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Gordices da KÁ

18 novembro 2013

Enxurradas deixam rastro na agropecuária da região

O intenso volume de chuvas que atingiu todo o Estado no final de outubro e início de novembro gerou mudanças na rotina das atividades agrícolas que estavam mais vulneráveis, no período inicial, na região sul do Estado.

Depois que as águas baixaram, ao longo da semana, foi possível mensurar os estragos e retomar as atividades recuperando as condições do solo e replantando culturas. Na região houve relatos de lavouras prejudicadas com a erosão de solos e culturas com atraso e dificuldade de escoamento da produção.

O município de Canguçu decretou estado de emergência e calcula perdas pelas chuvas de R$ 9 milhões, entre recuperação de pontes, estradas, lavouras de fumo e soja perdidos e leite estragado, que não conseguiu ser acessado nas propriedades pelas cooperativas coletoras.

Até momento foram identificadas 11 pontes do interior de Canguçu arrastadas ou comprometidas pela força das águas, atingindo os cinco distritos e mais de 50% dos agricultores de forma direta ou indireta. Com a tempestade do domingo anterior um agricultor perdeu uma vaca leiteira, um terneiro e dois cabritos que foram atingidos com um raio, em uma propriedade localizada bem próxima ao município.

As pontes que ligam Canguçu a São Lourenço do Sul foram levadas pela chuva na cheia do arroio Grande, mais de 60 crianças estão sem ir à escola e o escoamento do pêssego e do leite foi prejudicado. O diretor de infraestrutura da Secretaria de Desenvolvimento Rural, Edemar Ebling da Cruz, afirma que com 51 anos como funcionário público de Canguçu, não havia presenciado uma chuva tão destrutiva para as estradas como a ocorrida em 10 de novembro de 2013.

"O agricultor muitas vezes vive de safra em safra e quando há obstáculos climáticos a tendência é tentar se recuperar o mais rápido possível", explica Edemar.

A soma das chuvas registradas na primeira semana do mês em cada município da região sul aponta volumes de 35 mm em Jaguarão, 47 mm em Arroio Grande, 50 mm em Cerrito, 67 mm em Morro Redondo e Pedro Osório, 69 mm em Pelotas, 79 mm em Capão do Leão, 90 mm em Arroio do Padre, 107 mm em Turuçu e 130 mm em Canguçu.

Fumo
Considerada a cultura mais representativa de Canguçu, o fumo teve registros de perdas e redução na expectativa inicial de produtividade, não sendo informada ainda a dimensão. Muitos agricultores já recuperaram as áreas perdidas reconstruindo canteiros e replantando as mudas.

O agricultor Renato Ledebuhr, do 2º Distrito, estima ter perdido de três a quatro mil mudas recém-transplantadas, por causa do excesso de água nas plantas e da erosão, cerca de 30% da sua produção. Ele conta que no último domingo até segunda-feira choveram 32 horas seguidas. Renato tem o tabaco como principal atividade econômica e pensa em diversificar a produção com a avicultura para não correr riscos com desastres climáticos.

Em outros municípios como Arroio do Padre, Capão do Leão, Morro Redondo e Pelotas também há registros de agricultores que intensificaram a atividade de transplante das mudas e capina durante a semana. Em Canguçu o plantio atingiu 11 mil hectares e em Pelotas quatro mil hectares.

Grãos
De maneira geral os trabalhos de semeadura do arroz irrigado estão paralisados devido ao excesso hídrico nas lavouras. Pelo menos para o plantio a cultura não depende de muita água e a adubação é feita no seco.

Segundo o gerente regional Zona Sul do Irga, André Oliveira, as lavouras mais precoces, que foram semeadas até o dia 15 de outubro, estão com desenvolvimento excelente e, inundadas, não apresentam problema com a chuva. Dos 180 mil hectares plantados na região (Arroio Grande, Pelotas, Jaguarão, Turuçu, Pedro Osório e Rio Grande), 75% já estão inundados e não foram prejudicados.

O restante, ainda não semeou ou está no início do plantio, teve prejuízos necessitando ressemeadura. As chuvas intensas em questão também causaram alguns estragos nas lavouras orizícolas prejudicando a germinação das sementes e rompendo as curvas de nível.

Em contrapartida o volume de precipitações foi fundamental para armazenar água para culturas de verão. Os 1.650 hectares da barragem do Chasqueiro em Arroio Grande estão no nível máximo de acumulação (cota 42 m), oportunizando a irrigação de 8.100 hectares no distrito do banhado.

Algumas áreas de soja que recém haviam sido plantadas foram levadas pela água nas áreas mais acidentadas. O preparo do solo para início de plantio também está prejudicado devido ao excesso de umidade. Em geral, a safra de soja está com plantio levemente atrasado, porém, como as áreas ainda não foram definidas e plantadas como um todo, não há como calcular perdas consideráveis. Intensificando o plantio nos próximos dias até o final de novembro, a cultura não correrá risco de seca no período fundamental.

O mesmo ocorre com o milho, que está em fase de semeadura. O excesso de umidade do solo está atrasando o início da cultura em toda a região. Algumas variedades para silagem estão mais adiantadas e resistiram bem às chuvas. Porém, as plantas recém-semeadas tiveram perdas em áreas inundadas.
Já o trigo, em ponto de colheita em Pelotas, pode ser colhido assim que a lavoura secar para entrada da colheitadeira. Nesse momento, a umidade é prejudicial para o grão que pode desenvolver o fungo giberela. Triticultores de Pelotas devem estar colhendo a partir deste final de semana.

Pecuária
Na bovinocultura leiteira o escoamento diário da produção foi dificultado pelas péssimas condições das estradas rurais e pontes interrompidas. Durante toda a semana foram intensificados reparos em rotas representativas para restabelecer normalidade.

A cooperativa Cosulati identificou um déficit de leite de 5% esta semana, em função das dificuldades no acesso às unidades produtivas. A matéria-prima deve ser coletada pelo transporte dentro de 24 horas após a ordenha, sendo assim o leite que não conseguiu ser entregue no prazo foi desperdiçado.

A ponte conhecida como Travessão dos Helert, importante ligação de Canguçu a São Lourenço do Sul no meio rural, foi levada pela chuva pela segunda vez este mês. A rota servia de ligação entre cooperativas e produtores locais.

Fruticultura
Na rota do pêssego em Pelotas, Arroio do Padre, Morro Redondo e Canguçu as vias de escoamento de produção apresentaram erosão e buracos nas estradas do interior. Iniciada a colheita das cultivares precoces na região e também o início do recebimento da safra pelas agroindústrias, a Secretaria de Desenvolvimento Rural de Pelotas retomou trabalhos de recuperação de estradas desde a última segunda-feira, priorizando as vias do 8º, 7º e 5º Distrito.

Intensificam-se neste momento as aplicações antifúngicas, pois o clima úmido e chuvoso tem favorecido o aparecimento de doenças, principalmente, da podridão parda. O excelente padrão que as frutas apresentam não foi afetado pelas chuvas.

Clima nos próximos dias
Um desastre climático pode arrasar com a economia dos agricultores, porém, na hora de planejar a safra possíveis perdas por desastres naturais são sempre cogitadas e esperadas, já que não é possível controlar a ocasião.

A previsão de novas frentes frias, que trazem fortes chuvas e temporais, pode ajudar o agricultor a tomar decisões preventivas na lavoura. Porém, prognósticos a longo prazo não identificam a intensidade das chuvas desses comportamentos com antecedência.

Após a possível chuva da terça-feira, agora em menor intensidade, cerca de 30mm dependendo das regiões do Estado, o tempo deve permanecer firme e aquecido. Condição ideal para início da soja, solo úmido e calor.

Fonte: Diário Popular

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