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03 outubro 2014

Situação delicada na parte financeira do hospital após intervenção

Intervenção deixou melhoria estrutural, porém dividas continuam sem solução

A ASSOCIAÇÃO DO HOSPITAL DE CARIDADE DE CANGUÇU, entidade gestora da instituição, esteve reunida em assembleia geral extraordinária, na noite de quinta-feira(02), com objetivo de analisar a situação financeira do hospital, que mesmo após a intervenção por parte da Prefeitura Municipal de Canguçu, continua precária e extremamente preocupante. E já fica o alerta: os salários deste mês de setembro devem atrasar.
Com a saída do executivo da administração em maio deste ano, também coincidentemente minguaram os recursos públicos do Estado. Durante o período de intervenção da prefeitura foram realizadas algumas melhorias, no entanto os problemas estruturais não foram resolvidos, o hospital permaneceu com uma divida acumulada em torno de R$:10.000.000,(dez milhões de reais), algumas parceladas ou renegociadas, bem como acumulou  em um aumento de despesas resultantes de ações trabalhistas.
Foto: Augusto Pinz/Canguçu em Foco

A Associação buscando honrar seus compromissos, principalmente com funcionários, estuda a realização de um empréstimo, parcelado em oitenta e quatro vezes, no valor inicial de R$: 850.000,00(oitocentos e cinquenta mil reais), para honrar os pagamentos da folha salarial do mês de setembro e décimo terceiro. A folha de pagamento do hospital, atualmente gira em torno de R$: 950.000.00(novecentos e cinquenta mil reais), dividida em: R$:500.000,00 (quinhentos mil reais) para os funcionários e R$: 450.000,00 (quatrocentos e cinquenta mil reais) referente aos médicos. 
O Hospital de Caridade, possui atualmente um despesa fixa, oscilando em torno de R$: 1.300.000,00(hum milhão e trezentos mil reais) e uma receita mensal resultante de convênios e repasses de recursos atuais em torno de R$: 700.000,00(setecentos mil reais) que com novos aditivos deverá chegar segundo previsões a R$:1.000.000,00(hum milhão), o que acarreta um deficit mensal na ordem de R$: 300.000,00(trezentos mil reais). Segundo o presidente da Associação, senhor Armando Morales com estes fatos: “Vamos ter que tomar medidas drásticas”.
Durante a Assembleia foram levantadas questões cruciais para entidade, dentre eles: os reflexos advindos da intervenção do município no hospital e as responsabilidades da prefeitura durante o seu período, inclusive quanto as ações trabalhistas geradas pela intervenção;  bem como as melhorias tais como: aquisição de televisores, máquinas de cafezinho, adequação do pronto socorro e reabertura da UTI adulto, no entanto acarretaram também em elevação de despesas, principalmente decorrentes do aumento de pessoal, gerando um desequilíbrio nas finanças; as formas de equacionar a questão financeira, buscando equalizar as despesas com as receitas, visto que, embora tenham sido realizados novos aditivos contratuais com Estado, os recursos não vem sendo feitos, nem mesmo os da consulta popular alguns pendentes desde o exercício de dois mil e dez; outra questão preocupante foram notificações extrajudiciais recebidas pela direção da entidade, referentes a ações trabalhistas e débitos existentes; a viabilidade de uma repactuação, com a redução dos valores atualmente pagos ao gestor e, a realização de um sindicância interna sobre a real situação do hospital antes e durante o período de intervenção da prefeitura, bem como os seus reflexos. Um relatório das atividades e situação do hospital foi requisitado em Maio e até hoje a Diretoria da Associação não recebeu o parecer.
A Assembleia aprovou a realização do empréstimo com possibilidade de ampliação de valores, a serem utilizados especificamente para pagamento do salário de setembro dos funcionários e médicos, décimo terceiro e possíveis indenizações; redução de despesas visando a equalização da receita com a despesa; consulta a profissional da área de direito quanto as ações a serem adotadas pelo hospital em relação as ações existentes e as decorrentes do período de intervenção, bem como a uma possível alteração estatutária; buscar formas urgentes e viáveis a serem implantadas na instituição visando a redução de gastos.
A situação do hospital de caridade, foi apresentada pelo presidente Armando Morales e diretoria de forma clara e transparente, sendo destacada na oportunidade pelo senhor Armando, que a situação é delicada, conclamando a todos que colaborarem na busca de soluções.
Diante do quadro apresentado o hospital de caridade, que aparentemente após a intervenção da prefeitura, pelos menos aos olhos da população, teria sua situação sanada, não condiz com a realidade existente, visto que, permanecem a falta de recursos para cobertura de seus custos,  com déficit elevado, recursos devidos pelos órgãos governamentais(consulta popular) sem pagamento, demora nos repasses das novas contratualizações com Estado, fatos que obrigam a sua atual administração a adotar atitudes drásticas com redução de despesas em todas as suas áreas. Podemos dizer que diante do quadro apresentado o “Hospital esta a caminho da UTI”     

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