Vou continuar nesta crônica, falando sobre os Pomeranos, primeiro pelo orgulho de ser descendente, segundo pela curiosidade que vem despertando na população o conhecimento de sua cultura. Diariamente sou abordado por pessoas confusas com esta diferença entre alemão e pomerano.
Os wende/pomeranos sempre tiveram muito forte temas como nascimento/infância, casamento e morte. Não temem a morte, pois entendem como um caminho natural que todos devem trilhar. Normalmente buscava-se o pastor para administrar a Ceia do Senhor ao Moribundo. Na hora da morte eram abertas todas janelas para que a alma pudesse partir sem sobressaltos para o céu, em seguida os familiares faziam uma oração e cantava-se um hino.
Algumas tradições perderam-se ao longo do tempo ou permanecem muito tímidas entre os mais idosos. Quando falecia o dono da propriedade, todos os animais, abelhas e arvores em torno da casa, eram avisados da morte. O relógio era parado, para simbolizar que mais um relógio da vida tinha deixado de funcionar. Os espelhos eram cobertos, tirando-se desta forma o poder que o diabo ainda pudesse exercer sobre a alma do morto.
Após estas ações iniciais, lava-se o defunto, no entanto a água utilizada não poderia ser colocada onde alguém pudesse pisar, portanto era normalmente colocada sobre arbustos, ou grande buracos, não podia ser jogada perto de currais ou galinheiros e, a toalha usada para secar o defunto era colocado no fundo do caixão.
Enquanto o defunto era banhado e vestido, uma pessoa percorria a região para comunicar o falecimento e hora do sepultamento. A pessoa que percorria convidando era o “ grawnisbirrer” (aquele que pede, que solicita para sepultura, para o sepultamento). Durante suas andanças, não cumprimentava ninguém e também não passa da soleira da porta, o convite era feito falando ou gritando da estrada ou do caminho.
Normalmente o defunto era acompanhado de seu hinário e de sua Bíblia. Quando eram crianças eram colocados brinquedos. Pescadores recebiam redes.
No velório os pés do morto eram colocados em direção da porta. E durante toda permanência do morto, observavam-se os detalhes: mãos que não permaneciam juntas ou olhos que se entreabriam, sinalizavam a morte de uma pessoa da mesma família nos próximos tempos. Se dentro do caixão o rosto de uma pessoa idosa dava a impressão de ser jovem, isto significava que a próxima morte seria de um jovem na comunidade. Para o contrário valia o mesmo.
Na saída da casa mortuária, também se poderia descobrir o sexo do próximo morto, se um homem deixa por ultimo deixa a casa, então o próximo a falecer será do sexo masculino.
Os mortos tinham a capacidade de voltar pessoalmente e, se fossem provocados, sendo portanto proibido falar mal do morto, pois sua alma ouviria e voltaria para se vingar.
Ao longo do tempo foram criadas muitas estórias de pessoas que não conseguiam sossego, por isto vagavam: “hei Hätt sich meldt” (ele se manifestou) ou “hei Spök” (ele está assombrando) ou ainda “hei mut Wandere” (ele precisa vagar) eram comuns, vários seriam os motivos para tal, principalmente se em vida jurou falsamente, se levou segredos se andava com a consciência pesada.
Dentre as tradições antigas, o respeito aos mortos esta muito presente até hoje, seus túmulos desde a antiguidade eram verdadeiras obras de arte talhadas em madeira, atualmente são em mármore, e sua preservação bem como a colocação permanente de flores são deveres de todos os familiares dos mais próximos aos mais afastados.
Nilso Pinz
Funcionário Público Municipal
Pesquisador da Cultura Pomerana
Canguçu-RS
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