Alguém certa vez disse: “Política e religião não se deve discutir”.
Acho irônica esta frase, pois justamente a política, a religião, ao lado do futebol, são os assuntos sempre presentes nas rodas de conversa. Tais debates são positivos, em especial se forem discutidos em níveis construtivos.
O que não se deve fazer é misturar a religião com a política. A consequência são ações extremistas como os períodos da Santa Inquisição, ou como o tal do “Estado Islâmico” – que vêm cometendo mais atrocidades do que se possa imaginar.
No tempo de Jesus a situação política era bastante curiosa: o império romano havia invadido a Palestina e dominavam o povo. O Imperador (César) colocava um governador como representante no local (Pilatos) e para dar uma de bonzinho permitia que o povo tivesse um rei (Herodes), que na verdade tinha um poder muito limitado e que devia ser sempre submisso a César. O povo estava cansado dessa submissão.
Nessa efervescência partidária pedem para Jesus se posicionar, fazendo-lhe uma pergunta sobre o imposto. A pergunta foi: “é ou não é contra a nossa Lei pagar impostos ao Imperador Romano (César)?”
O texto escrito em Mateus 22.15-22 revela que Jesus sabia que se tratava de uma armadilha, pois se ele dissesse que era justo, o partido dos judeus ficaria contra ele. Se ele dissesse que não era justo, o partido ligado ao governo iria o prender.
Jesus então pergunta de quem era o desenho que havia na moeda. As pessoas prontamente disseram que era o desenho de César (imperador). Então diz a famosa frase: “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”.
Com essa frase Jesus não estava ficando em cima do muro, ele não estava apenas dando uma de esperto, mas estava estabelecendo a verdade de que política e religião não se misturam.
Um posicionamento partidário, como diz a palavra, é a favor de uma “parte” e não de “todos”. Cristo é para todos.
Na política, o cristão individualmente estabelece o ponto de contato, sendo sal e luz do mundo. Assumamos individualmente, com o voto, nossas convicções, mas certos de que nenhum ser humano é perfeito e digno de toda confiança (Sl 146).
Na religião, o dever daquele que proclama a Palavra de Deus é anunciar o nome de Jesus. Nele podemos confiar. Podemos não somente depositar nosso voto, mas toda a nossa vida em suas mãos (Sl 37.5). Quando vivemos o amor que Jesus ensinou, passamos a pensar não apenas em nossos próprios interesses, mas no interesse de todos. Aí então, o ponto de contato entre a religião e a política acontece.
Por isso, cabe continuarmos exercendo a cidadania e a boa política em todos os dias e não apenas nas eleições.
Pastor Ismar Lambrecht Pinz
ismarpinz@gmail.com – 84597508
Comunidade Cristo Redentor – Três Vendas – Pelotas, RS
02/10/2014
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