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31 dezembro 2022

MORRE O PAPA EMÉRITO BENTO XVI, O PRIMEIRO A RENUNCIAR EM QUASE 600 ANOS

 Por meio do diretor da Sala de Imprensa, Mateo Bruni, a Santa Sé comunicou neste sábado, 31 de janeiro, o falecimento  do Papa Emérito Bento XVI, às 9h30 (horário do Vaticano).

Com pesar informo que o Papa Emérito Bento XVI faleceu hoje às 9,34, no Mosteiro Mater Ecclesiae, no Vaticano. Assim que possível, serão enviadas novas informações”, diz o comunicado.

De acordo com o arcebispo de Belo Horizonte e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Walmor Oliveira de Azevedo, a vida de Bento XVI transmite lições essenciais para a Igreja e o mundo.

“Homem de uma fé inabalável, profunda, que o sustentou em cada etapa de sua notável trajetória neste mundo. Sua mente brilhante, de lucidez destacada, o fez referência intelectual, com muitos artigos e livros publicados, contribuindo para o conhecimento mais aprofundado sobre os mistérios da fé. Líder, acolheu a nomeação para ser bispo e, depois, cardeal”, disse.

Dom Walmor recordou que o Papa Emérito esteve à frente do Dicastério para a Doutrina da Fé, por muitos anos, servindo como guardião zeloso do magistério da Igreja. Um tempo em que sempre esteve ao lado de São João Paulo II. Depois, eleito seu sucessor, venceu limites físicos impostos pela idade com notável vigor espiritual e intelectual, inspirando caminhos novos para a Igreja.

O presidente da CNBB recordou também dos encontros que teve com Bento XVI: “Tive a oportunidade de encontrá-lo em diferentes ocasiões. Nomeado por Bento XVI para auxiliar a Igreja no Dicastério para a Doutrina da Fé, agradeço a Deus pela preciosa oportunidade. Além dos momentos em Roma, estivemos juntos na Conferência de Aparecida, acontecimento marcante da Igreja na América Latina realizado em 2007. Guardo no coração o seu jeito simples, mesmo com tantos dons e virtudes”.

Outro destaque de dom Walmor foi quanto à renúncia do Papa Emérito. “A sua renúncia ao pontificado, que surpreende um mundo onde muitos se apegam a cargos e ao poder, foi uma lição. Recolhido em retiro, discreto, sempre expressou a sua unidade com o pontificado do Papa Francisco. A Igreja e o mundo se despedem de uma mente brilhante, de um servidor notável, líder inscrito na história, que testemunhou até o fim a simplicidade, fiel ao Evangelho. O próprio Bento XVI assim se definia: ‘Um simples operário da vinha do Senhor’. Gratidão a Deus pela vida do Papa Emérito Bento XVI”.


Biografia e trajetória

Eleito o 265º Papa da Igreja Católica, exercendo o ministério petrino entre 2005 e 2013, Joseph Ratzinger nasceu em Marktl am Inn, no território da diocese de Passau (Alemanha), em 16 de abril de 1927. Seu pai era um comissário de polícia e provinha de uma família de agricultores da Baixa Baviera. A mãe era filha de artesãos de Rimsting, no lago de Chiem, e antes de casar tinha trabalhado como cozinheira em vários hotéis. Transcorreu a sua infância e a sua adolescência em Traunstein, uma pequena cidade perto da fronteira com a Áustria. Recebeu neste contexto, que ele mesmo definiu “mozartiano”, a sua formação cristã, humana e cultural.

O tempo da sua juventude não foi fácil. A fé e a educação da sua família preparou-o para a dura experiência dos problemas relacionados com o regime nazista: ele recordou ter visto o seu pároco açoitado pelos nazistas antes da celebração da Santa Missa e de ter conhecido o clima de grande hostilidade em relação à Igreja católica na Alemanha. Quase no final da Segunda Guerra Mundial, também foi alistado nos serviços auxiliares antiaéreos.

Formação sacerdotal

De 1946 a 1951 estudou filosofia e teologia na Escola superior de filosofia e teologia de Frisinga e na Universidade de Munique. Em 29 de Junho de 1951 foi ordenado sacerdote. Um ano mais tarde, Pe. Joseph Ratzinger iniciou a sua atuação como professor na mesma Escola de Frisinga, onde tinha sido estudante.

Em 1953, formou-se em teologia com uma dissertação sobre o tema “Povo e Casa de Deus na Doutrina da Igreja de Santo Agostinho”. Em 1957 fez a livre docência com o conhecido professor de teologia fundamental de Munique, Gottlieb Söhngen, com um trabalho sobre “A teologia da história de São Boaventura”.

Até o início da década de 1970, acumulou experiências como docente. Também foi vice-reitor da Universidade de Ratisbona. A sua intensa atividade científica levou-o a desempenhar importantes cargos no âmbito da Conferência Episcopal Alemã, na Comissão Teológica Internacional.

A série numerosa de publicações continuou abundante e pontual ao longo dos anos, constituindo um ponto de referência para tantas pessoas e sobretudo para quantos estão comprometidos no estudo aprofundado da teologia. De grande valor, central na vida do Pastor Ratzinger, foi a experiência proveitosa da sua participação no Concílio Vaticano II como perito.

Nomeação como bispo

No dia 25 de março de 1977, o Papa Paulo VI nomeou-o arcebispo de Munique e Frisinga, na Alamanha. Recebeu a ordenação episcopal no dia 28 de maio do mesmo ano: foi o primeiro sacerdote diocesano que assumiu, depois de oitenta anos, o governo pastoral da grande diocese da Baviera. Escolheu como mote episcopal “Colaboradores da Verdade”. O mesmo Papa Montini criou-o e publicou-o cardeal, do Título de Santa Maria Consoladora no Tiburtino, no Consistório de 27 de junho de 1977.

Bento XVI foi relator na V Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos (1980) sobre o tema da Família cristã no mundo contemporâneo. Foi presidente delegado da Sexta Assembleia (1983) que teve por tema a reconciliação e a penitência na missão da Igreja.

A 25 de novembro de 1981, João Paulo II nomeou-o prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Foi também presidente da Pontifícia Comissão Bíblica e da Comissão Teológica Internacional. A 15 de fevereiro de 1982 renunciou ao governo pastoral da arquidiocese de Munique e Frisinga.

O cardeal Ratzinger também presidiu a Comissão para a Preparação do Catecismo da Igreja Católica. A 5 de abril de 1993, foi chamado a fazer parte da Ordem dos Bispos e tomou posse do Título da Igreja Suburbicária de Velletri-Segni. No dia 6 de novembro de 1998, foi nomeado Vice-Decano do Colégio Cardinalício e a 30 de novembro de 2002 tornou-se Decano: tomou posse do Título da Igreja Suburbicária de Ostia.

Até à eleição para a Cátedra de Pedro, foi membro do Conselho da II Sessão da Secretaria de Estado; das Congregações para as Igrejas Orientais, do Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, para os Bispos, para a Evangelização, para a Educação Católica; do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos; da Pontifícia Comissão para a América Latina e da Pontifícia Comissão “Ecclesia Dei”.

Fidelidade ao então Papa João Paulo II

No dia 8 de abril de 2005, ele como decano do Colégio Cardinalício presidiu à Santa Missa das exéquias de João Paulo II, na Praça de São Pedro. A sua homilia expressou a grande fidelidade ao Papa e à sua própria missão.

“”Segue-me”, diz o Senhor ressuscitado a Pedro, como sua última palavra a este discípulo, escolhido para apascentar as suas ovelhas. “Segue-me” esta palavra lapidária de Cristo pode ser considerada a chave para compreender a mensagem que vem da vida do nosso amado Papa João Paulo II, cujos despojos mortais depomos hoje na terra como semente de imortalidade o coração cheio de tristeza, mas também de jubilosa esperança e de profunda gratidão”.

Dias depois, em 19 de abril, foi eleito Papa, tendo iniciado o pontificado no dia 24 daquele mês.

Cartas, exortações e encíclicas 

No seu pontificado, Bento publicou, além de quatro exortações apostólicas – “Ecclesia in Medio Oriente”, “Africae múnus”, “Verbum Domini” e “Sacramentum Caritatis” –, além das cartas apostólicas, constituições apostólicas e três encíclicas: “Deus caritas est”, “Spe salvi” e “Caritas in veritate”.

Na primeira, recorda que “‘Deus é amor, e quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele’ (1 Jo 4, 16). Estas palavras da I Carta de João exprimem, com singular clareza, o centro da fé cristã: a imagem cristã de Deus e também a consequente imagem do homem e do seu caminho. Além disso, no mesmo versículo, João oferece-nos, por assim dizer, uma fórmula sintética da existência cristã: ‘Nós conhecemos e cremos no amor que Deus nos tem’ […]. Num mundo em que ao nome de Deus se associa às vezes a vingança ou mesmo o dever do ódio e da violência, esta é uma mensagem de grande atualidade e de significado muito concreto” (n. 1).

Na segunda lembra, a partir de Rm 8,24, que é na esperança que fomos salvos. “A ‘redenção’, a salvação, segundo a fé cristã, não é um simples dado de fato. A redenção é-nos oferecida no sentido que nos foi dada a esperança, uma esperança fidedigna, graças à qual podemos enfrentar o nosso tempo presente: o presente, ainda que custoso, pode ser vivido e aceite, se levar a uma meta e se pudermos estar seguros desta meta, se esta meta for tão grande que justifique a canseira do caminho” (n. 1). Já na terceira e última encíclica do seu pontificado, Bento XVI se volta para a Doutrina Social da Igreja com a Caritas in veritate. Aí o Papa constata, de modo muito oportuno, que “a caridade é amor recebido e dado; é ‘graça’ (cháris). A sua nascente é o amor fontal do Pai pelo Filho no Espírito Santo. É amor que, pelo Filho, desce sobre nós. É amor criador, pelo qual existimos; amor redentor, pelo qual somos recriados. Amor revelado e vivido por Cristo (cf. Jo 13,1), é ‘derramado em nossos corações pelo Espírito Santo’ (Rm 5,5). Destinatários do amor de Deus, os homens são constituídos sujeitos de caridade, chamados a fazerem-se eles mesmos instrumentos da graça, para difundir a caridade de Deus e tecer redes de caridade” (n. 4).

Viagens apostólicas

Segundo informações do professor Fernando Altemeyer Junior, do departamento de Ciência da Religião da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Bento XVI foi o sagrante principal da ordenação de 26 bispos. Como Papa, realizou 29 viagens dentro da Itália e 24 viagens internacionais estando em 23 países, uma delas no Brasil, em 2007. Na ocasião, quando visitou o Brasil, em maio daquele ano, participou da V Conferência do Episcopado Latino Americano e Caribenho, em Aparecida.

18 outubro 2021

CNBB SAI EM DEFESA DO PAPA FRANCISCO, DO ARCEBISPO DE APARECIDA (SP) DOM ORLANDO BRANDES E EPISCOPADO BRASILEIRO

 A  presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou na manhã deste domingo, 17 de outubro, uma Carta Aberta dirigida ao presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP), o deputado estadual, Carlão Pignatari. No documento, a CNBB rejeita “fortemente as abomináveis agressões” proferidas no último dia 14 de outubro, dia de seu aniversário de 69 anos de presença e serviços ao Brasil, pelo deputado estadual Frederico D’Avila, da Tribuna da ALESP. Em vídeo, Dom Walmor Oliveira de Azevedo manifestou sua indignação e prestou apoio ao Papa Francisco e ao arcebispo de Aparecida.

O político, diz a carta, agiu com ódio descontrolado e desferiu ataques ao Santo Padre o Papa Francisco, à própria CNBB e ao arcebispo de Aparecida (SP), dom Orlando Brandes. A CNBB defende que, com esta atitude, o deputado “feriu e comprometeu a missão parlamentar, o que requer imediata e exemplar correção pelas instâncias competentes” e vai buscar uma reparação jurídica a ser corrigida “pelo bem da democracia brasileira”.

Na Carta Aberta, a CNBB afirma se ancorar, profeticamente, sem medo de perseguições, no princípio contido na Gaudium et Spes (“Alegria e Esperança” em latim) sobre o papel da Igreja no mundo contemporâneo, a única constituição pastoral e a 4ª das constituições do Concílio Vaticano II:

“a Igreja reivindica sempre a liberdade a que tem direito, para pronunciar o seu juízo moral acerca das realidades sociais, sempre que os direitos fundamentais da pessoa, o bem comum ou a salvação humana o exigirem (cf. Gaudium et Spes, 76)

A CNBB busca agora, por meio da presidência de seu regional Sul 1, um agenda para entregar pessoalmente o documento ao presidente da ALESP, deputado Carlão  Pignatari. Confira, abaixo, a íntegra do documento em versão word e aqui em versão PDF.

CARTA ABERTA

P – Nº. 0325/21

Exmo. Sr.

Deputado Estadual Carlão Pignatari

Presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo

Cidadãos e cidadãs brasileiros

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, nesta casa legislativa e diante do Povo Brasileiro, rejeita fortemente as abomináveis agressões proferidas pelo deputado estadual Frederico D’Avila, no último dia 14 de outubro, da Tribuna da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Com ódio descontrolado, o parlamentar atacou o Santo Padre o Papa Francisco, a CNBB, e particularmente o Exmo. e Revmo. Sr. Dom Orlando Brandes, arcebispo de Aparecida. Feriu e comprometeu a missão parlamentar, o que requer imediata e exemplar correção pelas instâncias competentes.

Ao longo de toda a sua história de 69 anos, celebrada no dia em que ocorreu este deplorável fato, a CNBB jamais se acovardou diante das mais difíceis situações, sempre cumpriu sua missão merecedora de respeito pela relevância religiosa, moral e social na sociedade brasileira. Também jamais compactuou com atitudes violentas de quem quer que seja. Nunca se deixou intimidar. Agora, diante de um discurso medíocre e odioso, carente de lucidez, modelo de postura política abominável que precisa ser extirpada e judicialmente corrigida pelo bem da democracia brasileira, a CNBB, mais uma vez, levanta sua voz.

A CNBB se ancora, profeticamente, sem medo de perseguições, no seguinte princípio: a Igreja reivindica sempre a liberdade a que tem direito, para pronunciar o seu juízo moral acerca das realidades sociais, sempre que os direitos fundamentais da pessoa, o bem comum ou a salvação humana o exigirem (cf. Gaudium et Spes, 76).

Defensora e comprometida com o Estado Democrático de Direito, a CNBB, respeitosamente, espera dessa egrégia casa legislativa, confiando na sua credibilidade, medidas internas eficazes, legais e regimentais, para que esse ultrajante desrespeito seja reparado em proporção à sua gravidade – sinal de compromisso inarredável com a construção de uma sociedade democrática e civilizada.

A CNBB, prontamente, comprometida com a verdade e o bem do povo de Deus, a quem serve, tratará esse assunto grave nos parâmetros judiciais cabíveis. As ofensas e acusações, proferidas pelo parlamentar – protagonista desse lastimável espetáculo – serão objeto de sua interpelação para que sejam esclarecidas e provadas nas instâncias que salvaguardam a verdade e o bem – de modo exigente nos termos da Lei.

Nesta oportunidade, registramos e reafirmamos o nosso incondicional respeito e o nosso afeto ao Santo Padre, o Papa Francisco, bem como a solidariedade a todos os bispos do Brasil. A CNBB aguarda uma resposta rápida de Vossa Excelência – postura exemplar e inspiradora para todas as casas legislativas, instâncias judiciárias e demais segmentos para que a sociedade brasileira não seja sacrificada e nem prisioneira de mentes medíocres.

Em Cristo Jesus, “Caminho, Verdade e Vida”, fraternalmente,


Brasília-DF, 16 de outubro de 2021

Dom Walmor Oliveira de Azevedo

Arcebispo de Belo Horizonte, MG

Presidente

Dom Jaime Spengler

Arcebispo de Porto Alegre, RS

1º Vice-Presidente

Dom Mário Antônio da Silva

Bispo de Roraima, RR

2º Vice-Presidente

Dom Joel Portella Amado

Bispo auxiliar do Rio de Janeiro, RJ

Secretário-Geral

08 maio 2014

CNBB aprova "Ano da Paz"

Durante a 52ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), foi aprovada, por unanimidade, a realização do Ano da Paz. Durante a reunião do Conselho Episcopal Pastoral (Consep), que reúne a presidência da CNBB e os presidentes das Comissões da entidade, serão definidas atividades e propostas de ações para a vivência deste momento.
 O ano da paz terá início no primeiro domingo do Advento (30 de novembro de 2014) e vai até o Natal de 2015. De acordo com o bispo auxiliar de Brasília (DF) e secretário geral da CNBB, dom Leonardo Steiner, a paz está relacionada com as relações. “A paz é vital para as relações, a paz nasce de ralações novas, de  relações equilibradas", disse.
Para ele, o aumento da violência dá a sensação de relações quebradas. “É preciso ajudar a reconstruir este tecido de elos, de relações”, comentou.
Dom Leonardo explicou que o ano da paz pode contribuir na reflexão sobre os motivos da violência. “Um ano da paz pode nos ajudar muito: refletir sobre o porquê da violência, sobre a necessidade da paz, mas também busca, junto à população, junto às nossas comunidades, momentos onde eles possam expressar que desejam viver em harmonia e em fraternidade”, sinalizou.

17 fevereiro 2011

Nota da CNBB sobre ética e programas de TV

Têm chegado à CNBB diversos pedidos de uma manifestação a respeito do baixo nível moral que se verifica em alguns programas das emissoras de televisão, particularmente naqueles denominados Reality Shows, que têm o lucro como seu principal objetivo.
Nós, bispos do Conselho Episcopal Pastoral (CONSEP), reunidos em Brasília, de 15 a 17 de fevereiro de 2011, compreendendo a gravidade do problema e em atenção a esses pedidos, acolhendo o clamor de pessoas, famílias e organizações, vimos nos manifestar a respeito.

Destacamos primeiramente o papel desempenhado pela TV em nosso País e os importantes serviços por ela prestados à Sociedade. Nesse sentido, muitos programas têm sido objeto de reconhecimento explícito por parte da Igreja com a concessão do Prêmio Clara de Assis para a Televisão, atribuído anualmente.
Lamentamos, entretanto, que esses serviços, prestados com apurada qualidade técnica e inegável valor cultural e moral, sejam ofuscados por alguns programas, entre os quais os chamados reality shows, que atentam contra a dignidade de pessoa humana, tanto de seus participantes, fascinados por um prêmio em dinheiro ou por fugaz celebridade, quanto do público receptor que é a família brasileira.
Cônscios de nossa missão e responsabilidade evangelizadoras, exortamos a todos no sentido de se buscar um esforço comum pela superação desse mal na sociedade, sempre no respeito à legítima liberdade de expressão, que não assegura a ninguém o direito de agressão impune aos valores morais que sustentam a Sociedade.
Dirigimo-nos, antes de tudo, às emissoras de televisão, sugerindo-lhes uma reflexão mais profunda sobre seu papel e seus limites, na vida social, tendo por parâmetro o sentido da concessão que lhes é dada pelo Estado.
Ao Ministério Público pedimos uma atenção mais acurada no acompanhamento e adequadas providências em relação à programação televisiva, identificando os evidentes malefícios que ela traz em desrespeito aos princípios basilares da Constituição Federal (Art. 1º, II e III).
Aos pais, mães e educadores, atentos a sua responsabilidade na formação moral dos filhos e alunos, sugerimos que busquem através do diálogo formar neles o senso crítico indispensável e capaz de protegê-los contra essa exploração abusiva e imoral.
Por fim, dirigimo-nos também aos anunciantes e agentes publicitários, alertando-os sobre o significado da associação de suas marcas a esse processo de degradação dos valores da sociedade.
Rogamos a Deus, pela intercessão de Nossa Senhora Aparecida, luz e proteção a todos os profissionais e empresários da comunicação, para que, usando esses maravilhosos meios, possamos juntos construir uma sociedade mais justa e humana.
Brasília, 17 de fevereiro de 2011
Dom Geraldo Lyrio Rocha - Arcebispo de Mariana - Presidente da CNBB
Dom Luiz Soares Vieira - Arcebispo de Manaus - Vice-Presidente da CNBB
Dom Dimas Lara Barbosa - Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro - Secretário Geral da CNBB.