Morreu neste sábado (28), o ator e diretor Dennis Carvalho, 78 anos. Ele estava internado no Hospital Copa Star, em Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro.
Em nota oficial, a unidade de saúde lamentou a perda e prestou solidariedade aos familiares e fãs, ressaltando que detalhes adicionais sobre a causa da morte não foram autorizados pela família.
"O Hospital Copa Star confirma com pesar o falecimento de Dennis de Carvalho neste sábado e se solidariza com a família, amigos e fãs por essa irreparável perda. O hospital também informa que não tem autorização da família para divulgar mais detalhes".
Dennis deixa um legado como um dos maiores pilares da televisão nacional, acumulando décadas de sucessos.
Trajetória profissional
Dennis Carvalho nasceu em São Paulo em 27 de setembro de 1947. Sua estreia foi na televisão, em 1964, na novela Oliver Twist, da TV Paulista, baseada na história de Mark Twain.
— A novela era ao vivo, não havia VT. Era fascinante ver o empenho das pessoas, fazendo televisão com as mínimas condições possíveis. Foi uma experiência muito bacana — lembrou Carvalho em entrevista ao Memória Globo, em 2008.
Em seguida, foi para o ramo da dublagem. Interpretou a voz de cabo Rusty, o amigo do cachorro Rin-tin-tin, no seriado homônimo. Dublaria ainda outros personagens, como o Capitão Kirk, de Jornada nas Estrelas.
Voltou à televisão em 1968, sendo escalado para a novela Antônio Maria, da TV Tupi, ao lado de nomes como Aracy Balabanian, Tony Ramos e Paulo Figueiredo. Também atuou no teatro, no espetáculo Hair, em 1970.
— Estreei ficando pelado em cena. Nem preciso dizer que a peça foi o maior sucesso. E eu, aos 20 e poucos anos, já trabalhava feito louco, fazendo televisão e teatro ao mesmo tempo — recordou Carvalho.
Ele estrearia na TV Globo em 1975, a convite de José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, na primeira versão da novela Roque Santeiro, que acabou censurada e não foi exibida. Em seu lugar, a emissora exibiu uma reprise de Selva de Pedra, enquanto corria para produzir Pecado Capital, de Janete Clair, com Dennis no elenco.
A paixão pela direção
Seu primeiro trabalho como diretor foi em Sem Lenço, Sem Documento, em 1977. Na sequência, passou a trabalhar como ator e diretor na novela Te Contei?, de 1978, e, desde então, dirigiu e atuou em várias obras, como Vale Tudo, Fera Ferida, Explode Coração, Celebridade, Paraíso Tropical e Babilônia.
— Ser diretor, além de ser uma profissão gratificante que eu sempre sonhei, tem a missão de contribuir para o próximo, de lançar novos talentos, formar diretores e atores — declarou ao Memória Globo.
Ao longo da carreira, Dennis participou de obras que abordavam temas polêmicos, como homossexualidade, aborto e drogas, resultando em embates com censores da ditadura militar. É o caso do seriado Malu Mulher, que, depois de dois anos no ar, teve fim, apesar do sucesso.
Com esse trabalho, ele se firmou como diretor, revezando com Paulo Afonso Grisolli e Daniel Filho, responsável pelos episódios iniciais. Uma cena do primeiro episódio, em que Dennis também atuou, interpretando uma briga violenta com a personagem interpretada por Regina Duarte (a protagonista Malu), rendeu sete prêmios internacionais e se tornou motivo de orgulho para os artistas.
Já sua novela de maior sucesso, conforme o próprio Dennis Carvalho, foi Vale Tudo, de 1988, que reunia no elenco nomes estelares da época, como Regina Duarte, Gloria Pires, Antonio Fagundes, Reginaldo Faria, Renata Sorrah e Beatriz Segall, que interpretou a icônica vilã Odete Roitman — e que ganhou remake da Globo em 2025.
Outro ponto alto da trajetória foi a minissérie Anos Rebeldes, em 1992, que Dennis considerava como um presente em sua carreira, por levar os jovens a refletir sobre o passado do país. A obra trazia como tema de abertura a música Alegria, Alegria, de Caetano Veloso. Exibida à época do início do processo de impeachment do presidente Fernando Collor, o ator lembrava de ler no jornal sobre a passeata de caras-pintadas, na Avenida Paulista, pedindo o impeachment e cantando a música da minissérie.
— Eu me senti contribuindo para a história da televisão brasileira — destacou.
Sai de Baixo e minisséries
Além da extensa obra em novelas, Dennis se consagrou também como um dos diretores do programa Sai de Baixo, grande sucesso das noites de domingo da Globo entre 1996 e 2002. Ele também assinou as minisséries Urca, Labirinto, JK, Dalva e Herivelto: uma Canção de Amor, e os seriados Amizade Colorida e A Justiceira.
Vida pessoal e saída da Globo
Ao longo de sua vida, Dennis foi casado com as atrizes Bete Mendes (1970-1975), Christiane Torloni (1977-1980), Monique Alves (1981-1982), Tássia Camargo (1983-1985), Ângela Figueiredo (1985-1987) e Deborah Evelyn, com quem se relacionou por 24 anos (1988-2012). É pai do ator Leonardo Carvalho, seu filho com Christiane; Tainá, filha de Monique; e Luíza, fruto da união com Deborah. Em 1991, sofreu a perda do filho Guilherme, gêmeo de Leonardo.
Na Globo, seu último trabalho foi Segundo Sol, exibida em 2018. Foram mais de 40 trabalhos, entre novelas, minisséries e especiais. Após mais de 40 anos de casa, o diretor deixou a emissora em junho de 2022.
De acordo com a Globo, ele, assim como outros talentos, passou a ter contrato por obra. "Dennis é uma grande referência da dramaturgia brasileira e coleciona sucessos ao longo das últimas décadas na televisão. Ele tem abertas as portas da empresa para futuros projetos em nossas múltiplas plataformas", comunicou a emissora a GZH na ocasião.

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