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28 março 2014

Zero Hora destaca polo de erva-mate em Canguçu


Árvores nativas de Ilex paraguariensis quase escondidas em matas fechadas de áreas
rurais da zona sul do Estado devem ser, em cerca de três anos, um reforço na esperança dos gaúchos de ver o preço da erva-mate baixar ou ao menos interromper a alta nos últimos anos. Formalizado neste mês, em Canguçu, o sexto polo ervateiro gaúcho vai reunir cerca de 200 agricultores, que receberão apoio da Secretaria Estadual da Agricultura e do Instituto Brasileiro da Erva-Mate (Ibramate) para estimular e qualificar a produção.

Presidente da Câmara Setorial da Erva-Mate, Carlos Santos explica que a iniciativa tem como foco atender às necessidades do mercado local e oferecer uma alternativa para reforçar a renda dos produtores.

— Alguns tinham matrizes na propriedade e nem sabiam. Eram plantas adormecidas, que poderiam há muito estar sendo utilizadas comercialmente — conta o coordenador do novo polo, Sérgio Pasa.

O projeto também é um resgate da memória que estava se perdendo. Entre as décadas de 1930 e 1940, a região estava entre as principais produtoras de erva-mate do Estado.

— Quando cidades mais ao norte do Estado intensificaram a produção de erva com sabor suave, os produtores do Sul, que cultivavam um tipo mais forte e amargo, acabaram perdendo espaço — conta o secretário-executivo do Fundo de Desenvolvimento de Inovação da Cadeia Produtiva da Erva-Mate (Fundomate), Valdir Zonin.

Essa história faz parte, por exemplo, das vivências de Eldomiro Schaellin, 40 anos, que exibe na propriedade, em Canguçu, um centenário pé de Ilex paraguariensis. A família vai retomar a atividade para fortalecer a renda obtida com fumo e soja:

— Queremos aproveitar o bom momento da erva-mate no mercado. Temos esperança de que o polo dê certo e tenha continuidade na região.

Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Canguçu, Pedro Schiavon, a iniciativa deve contribuir, graças ao aumento da renda obtida nas propriedades, para a permanência dos jovens na zona rural:

— Com mais recursos, filhos de produtores não precisarão abandonar o campo para ter recursos compatíveis com o que precisam para viver.

Como a produção será estimulada
— Os agricultores poderão obter financiamento via Pronaf Investimentos, para pagamento em até 15 anos e juros entre 1% e 2% ao ano para que pequenas propriedades implantem novas mudas de erva-mate.

— Eles receberão apoio técnico para planejar ações de manejo, processamento e distribuição do produto no mercado. A atual fase é de capacitação por meio de cursos e
produção de mudas e manejo.

— O polo envolve as cidades de Amaral Ferrador, Arroio do Padre, Camaquã, Canguçu, Cristal, Dom Feliciano, Herval, Morro Redondo, Pedras Altas, Pelotas, Pinheiro Machado, Piratini, Santana da Boa Vista e São Lourenço do Sul.

Informações de Luísa Martins
Foto: Augusto Pinz/Canguçu em Foco

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10 agosto 2012

Morrem os gêmeos prematuros que estavam internados em Bagé


Bebês haviam sido transferidos de Canguçu para receber atendimento em UTI neonatal

A Santa Casa de Caridade de Bagé confirmou a morte dos dois gêmeos que foram levados de Canguçu a Bagé para receber atendimento em uma UTI neonatal. A entidade não divulgou o horários das mortes. Os irmãos nasceram prematuros, com 600 gramas cada, na noite de segunda-feira (6) e foram atendidos em uma estrutura de emergência improvisada no Hospital de Caridade de Canguçu, no sul do Estado.

O improviso foi fruto de uma espera de mais de 10 dias, quando a mãe dos bebês deu entrada no hospital e teve início uma peregrinação por leito em instituições de saúde do Estado equipadas com UTI neonatal. Por volta das 8h de terça-feira, a Central de Regulação de Leitos do Estado informou que os recém-nascidos poderiam ser encaminhados para o hospital de Bagé. Começou, então, mais uma peregrinação, pois não havia UTI móvel e equipada com médicos especialistas para fazer o transporte.

Somente por volta das 13h30min uma ambulância deixou Santana do Livramento, na Fronteira Oeste, para fazer o resgate em Canguçu – uma viagem de mais de 400 quilômetros com previsão de chegada para o final da tarde. Até Bagé, foram mais três horas de viagem.

A doméstica do município de Piratini, Andrizi Quevedo, 25 anos, chegou em Canguçu em trabalho de parto. Os médicos conseguiram segurar a gestação até a 26ª semana, na noite passada ou os bebês nasciam ou os três, mãe e meninos, corriam o risco de perder a vida. A estrutura de emergência foi montada pelo médico responsável pela pediatria do hospital de Canguçu, Benhur Batista, em seguida do nascimento dos bebês.
ZERO HORA

06 julho 2012

AL-RS divulga salário de servidores


O jornal Zero Hora de sexta-feira (06) destaca nas páginas 04 e 05 reportagem especial sobre a libração, por parte da Assembléia Legislativa, do salário dos servidores lotados nos gabinetes dos deputados estaduais os chamados cargos em comissão (CC). As informações foram divulgadas com base na lei de acesso a informação. As informações aparecem incompletas já que os benefícios adicionais aos salários não aparecem. Também não aparecem os cargos nomeados nas bancadas dos partidos.
O deputado Canguçuense Pedro Pereira (PSDB) é um dos que aparecem na listagem com os seguintes assessores:

Andrei Rodrigues Luçardo - R$ 2.001,18
Daniel Oscar Ludwig - R$ 2.001,18
Evandro Carlos Rebelato - R$ 2.001,18
Luiz Fernandes de Avila Rodrigues - R$ 2.001,18
Maria Lourdes Lesnik - R$ 2.001,18
Manuel Otávio Binato da Rosa Filho - R$ 3.028,48
Sheila Mendes Nobre - R$ 3.542,99
Vicente Cezar da Silva Amaral - R$ 3.542,99
Edison Mauro Trindade dos Santos - R$ 5.662,18
Leandro Martins Dutra - R$ 5.662,18
Roberta Maduelli Menezes - R$ 5.662,18
Manoel Carlos da Silva Caldeira - R$ 6.291,29
Eber Luiz Torres Hoffmann - R$ 11.656,74
Moises da Silva Barboza - R$ 11.656,74

Veja os nomeados no gabinete dos demais deputados federais clicando no link abaixo:

11 março 2012

Zero Hora destaca fechamento de UTI neonatal

Morte de bebês e falta de médicos levaram ao fechamento da UTI neonatal de Canguçu
Canguçu, município com 53 mil habitantes na Metade Sul do Estado, está em choque. A UTI Neonatal do Hospital de Caridade do município — um sonho acalentado há anos pela comunidade — foi fechada após apenas três meses de funcionamento pela Secretaria Estadual de Saúde (SES).

As razões: falta de médicos suficientes para manter a unidade criada para ser referência regional e uma mortalidade de bebês bem acima do usual. Nos 90 dias de funcionamento, morreram no local 12 bebês dos 45 atendidos. Conforme a Secretaria Estadual de Saúde (SES), a proporção na casa de saúde de Canguçu foi de 80 óbitos para cada mil nascimentos no hospital, no primeiro mês de vida. A média nas UTIs neonatais gaúchas, segundo a secretaria, é de 13 mortes para cada mil nascimentos. Ou seja, em Canguçu teriam morrido mais de seis vezes o número de crianças que o costumeiro em outras unidades do gênero no Estado.

— Faltava pessoal. Além disso, estava com uma taxa de mortalidade bem acima do usual, mesmo com pouco tempo de funcionamento. Nesses casos, tem de parar e ver o que ocorreu — afirma o secretário estadual de Saúde, Ciro Simoni.

Conforme as primeiras conclusões da apuração feita pelo governo do Estado, não houve epidemia na UTI. Os bebês morreram de causas diferentes, e a suspeita das autoridades estaduais é que as mortes tenham ocorrido por um fator muito humano: pressa. Na ânsia de abrir a unidade intensiva, faltaram especialistas habilitados. A unidade de Canguçu começou a funcionar com apenas dois médicos e, depois de algum tempo, contava com quatro — quando o número exigido pela Anvisa seria oito médicos para cuidar de 10 pacientes (a capacidade da unidade). Ciro Simoni relata que, para obter a autorização para o funcionamento da unidade, o hospital mostrou contratos firmados com uma empresa que empregaria os médicos na instituição:

— Parece que o contrato não vingou, mas só ficamos sabendo depois, quando começaram a acontecer as mortes. Aí decidimos intervir.

O chefe da Divisão de Assistência Hospitalar e Ambulatorial da SES, Marcos Lobato, foi a Canguçu ver a situação de perto. Apesar de não estarem prontos os relatórios da vigilância sanitária e da auditoria médica realizada na UTI, Lobato adianta algumas falhas constatadas.

— Por vários momentos a UTI não tinha nenhum médico. Apuramos também que, por vezes, o mesmo médico permanecia por 72 horas ininterruptas de plantão, o que é humanamente impossível.

Lobato reconhece que a boa vontade do hospital pode ter contriuído para a alta mortalidade: por ser nova, a UTI recebeu crianças em estado muito grave, com altíssimo risco de morte. O superintendente do Hospital de Caridade de Canguçu, Fernando Gomes, confirma que a UTI não recusava pacientes, mesmo aqueles condenados, como bebês com morte cerebral — o que contribuiu para elevar a estatística da mortalidade. Ele reconhece que faltaram médicos. Muitos dos cogitados desistiram ante à demora em abrir a unidade e também por considerar o salário baixo.

Gomes diz que pagava R$ 1,5 mil por 24 horas de plantão médico e pretende oferecer R$ 2,5 mil quando a UTI reabrir. Esse dinheiro atrairá especialistas, mas tornará a UTI deficitária, já que o SUS tem pago apenas R$ 485 por paciente.

— Nós erramos, tentando fazer o bem da comunidade. Hoje não abriria com apenas dois médicos — desabafa Gomes.

A comoção causada em Canguçu gerou uma sessão especial da Câmara de Vereadores, promovida pelo vereador Ubiratan Rodrigues (PP), e um inquérito aberto pelo Ministério Público Estadual para investigar as mortes. Quem conduz o procedimento éa promotora Camile Balzano de Mattos, que ontem recebeu o levantamento fotógrafico da UTI. Estão sob análise as condições médico-sanitárias, higiene, espaço físico, material e equipamentos utilizados, tecnologia para diagnóstico e tratamento, além da performance da equipe de assistência médica e enfermagem e sua qualificação.

Apesar das investigações, o secretário Ciro Simoni não tem dúvidas de que a unidade Neonatal será reaberta:

— Temos o maior interesse que volte a funcionar. Vamos reabrir assim que tiver pessoal.

Entenda o caso

— A UTI neonatal do Hospital de Caridade de Canguçu ganhou destaque com o drama da funcionária pública de Santa Vitória do Palmar Elisiane San Martin, de 34 anos, que precisou esperar por dois dias e fazer uma viagem de mais de 500 quilômetros para dar à luz aos filhos gêmeos, em outubro do ano passado.

— Com o episódio, a deficiência de leitos no Estado veio à tona e despertou para um entrave burocrático de quase nove meses. A UTI neonatal de Canguçu tinha a disponibilidade de 10 leitos e estava pronta para atendimento desde fevereiro de 2011, mas não funcionava porque aguardava a liberação do governo e o credenciamento para o atendimento via SUS. A liberação foi publicada no Diário Oficial da União ainda no mês de outubro, pouco tempo depois da divulgação na mídia do caso Elisiane. A inauguração ocorreu no dia 13 de novembro, após aporte de R$ 150 mil por parte da Secretaria Estadual de Saúde.

— Em 28 de fevereiro, a Secretaria Estadual de Saúde fechou a UTI, após constatar a morte de bebês em índice bem superior à média estadual.

13 fevereiro 2012

Canguçu aparece com alto consumo de crack no RS

O jornal "Zero Hora" desta segunda-feira (13) apresenta uma reportagem sobre a versão gaúcha do plano anticrack deve ter foco na reinserção social. Um dos gráficos mostra os municípios com alto consumo de crack e entre eles está Canguçu. Confira a matéria:

"Começa a ser alinhavado nesta segunda-feira, com o desembarque de 40 técnicos do governo federal em Porto Alegre, um novo projeto destinado a combater o consumo de crack no Rio Grande do Sul. Durante dois dias, a equipe de especialistas de diferentes ministérios vai se reunir com colegas de secretarias estaduais e de órgãos da Capital para elaborar um plano antidroga.

O foco do programa deverá ser, mais do que a repressão a cracolândias, o encaminhamento de usuários para atendimento de saúde e projetos de reinserção social. A versão gaúcha do programa nacional de enfrentamento ao crack, realizado por meio de parceria entre a União e os Estados, deve procurar se desvincular da imagem repressiva deixada pelas operações de combate à cracolândia realizadas pela Polícia Militar em São Paulo desde o começo do ano.

Os técnicos gaúchos fizeram um levantamento de pontos de venda e uso de droga, principalmente na Capital, mas a avaliação é de que no Rio Grande do Sul o consumo é muito mais pulverizado do que em relação à capital paulista, por exemplo. A listagem é mantida sob sigilo até a deflagração das ações, mas inclui pontos de Porto Alegre como Parque da Redenção, Viaduto da Conceição, entorno da esquina das vias Ipiranga e João Pessoa e áreas dos bairros Rubem Berta e Lomba do Pinheiro e na Ilha da Pintada.

A intenção principal, conforme o diretor do Departamento de Políticas Públicas sobre Drogas do Estado, Solimar Amaro, é utilizar essas referências para chegar aos usuários e encaminhá-los a serviços de saúde e programas de reinserção social.

— Nossa preocupação não é reproduzir como foi feito em São Paulo, onde a questão foi mais de repressão. Aqui, não queremos apenas acabar com pontos de consumo, mas oferecer condições de recuperação, projetos que possam ajudar usuários a se reinserirem, por meio de ações como programas educativos e de profissionalização — revela Amaro.

Isso deve incluir reforços em ações como atendimentos realizados pelos chamados consultórios de rua, encaminhamentos para serviços de saúde e, em um segundo momento, cursos de capacitação para o mercado profissional. Os detalhes e os recursos necessários para tocar essas ações somente deverão ser definidos após os encontros de hoje e amanhã. No orçamento da União, porém, foram previstos R$ 42 milhões para o Estado em 2012 a fim de combater o crack.

Os 40 técnicos de ministérios como Justiça, Desenvolvimento Social e Saúde chegam hoje à tarde e devem visitar um Centro de Atendimento Psicossocial (CAPs) para Álcool e Drogas e um centro de população em situação de rua do município. No final da tarde, rumam para o Novotel, no bairro Três Figueiras, onde deverão se reunir com colegas da Capital e do Estado até amanhã – quando também é esperada a presença da ministra de Desenvolvimento Social, Tereza Campello.

O Rio Grande do Sul está no grupo de oito Estados que receberam alta prioridade do governo federal para receber auxílio na luta contra a pedra. Embora Porto Alegre deva receber preferência nas ações devido à sua dimensão, a Secretaria da Justiça e dos Direitos Humanos garante que o plano a ser definido em parceria com a União deverá ter abrangência estadual. Depois de definidos os detalhes do plano, a adesão do Estado ao programa nacional deverá ser formalizada em março, com a presença de vários ministros e do governador Tarso Genro.



24 agosto 2011

Caiu do Céu

Na coluna "Informa Especial", do jornal Zero Hora, desta quarta-feira (24), o jornalista Tulio Milman aborda um tema que se tornou comum em Canguçu: A Falta do andamento de obras por conta da chuva. Veja:

"Caiu do Céu
É água, mas serve como uma luva. A chuva é a desculpa perfeita para todos os atrasos de obras públicas e privadas no Rio Grande do Sul."

01 dezembro 2010

Brasileiro vive em média 73 anos, indica IBGE

Em relação a 1980, a esperança de vida ao nascer aumentou 10,60 anos

A esperança de vida ao nascer no Brasil alcançou 73,17 anos em 2009, com aumento de 0,31 anos (3 meses e 22 dias) em relação a 2008, segundo a pesquisa de Tábuas de Mortalidade divulgada nesta manhã pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em relação a 1980, a esperança de vida ao nascer aumentou 10,60 anos (10 anos, 7 meses e seis dias). Ao longo de 29 anos, esse indicador teve um crescimento médio anual de 4 meses e 12 dias, segundo destacam os técnicos do instituto no documento de divulgação da pesquisa. A estimativa é que a esperança de vida ao nascer deva chegar a 81,29 anos em 2050.

Mortalidade infantil

Já a mortalidade infantil caiu de 69,12 para 22,47 óbitos por mil nascidos vivos, entre 1980 e 2009. Os técnicos ressaltam que o patamar ainda é elevado. Segundo informam no documento, a taxa de mortalidade infantil brasileira somente é inferior a de países como Paraguai, Bolívia e Haiti, mas ainda permanece atrás de Chile, Cuba, Uruguai, Argentina, México, Venezuela, Colômbia e El Salvador.

— A taxa de mortalidade infantil brasileira já alcançou um patamar incontestavelmente inferior ao de países como Costa do Marfim e Serra Leoa, mas ainda precisa trilhar um longo caminho para atingir, no médio prazo, níveis mínimos de mortalidade infantil, como os observados em Portugal, França, Noruega, Finlândia, Japão, Cingapura e Islândia — comentam os técnicos.

Além disso, eles destacam também que, comparando-se a esperança de vida ao nascer do Brasil em 2009 com o mesmo indicador de alguns países selecionados pela Divisão de População das Nações Unidas, nota-se que a esperança de vida do Brasil para o sexo feminino (77 anos), se distancia do indicador associado ao conjunto da população do Japão (82,7 anos) em 7,70 anos. Para o sexo masculino (69,4 anos), a diferença é quase o dobro: 13,30 anos.

Fonte: Zero Hora

17 agosto 2010

PF prende 3 pessoas em Canguçu

Polícia Federal prende cinco em operação no sul do Estado
Fonte: Zero Hora

A Polícia Federal deflagrou na manhã de hoje no sul do Estado a Operação Arcos. Foram cumpridos cinco mandados de prisão e 10 de busca e apreensão, expedidos pela Justiça Federal, nas cidades de Jaguarão, Arroio Grande, Pelotas e Canguçu.

Entre os presos estão um sargento do Exército e sua esposa, suspeitos de comandar um esquema de venda de armas trazidas do Uruguai. Moradores de Jaguarão, na fronteira com Rio Branco, eles comprariam no país vizinho revólveres, espingardas, pistolas e munições variadas, revendidas no Estado.

A PF não divulgou o nome dos cinco detidos, três deles de Canguçu, que tiveram a prisão decretada por cinco dias. Eles ficarão nos presídios de Jaguarão e Canguçu. Também foram apreendidas armas e munições, que não foram contabilizadas.

- O trabalho era sob encomenda, a suspeita é de que a quadrilha recebia os pedidos e repassava as armas para seus contatos em outras cidades. Ainda apuramos o envolvimento com venda irregular de veículos, mas precisamos de maiores indícios - afirma o delegado Osvaldo Torres, que coordenou a operação deflagrada por volta das 6h.

Após quatro meses de investigações foram mobilizados 16 viaturas e 46 agentes de Jaguarão, Pelotas, Rio Grande, Santa Maria, Porto Alegre e Santana do Livramento. A Operação Arcos nasceu após os indícios da presença do sargento na Operação Fronteira II, realizada em novembro, no sul do Estado, contra o tráfico de drogas.

09 fevereiro 2010

Jerônimo Goergen sofre acidente na BR-386

Deputado estadual e motorista que dirigia o veículo não se feriram

Uma colisão na madrugada causou um susto no deputado estadual Jerônimo Goergen, do PP. Ele trafegava na carona, em um veículo Citroen, quando o motorista perdeu o controle do veículo e colidiu com o cordão do canteiro central do km 434 da BR-386, em Nova Santa Rita. Segundo informações do plantão da Polícia Rodoviária Federal de Montenegro, o deputado e o motorista não se feriram, e foram liberados no próprio local. Não houve interrupção no trânsito.


ZEROHORA.COM

30 janeiro 2010

ZH mostra desabafo de Policial Militar Gaúcho

Oficial da BM indigna-se diante dos índices de criminalidade


Marcelo Gonzatto marcelo.gonzatto@zerohora.com.br

Morador de Porto Alegre, Sérgio Lemos Simões, 48 anos, sente-se inseguro e exige ação das autoridades para derrubar os índices de criminalidade. Seria um anseio idêntico ao de qualquer outro cidadão, não fosse ele um dos mais importantes oficiais da Brigada Militar.

O tenente-coronel, comandante do 11° Batalhão de Polícia Militar, chefia cerca de 300 PMs que atuam na Zona Norte – região onde vivem cerca de 600 mil pessoas. Diante da ingrata rotina de prender bandidos que acabam soltos em poucos dias ou em questão de horas, Simões faz um desabafo comum a civis cuja proteção fica sob sua responsabilidade: “Ninguém aguenta mais isso”.

Ele se refere a casos como o da traficante Luciana Lopes, 26 anos, presa pela quinta vez em menos de um ano. Nas outras oportunidades, por decisão judicial, acabou solta e voltou a abastecer o mercado de drogas. Há três décadas na BM, o tenente-coronel cobra mudanças de postura de deputados e do Judiciário. Confira trechos da entrevista concedida ontem a ZH:

Zero Hora – ZH mostrou ontem o caso de uma traficante presa cinco vezes em menos de um ano. As polícias prendem sempre os mesmos criminosos?

Tenente-coronel Sérgio Lemos Simões – Não mudou nada. Anteontem (terça-feira), prendemos aqueles dois vagabundos que fizeram o sequestro relâmpago do filho de um coronel. Os dois caras com uma baita ficha criminal. E a ficha criminal é uma parte mínima, é quando ele (o bandido) foi preso. Nós chamamos de cifra negra tudo o que ele fez e ninguém viu, e ele não foi preso. No mínimo, é 10 vezes mais do que a ficha verdadeira dele. Todas aquelas maldades que ele fez mas não foi preso.

ZH – Qual a sensação que isso deixa para um policial?

Sérgio – A sensação que fica é de descrédito nas instituições. Quando tu prendes um delinquente de madrugada, e este delinquente é solto na tarde do mesmo dia, isso gera um descrédito, por parte dos policiais, nas instituições. Quando um cara rouba oito vezes no bairro Petrópolis e é solto oito vezes, não tem polícia que aguente uma coisa dessas.

ZH – A que instituições o senhor se refere?

Sérgio – Todo mundo sabe que é o legislador federal que tem a capacidade de mudar as leis. Por que eu cobro dos estaduais? Porque eles podem abrir o caminho para nós. Quem é o nosso elo com o deputado federal, não é o deputado estadual? Não é a pessoa que tem conhecimento, contato, que pode nos ajudar, ajudar a sociedade? Eles podem fazer isso para nós. Nós temos recursos para construir presídios em Brasília, mas onde está o empenho para liberar essas verbas? Onde está o empenho para modificar o Código Penal, o Processo Penal, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), para regredir a maioridade penal? Onde está o empenho? A construção da segurança pública é feita a três mãos.

ZH – Quais?

Sérgio – O Executivo, que é o primo pobre, o Legislativo e o Judiciário. Essa construção da segurança pública tem de ser feita a três mãos.

ZH – Sem essas mudanças na lei que o senhor defende, qual é na prática o papel da polícia hoje?

Sérgio – Retrabalho, resserviço, dinheiro que poderia ser investido em equipamentos para a polícia, em escolas. É dinheiro posto fora, porque tu prendes o cara num dia, no mesmo dia ele vai voltar a roubar. Tu tens de tratar de maneira desigual os desiguais. Um cara que é analfabeto, sem qualificação nenhuma, que só sabe roubar, causar dor e sofrimento, tem de ficar preso. Aí tu pegas a nossa legislação penal. Um sexto da pena, tendo bom comportamento, passando nos laudos psicológicos, e o cara está solto. Isso é absurdo. Tem de cumprir no mínimo metade da pena. E, a cada reincidência, ela tem de ser agravada. Outra coisa que tem de ser modificada com urgência é o juiz passar a analisar a reincidência.

ZH – A reincidência não é levada em consideração?

Sérgio – Só depois de transitar em julgado o primeiro fato. Se tu pegas um cara que em 2009 cometeu nove crimes, enquanto ele não for julgado pelo primeiro, ele vai continuar sendo preso e solto, preso e solto. Ninguém aguenta mais isso.

ZH – Isso frustra a tropa de maneira geral?

Sérgio – Mas é claro, se eu que sou tenente-coronel fico frustrado, tu imaginas o meu soldado. É impressionante, cara, é impressionante. Não defendo que o camarada vá apodrecer na cadeia, não é isso. Não sou um reacionário, um retrógrado, um maluco. Eu defendo que o cara fique segregado. Tu preferes alguém causando dor e sofrimento para a tua família ou preso? Um cara que não sabe fazer outra coisa na vida a não ser roubar e causar sofrimento. Quer que ele fique na rua assaltando a tua mãe, teu pai, teus irmãos? É isso?

ZH – Ninguém quer isso...

Sérgio – Eu admiro o humanismo do Judiciário, o humanismo dos Direitos Humanos, admiro tudo isso, mas a minha obrigação é defender a sociedade. Todo agente público tem por dever defender a sociedade. É pró-sociedade. Nós, o soldado da Brigada Militar, o legislador e o juiz. Entre o delinquente ficar na rua, causando dano, dor e sofrimento, ou ficar preso, ele tem de ficar preso. Por isso eu cobro dos legisladores e cobro dos julgadores. O legislador tem de ser mais ágil, tem de modificar a lei, nos ajudar a modificar a lei. E o julgador tem de nos ajudar a manter esses camaradas presos.

ZH – O senhor entende que apenas o policial é cobrado?

Sérgio – Quem é que tu vês na rua? Tu vês o juiz na rua? Tu vês o legislador na rua? Quem tu vês na rua? É o policial. Então tu cobras de quem tu vês. Por isso, a ideia que eu tinha era de proibir meus policiais de irem a reuniões comunitárias. Porque eu já cansei de dar explicações. Não tem mais o que explicar. Então deixa para o legislador explicar, para o juiz explicar. Ele vai lá e explica o que é o garantismo (filosofia jurídica que prevê a garantia dos direitos do cidadão frente ao Estado), os nossos deputados explicam por que tem milhões para construir presídios em Brasília e esse dinheiro não vem, explicam por que não modificam o ECA e o processo penal.

ZH – O senhor mantém a intenção de proibir os policiais de irem a essas reuniões?

Sérgio – Proibir os oficiais e praças de irem às reuniões comunitárias só iria piorar a situação, porque mais desamparados eles (os cidadãos) ficariam. Essa minha colocação fez nada mais nada menos do que botar o bode na sala. Pô, esse cara criou um problema...

ZH – A situação na área de segurança pública está piorando?

Sérgio – Isso é importante. Por incrível que pareça, os índices de criminalidade têm baixado, mas em níveis insuportáveis. Baixou, mas continua ruim. É o cara que está com 45 graus de febre. Baixou para 40. Não é alarmismo, os índices baixaram, principalmente no mês de janeiro, mas tem de levar em conta que o pessoal está na praia. Na Zero Hora saiu uma reportagem com os índices de aprovação do governo do Estado, e o pior índice é o da segurança pública. É uma série de fatores que tem de trabalhar junto. Se ficar só com a Brigada, só com a Polícia Civil, não tem como. O cara que é preso tem de ficar preso.

ZH – E o argumento de que não há presídios em condições adequadas para receber esses presos?

Sérgio – Não é problema meu, não é problema do cidadão, não é problema do teu pai e da tua mãe que pagam impostos. O cara rouba 10 vezes num ano e 10 vezes é solto, rapaz. E o juiz entende que o crime não foi violento? Mas para aí, temos de esperar o que para ele ir realmente preso? Que mate alguém?

ZH – Hoje, dos criminosos que vocês prendem, só segue preso quem comete crime grave?

Sérgio – Só quando comete algo gravíssimo. E o patrimônio? E o dinheiro que tu ganhas todo mês para comprar um carrinho, uma TV, um rádio, aí um vagabundo leva. Isso não é grave? O cara quebrar o vidro do teu carro, levar o som do teu carro, não é grave? Onde é que nós estamos? Onde nós vamos parar? Agora vou abrir o meu coração. O nosso Poder Legislativo é descompromissado com relação aos temas da segurança pública. Três anos temos dessa legislatura. Me diz os projetos na área da segurança. Tinha um das tornozeleiras eletrônicas. Onde anda isso?

ZH – Parado?

Sérgio – Rodou outro aí sobre os desmanches. Onde anda isso aí? Qual é o empenho em relação à segurança pública? Na minha opinião, é uma Assembleia descompromissada com os assuntos da segurança pública. Em três anos, nossos deputados estiveram mais preocupados com o pufe da Yeda, a casa da Yeda e da filha da Yeda, com CPIs que não levaram a nada. E a segurança pública, e a dor das pessoas na rua?

ZH – Que medidas o senhor entende que poderiam ser tomadas?

Sérgio – O deputado estadual não legisla sobre temas penais, mas poderia fazer pressão em Brasília para nos ajudar a tentar mudar o estado de coisas. Aí entra o deputado federal, principalmente. Tu abres o jornal, e sobre o que os deputados falam? Que vão compor com tal partido. E a segurança pública? Eu, não como tenente-coronel, mas o cidadão Sérgio Lemos Simões, que paga imposto, eu exijo que o Legislativo e o Judiciário me deem segurança. Eu exijo que me deem segurança.

ZH – O senhor não se sente seguro?

Sérgio – Eu não me sinto seguro. Como eu vou me sentir seguro, cara? Tu achas que eu fico tranquilo quando um filho meu sai à noite em Porto Alegre? Pergunta para qualquer um nessa cidade se fica tranquilo quando o filho sai à noite. Nós precisamos de empenho, de compromisso, trazer verbas para construir presídios. Precisamos de pessoas com capacidade e determinação para mudar esse estado de coisas. Se ficar só nas costas do policial, não tem como.

Contrapontos

O que diz Ivar Pavan, presidente da Assembleia Legislativa

Acho estranha essa crítica. Não há legislação tramitando na Assembleia que possa melhorar a vida da segurança, mas a segurança não melhora só por leis. Quem comanda a segurança é a governadora, ela tem o orçamento e define as políticas de segurança que são aplicadas. Por isso, acho que as críticas vieram para o endereço errado. Quanto à possibilidade de intervenção para promover mudanças na legislação penal, esse é um debate que vem de muitos anos. Além disso, o governo federal tem atuado nessa área. Cerca de 20 mil policiais gaúchos recebem bolsa para formação.

O que diz Carlos Marchionatti, presidente da Ajuris

Os juízes devem cumprir a lei e interpretar os casos. Mas há situações em que os juízes mandam prender, e a polícia não prende. Outras vezes, a polícia prende, mas o juiz verifica que a prisão não pode ser mantida. Há milhares de mandados de prisão que as autoridades policiais não conseguem cumprir. Não faço essa menção como crítica, mas para ampliar a análise. A questão dos antecedentes é uma discussão jurídica polêmica, porque a Constituição estabelece que só se considera culpado após transitado em julgado. Mas os juízes levam em consideração os antecedentes criminais e, muitas vezes, determinam prisões baseados nisso. Os juízes também têm formas diferentes de pensar. Acima de tudo, têm de cumprir a lei.

Exemplos de impunidade

Repetidas prisões e crimes cometidos por reincidentes chamam a atenção. Confira alguns casos emblemáticos:

- Traficante reincidente – Na quinta-feira, uma operação do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc) resultou na prisão de Luciana Lopes, 26 anos, em flagrante por tráfico de drogas em Porto Alegre. É sua quinta prisão em menos de um ano. Ela tinha 94 pedras de crack. Pequenos traficantes como Luciana representam 85% das detenções feitas pelo Denarc, e costumam ficar dois meses na cadeia.

- Jovem assassinado – Dia 7 de janeiro, aprovado para um curso superior de Engenharia e prestes a noivar, o estudante Diogo Pinheiro da Cruz, 19 anos (foto), foi morto em Caxias do Sul com dois tiros à queima-roupa. Um dos envolvidos no crime, Rodrigo Hofman Góis, 24 anos, havia sido detido anteriormente por porte ilegal de arma, mas acabou solto. Cruz, o mais velho de quatro irmãos, morreu por R$ 500.

- Ladrão preso nove vezes – Fabrício Almeida de Azevedo, 20 anos, foi pego em outubro carregando objetos de uma academia de ginástica no bairro Petrópolis, em Porto Alegre. Era sua nona prisão em um período de um ano em situações semelhantes. Nas oito vezes anteriores, acabou solto depois de passar poucos dias na prisão.

Fonte: Zero hora
Foto: Diego Vara