NOVANET

Vida Plena

Gordices da KÁ

25 julho 2014

CRÔNICA DE UMA VIDA

Esta é a história de Dona Alvina Iven. Viúva, 73 anos, mãe de quatro filhos, avó de vários netos, natural deste município de Canguçu, descendente de pomeranos, - Dona Alvina, na passagem do Dia do Colono, conta sua vida e a de sua família, que é a vida das famílias pomeranas e da  mulher de origem pomerana, para que as pessoas fiquem sabendo como foi a vida dos pomeranos na construção de suas colônias. D. Alvina começa evocando seus avós paternos, Augusto Muller e Berta Winkel, e os maternos, Fernado Bhar e Joana Henzel, ambos naturais da Alemanha, que vieram para o Brasil em um navio de imigandes que aportou no porto de Rio Grande, em fins do século XIX. Viajaram no mesmo navio sem se conhecerem. Conheceram-se depois, casaram e tiveram vários filhos. Seus pais, Germano Muller e Uda Bhar Muller são naturais de Canguçu, casaram e viveram no distrito de Solidez, e mudaram-se para o Passo da Olaria, no primeiro distrito, onde seu pai construiu sua vida dedicando-se à lavoura e à criação de aves e gado leiteiro. Dona Alvina ficou órfã de pai antes dos sete anos, e sua mãe,  que não voltou a casar, criou sozinha os filhos e sozinha administrou  a propriedade e os negócios deixados pelo marido.
Lembra Dona Alvina, a dura vida na lavoura e nas colheitas, em uma época em que não se conhecia as tecnologias mais modernas: tratores, caminhões, luz elétrica, água encanada, tudo era no serviço braçal e na tração animal. Tudo era na pá, na enxada, na picareta, no machado, no facão e no velho arado puxado a bois. O transporte era na carreta de bois e na carroça puxada a cavalos. Plantava-se de tudo: aveia, cevada, batata, milho, muito trigo e produtos de horta. Não se conhecia adubos químicos e pesticidas. E “tudo dava e com fartura, a gente não se endividava, tudo era muito diferente, era muito trabalho, mas tudo era muito bom e muito divertido” – na sua expressão.  Mas apesar das dificuldades e da orfandade, Dona Alvina lembra a infância tranqüila, a ida e vinda para a escola, de carroça, a igreja nos domingos, a escola dominical, sua confirmação na fé luterana. Diz Alvina ter sido uma aluna muito aplicada, sempre com boas notas, e que seu grande sonho foi estudar e formar-se, sonho que não realizou pelas circunstâncias de sua vida e por falta de oportunidade. Mais tarde, tornou-se auxiliar de professora e alfabetizou muitas crianças e até adultos. Lembrando a juventude, diz que “foi muito fuzarqueira” e foi a muitas festas e bailes, e conta como eram as diversões, à época.
D. Alvina casou-se aos 24 anos com Arnildo Iven, e teve os filhos Noemi, Alvanir, Wolmir e Loeni, hoje todos casados e com filhos. Criou-se e casou no Passo da Olaria, depois mudou-se para a Coxilha dos Piegas (4   distrito), onde o marido adquiriu terras. Sua vida com o marido não foi tão árdua, mas repetiu a vida dos pais e avós: a dureza da lavoura, a faina das colheitas, a criação, as viagens de carroça. Às vezes quebrava o torno, conta, e era uma trabalheira, mas tudo dava certo. Lembra à lida da casa, suas habilidades domésticas, o fogão a lenha, o forno de tijolo. Tudo era feito em casa: pão, cucas, biscoitos, doces, compotas. Carneava-se porco, e se assava carne, fazia-se banha, lingüiças, patês e tantas outras coisas. Lembra que os tempos foram mudando.  Veio à época do trator, do caminhão, dos instrumentos agrários modernos, e a carroça foi ficando no galpão. A vida ficou mais fácil, diz ela, porém as preocupações continuam: manter as máquinas sai caro, a gasolina está cara, a ração, os adubos, os pesticidas, os remédios veterinários são caros, as dívidas são muitas, mas “tudo bem, valeu” – e sorri. Dona Alvina viuvou em 2l de maio de 2013,  passou administração das terras e dos negócios aos filhos e veio morar na cidade. Agora quer descansar. Alegre, comunicativa, gosta de ler, escrever e conversar, de participar e ajudar. Eis um perfil da valorosa mulher pomerana.
Dona Alvina. Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação

Texto de autoria de Ione e Lúcio Newton Meireles Prestes.
E uma homenagem do site Canguçu em Foco.

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