As informações foram repassadas em uma coletiva da diretoria, representantes dos médicos da casa e funcionários que acompanhavam atentamente a manifestação. Os servidores, um dos grupos mais prejudicados, estão organizando uma manifestação com caminhada pelo centro da cidade na tarde de terça-feira (22) com saída às 14h00 do Monumento Ao Colono pela Rua General Osório em direção ao hospital. Toda comunidade é convidada a participar para sensibilizar o governo do estado.
Para se ter uma ideia da situação de penúria da única instituição de saúde do município, o último repasse da Secretaria de Saúde do RS para o hospital foi de R$ 4.545,00 quando o esperado R$ 700 mil. No mês anterior o repasse foi de R$54.509,23. Em dois meses os recursos para o hospital não chegaram a R$ 60 mil.
A situação incômoda agrava o endividamento da instituição. Segundo o diretor Armando Morales, na semana que passou uma comitiva tentou contato com representantes do Governo do Estado, indo até Porto Alegre e quando recebidos, depois de muita demora, um valor foi informado de repasse mas na hora não caiu no caixa. O estado estaria descontando financiamentos do hospital direto do repasse.
Para os administradores da instituição a situação é mais política que financeira. O hospital aguarda repasses da Consulta Popular de anos anteriores que podem amenizar a crise.
Enquanto vários vereadores estiveram presentes, ninguém representando a Prefeitura esteve na coletiva. Presidente em Exercício, Vereador Bigico, convidou diretoria do hospital para comparecer na sessão ordinária da Câmara, nesta segunda-feira (21) para expor os problemas e em conjunto formarem um bloco para cobrar dos agentes políticos do estado soluções.
SEM INTERNAÇÃO
Com a falta de recursos o hospital vê começar a falta de remédios e materiais básicos para atendimento. Por isso estão suspensas as internações até segunda ordem ficando apenas o atendimento de urgência e emergência no Pronto Socorro. Atualmente são 123 leitos do SUS, inclusive na UTI, e 45 estão ocupados para aqueles que já estavam em tratamento. Novos pacientes não serão internados.
FORNECEDORES
O valor que o hospital deve aos fornecedores, até o momento, é de aproximadamente R$ 728.765,21. Contas de água referentes a outubro, novembro e dezembro chegam a R$ 22.208,50 e de luz com pagamento desde julho atrasado somam R$ 286,033,33.
RECURSO
O último recurso recebido do hospital no valor de R$ 1.792,000,00 - muito propagandeado por agentes políticos - não tapou todos os gastos que chegavam, na época, em R$ 1.818.937,38.
Veja, abaixo, trecho das manifestações desta manhã na coletiva de imprensa realizada no salão de reuniões do Hospital de Caridade de Canguçu:
Conheça a estrutura do Hospital de Caridade
- Leitos: 123
- UTI: 10 leitos
- Referência em cirurgia geral a cinco cidades: Cerrito, Cristal, Santana da Boa Vista, Morro Redondo e Piratini
- Referência em obstetrícia a dois municípios: Morro Redondo e Santana da Boa Vista
- Funcionários: 239
- Médicos: 26 - contratados
- Orçamento mensal: R$ 1,2 milhão para suprir todos os gastos (com folha de pagamento, fornecedores e contas de água, luz e telefone)
- Déficit mensal: cerca de R$ 400 mil
- Repasses em atraso: R$ 1,5 milhão (Governo do Estado), referentes aos meses de outubro e novembro
- Pagamentos pendentes: aos funcionários (segunda parcela do 13º salário)
aos médicos (30% dos salários de outubro e 100% dos de novembro)
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