Por que o Padre Júlio Lancellotti, tão conhecido de todos nós pelo belíssimo trabalho que realiza junto à Pastoral do Povo da Rua, em São Paulo, é tão perseguido, chegando agora a ser alvo de uma CPI? Porque muitos se sentem incomodados com o seu agir profético. O que seria este agir profético?
Para que todos entendam, é a maneira radical com que ele (padre Júlio), à luz do Evangelho, provocado pelo mesmo, procura viver o seu sacerdócio, isto é, numa plena identificação com Jesus e com o seu projeto libertador. Por isso se incomodam! Se incomodam porque o agir do padre Júlio, a sua atenção aos pobres, aos moradores de rua, àqueles que não têm voz nem vez, é uma constante denúncia à injustiça social tão presente na sociedade.
O seu agir é um convite aos "grandes do mundo", aos que detém certo poder, riquezas, etc, a terem um olhar para aqueles, os quais eles insistem em querer deixar onde estão: na margem da sociedade. Se incomodam tanto porque padre Júlio dá visibilidade aos invisíveis! Torna-se a voz deles! Partilha de suas dores, escuta seus gritos, caminha com eles tendo-os, de fato, como verdadeiros irmãos e filhos de Deus. Ou seja, ele faz o mesmo que Jesus fazia! E isso tem consequências! Faz com que ele experimente o mesmo que Jesus experimentou: críticas, perseguições, ser levado aos tribunais e, inclusive, a condenação à morte. Essa é a consequência natural de todos aqueles que decidem seguir Jesus Cristo com compromisso e radicalidade. Padre Júlio sabe disso!
Ele sabe muito bem que o seguimento a Jesus Cristo implica a cruz.
Agora, como cristãos que somos, como devemos nos comportar diante de tudo isso? Devemos assistir a tudo "de camarote", um tanto passivos e de braços cruzados como se não nos dissesse respeito? Logicamente que não!
Como cristãos, podemos e devemos, primeiramente, acompanhá-lo com a nossa oração, pedindo ao bom Deus que o fortaleça cada vez mais na linda missão que realiza. Mas também é preciso que manifestemos publicamente nosso apoio e nossa solidariedade. Mas cabe também ter presente que o seu agir não tem nada a ver com comunismo, como muitos taxam, deturpando o significado do seu trabalho. É Evangelho e ponto final! É a prática daquilo que o apóstolo São João nos diz na sua Carta: "Filhinhos, não amemos só com palavras e de boca, mas, com ações e de verdade!" (1Jo 3,18).
São essas ações que incomodam todos aqueles que se omitem a fazer o mínimo do que ele faz. Força, padre Júlio! Estamos contigo!
Texto: Padre Edson Francisco dos Santos.
Padre Edson atuou, há alguns anos, em Canguçu.


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