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28 agosto 2015

Psicóloga Canguçuense conduz pesquisa de fumantes com HIV

A dependência física e psicológica, e os aspectos comportamentais do fumante portador de HIV/Aids são avaliados no trabalho de pesquisa efetuado pela psicóloga com especialização em Abordagem Multidisciplinar em Dependência Química pela Furg, Marília Souza, doutoranda em Saúde e Comportamento pela Universidade Católica de Pelotas (UCPel), com o intuito de sugerir intervenções aos profissionais de saúde no tratamento do público-alvo. A ideia é avaliar os possíveis danos causados a essas pessoas e as alterações cerebrais que acontecem em função do vírus, níveis de saúde físico, nutricional e mental.

Marília destaca que o ato de fumar desenvolve um hábito e com ele os gatilhos que levam o usuário a fazer uso do cigarro. No aspecto psicológico, é comum entre os fumantes falarem que combate a ansiedade e porque gostam da sensação do cigarro entre os lábios ou entre os dedos, porque diminui o peso, entre outras justificativas. “Essa questão de entender a expectativa em relação ao cigarro será justamente para montar estratégias e listar as interferências comportamentais e com isso auxiliar o fumante a parar com o hábito.

Marília destaca que os dados a envolverem o tabagismo são preocupantes. O cigarro é a maior causa de morte evitável, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). Na população geral, é responsável por 21% dos óbitos. Já no público-alvo do trabalho esse percentual é mais do que o dobro: 44% entre os portadores do vírus HIV e 88% entre os que desenvolvem a doença. Por isso a necessidade de estratégias de combate, salienta a pesquisadora.

A fase atual é de aplicação de questionários a 452 pacientes do Serviço de Assistência Especializada (SAE) da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). A pesquisa deve estar concluída até o final do ano e embasará trabalhos científicos, além de traçar as estratégias para o serviço de saúde. O teor não pode ser divulgado antes da publicação em um periódico científico. Conforme Marília, serão avaliados os possíveis danos causados pelo cigarro e as alterações cerebrais que acontecem em função do vírus, os níveis de saúde físico, nutricional e mental. Com base na referência bibliográfica utilizada, a psicóloga salienta que entre os soropositivos fumantes é comum maior número de homens, o baixo nível escolar e o desemprego.

Também levando em consideração a bibliografia estudada, a psicóloga cita que entre os portadores da doença e fumantes, os sintomas depressivo e o estresse são notados. Já os físicos indicam a perda do músculo da face e o aumento do abdômen, do tórax e da nuca, causados pela medicação (lipodistrofia). “Minha preocupação é conseguir pesquisar um fator, que é o tabagismo, embora tenha havido uma queda no número de fumantes de 45% entre 1989 e 2010, segundo o Inca (Instituto do Câncer)”, fala.

O uso do narguilé 
Para a campanha do Dia Nacional de Combate ao Fumo, cuja data transcorre amanhã, o tema deste ano é O uso de narguilé e a iniciação ao fumo. A decisão do Inca se deu em decorrência do crescente número de novos usuários desse dispositivo para consumo do tabaco no Brasil. De acordo com dados da PETab 2008 (Inca), o cachimbo de origem oriental tinha, na época, quase 300 mil consumidores no país. O narguilé possui uma característica peculiar: um único cachimbo pode ser usado por várias pessoas simultaneamente. Tal fato reforça o aspecto da socialização do cachimbo, algo muito atraente, especialmente para os jovens. No narguilé o tabaco é aquecido e a fumaça gerada passa por um filtro de água antes de ser aspirada pelo fumante, por meio de uma mangueira.

Parar é possível
O comerciante Alex Resende Martins, 48, fumou por 32 anos. Decidiu parar quando a filha, na época com dois anos, o viu com cigarro na mão, embora ele sempre tentasse esconder dela, e disse que ia fazer mal para a garganta dele e ia precisar de um “doutor”. O comentário o tocou tanto que no outro dia saiu em busca de remédio para começar o tratamento. Sozinho não conseguiria, admitiu para si mesmo.

Levou três meses para definitivamente largar o vício. Foi um tempo de tratamento e outro de reforço. Nem pescar ia, para não lembrar do cigarro, porque associava uma coisa à outra. Quando terminou o reforço ficou muito tenso, “pavio curto”, como se definiu. “Tive que ir para o psiquiatra. Mais uns dois meses”, conta. Um outro medicamento, dessa vez para combater a ansiedade, lhe foi receitado.

Havia engordado 22 quilos. Começou a se sentir mal e resolveu fazer um check-up. E o resultado foi frustrante: todas os indicadores estavam aumentados. “Não sabia nem por onde começar. Hoje estou de dieta e já emagreci bastante. Agora vou fazer exercício. Antes não ia porque me achava muito gordo para academia”, conta. E ele segue: “Pela minha filha valeu ter parado de fumar, porque quero cuidar dela. Se eu pudesse ter um desejo atendido, era para ser eterno, só para ficar perto dela.”

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