção promovida por veteranos para escolher os novatos que serão aceitos pelas fraternidades (somente de homens) e irmandades (de mulheres). Ambos são grupos fechados que alegam selecionar os melhores e, posteriormente, beneficiá-los de alguma forma, como oferecendo conexões sociais privilegiadas ou acesso a oportunidades de emprego. A possibilidade de se tornar um líder no meio universitário – e fora dele – anima os jovens a encarar provas arriscadas para fazer parte dos grupos. "O maior problema ali é relativo ao abuso de bebida alcoólica, além de brincadeiras aparentemente inocentes, como levar um candidato a uma área rural ou a um bairro extremamente perigoso em plena madrugada e deixá-lo ali sozinho, à própria sorte", conta o especialista americano.

Como ocorria há quase 800 anos, o ingresso de um calouro na universidade pode de fato configurar um ponto de inflexão na vida desse jovem. É quando uma porta se abre à sua frente. Fazem sentido, por isso, festas e cerimônias. "O momento pede um ritual que marque a transição. O calouro precisa ser iniciado no meio acadêmico e os veteranos precisam cumprir esse papel", afirma o professor Antônio Zuin, da UFSCar. Está claro, contudo, que, em pleno século XXI, esse ritual não pode reproduzir a face obscura do século XIV.

VEJA.COM
Entre a Violência e a Humilhação

02 março 2010

UCPel sugere trote solidário

Os diretores dos cursos de Publicidade e Propaganda e Jornalismo da Universidade Católica de Pelotas (UCPel) enviaram email aos alunos pedindo que os "bixos" que começam sua vida acadêmica neste semestre sejam recebidos com uma maneira de acolhê-los e também promover uma ação social, ao invés de brincadeiras humilhantes e sem propósito.
"A história tem nos mostrado que os "trotes", de maneira geral, sãodesastrosos e não trazem qualquer significado para a vida acadêmica.Sugerimos as manifestações solidárias ou de integração acadêmica, que não causem qualquer constrangimento aos calouros", diz Carlos Recuero, coordenador do Jornalismo.
"Por exemplo um trote solidário, como de angariar alimentos para uma instituição filantrópica da cidade.Vale lembrar que aqui em Pelotas, no semestre passado, foram angariados 2 toneladas de alimentos não perecíveis pelo alunos da Medicina da UFPel e doados à uma instituição"., revela Michael Kerr da Publicidade.

E você o que acha dos "trotes"?