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28 outubro 2026

Bolsonaristas divulgam "listas de boicote" ao comércio de Canguçu e defendem demissão de adversários

 


O encerramento do processo eleitoral trouxe à tona um movimento preocupante e antidemocrático nas redes sociais: a criação e divulgação de "listas de boicote" com o objetivo de pressionar empresários a demitirem funcionários por suas convicções e escolhas políticas. A prática, alimentada por influenciadores e lideranças políticas, atenta diretamente contra a liberdade de expressão, o direito ao voto livre e a subsistência de trabalhadores.

Tratar a divergência política como critério para a manutenção ou rescisão de um contrato de trabalho é uma conduta inadmissível. O ambiente corporativo não pode ser transformado em um tribunal de exceção ideológica. Medidas de retaliação dessa natureza violam preceitos fundamentais da Constituição Federal e da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que asseguram a igualdade e a proteção contra qualquer tipo de discriminação no emprego.

Depois do resultado das eleições presidenciais deste domingo (25), eleitores bolsonaristas do PL começaram a circular listas com nomes de empresas e trabalhadores que teriam apoiado a vitória de Lula. 

O movimento, chamado de "Demita um petista", ganhou força nas redes sociais e em aplicativos de mensagens, com incentivo a boicotes e até demissões por causa do voto.

A maioria dos perfis que aderiu ao tema se define como "Cristãos", esquecendo o que Jesus deixou de ensinamentos como amar ao próximo, por exemplo, quando chegam a ameaçar com agressoes, desejo de morte e fim do sustento de trabalhadores e empresários que consideram "contrários".

De janeiro até domingo à meia-noite, foram 1.937 denúncias de assédio eleitoral na Procuradoria-Geral do Trabalho. Só entre segunda (26) e a tarde de terça (27), mais 400 denúncias foram registradas, totalizando 2.364.

Dois parlamentares do Paraná foram denunciados ao MPT. O vereador de Curitiba Guilherme Kilter (Novo) publicou a frase "Demitir petista, gostoso demais" e disse que empresários deveriam começar cortes pelos petistas. O MPT recomendou que ele publique uma retratação. A vereadora de Londrina Jessicão (PL) escreveu: "Você tem uma empregada que é petista? Demita!" O MPT analisa o caso.

Os estados com mais denúncias são São Paulo (439), Minas Gerais (232) e Paraná (220).


DENÚNCIA

As Consequências Jurídicas do Assédio e da Discriminação:

A perseguição direcionada a trabalhadores ativos configura ilícito grave nas esferas cível, trabalhista e criminal. As ramificações legais incluem:

1. Esfera Trabalhista e Cível: Empresas que adotam essas listas ou demitem funcionários sob justificativa ideológica ficam sujeitas a processos na Justiça do Trabalho. O trabalhador lesado pode pleitear a nulidade da dispensa, reintegração imediata ao cargo e indenizações expressivas por danos morais individuais.

2. Responsabilização Coletiva e Multas: O Ministério Público do Trabalho (MPT) atua rigorosamente por meio de Ações Civis Públicas e Termos de Ajuste de Conduta (TAC). Parlamentares e influenciadores que incitam publicamente essas demissões também respondem legalmente, enfrentando ordens judiciais para remoção de conteúdo, retratações públicas e multas civis que ultrapassam centenas de milhares de reais por dano moral coletivo.

3. Esfera Criminal: De acordo com o Código Eleitoral brasileiro (Artigos 299 e 301), o assédio eleitoral — caracterizado pelo uso do poder econômico ou hierárquico para constranger, ameaçar ou punir a liberdade de escolha política — é crime. A pena prevista pode chegar a quatro anos de reclusão, além do pagamento de multa.


Como Denunciar ao MPT

O Ministério Público do Trabalho monitora ativamente as denúncias de assédio e discriminação político-eleitoral. O sigilo e o anonimato de quem denuncia são integralmente garantidos pelas ferramentas do órgão para evitar novas retaliações.

Para formalizar uma denúncia, o cidadão deve seguir os canais oficiais:

• Pelo Site Oficial: Acesse o portal nacional do MPT (mpt.mp.br) e selecione a Procuradoria Regional correspondente ao estado onde a irregularidade ocorreu. Clique na seção destinada a "Coleta de Denúncias".

• Pelo Aplicativo: É possível utilizar o aplicativo mobile MPT Pardal, disponível para sistemas Android e iOS, voltado especificamente para o envio ágil de irregularidades trabalhistas.

• Presencialmente: Em qualquer uma das sedes físicas das Procuradorias Regionais do Trabalho ou em postos avançados de atendimento de sua localidade.

Recomendações importantes para a denúncia:

Ao relatar o caso, é fundamental anexar o maior número de evidências possíveis. Reúna e salve capturas de tela (prints), e-mails corporativos, áudios, vídeos de redes sociais, comunicados internos ou circulares da empresa, além de indicar dados de testemunhas que presenciaram a conduta ilícita.

LISTA FOI DIVULGADA EM CANGUÇU 


Em Canguçu-RS uma listagem de ao menos 27 empresas e profissionais foi divulgada por um empresário em um grupo intitulado "Apoio Flávio Bolsonaro".
A prática gerou revolta até em setores que apoiaram o candidato por tratar-se de uma questão que extrapola qualquer tipo de ação eleitoral.

Profssional.da area da saúde do município divulgou imagem dizendo que petistas deveriam ser impedidos de ter atendimento de saúde 


Justamente o movimento que pregava "liberdade", mais empregos, estar defendendo prática de ódio aos adversários é totalmente condenável e algo criminoso, inclusive.




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