NOVANET

Vida Plena

Gordices da KÁ

15 novembro 2013

Artigo: Sobre Agroecologia, ciência e (pre)conceitos

Por: Gervásio Paulus 

“Não há nada mais poderoso que uma idéia cujo tempo chegou” (Victor Hugo)

Diz um ditado popular que a sabedoria começa com o nome correto das coisas. Usar de forma equivocada um conceito é torná-la fonte de confusão e induzir a erros. Com a palavra Agroecologia corre-se o mesmo risco. 
Um equívoco muito frequente é confundir Agroecologia com um estilo ou corrente em particular de agricultura, qualquer que seja a sua denominação, quando estamos, a rigor, falando de um campo de conhecimento científico que aporta um conjunto de estudos, princípios e ferramentas para alcançar patamares crescentes de sustentabilidade no manejo dos agroecossistemas. 
Um outro equívoco, este mais grave, é confundir, por ignorância ou má-fé, Agroecologia com “atraso” e com “uma agricultura sem tecnologia”. Diferentemente do pressuposto nessa visão reducionista, a Agroecologia não prescinde dos avanços científicos e tecnológicos, ao contrário, vale-se deles à medida que contribuem para a efetiva construção de contextos mais sustentáveis. A propósito, não faltam evidências teóricas e empíricas sobre a relevância e atualidade da Agroecologia, reconhecida inclusive pela FAO. Nos restringimos aqui a citar o Marco Referencial de Agroecologia, elaborado pela Embrapa. 
Do ponto de vista prático, poderíamos citar centenas de experiências consistentes e bem sucedidas que incorporam, em maior ou menor grau, o enfoque agroecológico. Por limitação de espaço, citaremos apenas o exemplo da cooperativa Ecocitrus, de Montenegro e região, que acaba de ampliar a sua capacidade de processamento de suco orgânico e de óleos essenciais, destinados ao mercado interno e à exportação, numa demonstração inequívoca de que é possível aliar produção e geração de renda com um elevado grau de consciência ambiental e responsabilidade social. 
O lançamento recente do Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica - Planapo, pela presidenta Dilma Roussef, envolvendo oito ministérios e dezenas de instituições de pesquisa, extensão rural e organizações de agricultores de todo Brasil, coloca o tema num patamar de visibilidade e importância semelhante ao de outras políticas voltadas para a agricultura.
Para quem queira conhecer um pouco mais sobre o tema, convidamos para participar do VIII Congresso Brasileiro de Agroecologia, de 25 a 28 de novembro, em Porto Alegre (www.cbagroecologia.org.br), com mais de 1000 trabalhos técnico-científicos inscritos e a participação de quase 80 painelistas do Brasil e outros países, como a Espanha, Itália, França, Estados Unidos e México.
Estamos falando aqui de ciência, mas também de consciência e de persistência. Longe de ser uma ameaça à riqueza gaúcha, a Agroecologia, representa uma contribuição valiosa para promover um desenvolvimento rural socialmente inclusivo e estilos de agricultura mais parcimoniosos no uso dos recursos naturais, traduzindo princípios gerais em formatos tecnológicos específicos, adaptados à diversidade e às distintas realidades regionais. Princípio, como bem definiu um agricultor, é onde tudo começa. 
Engenheiro Agrônomo (UFSM), Diretor Técnico da Emater-RS e Presidente do VIII Congresso Brasileiro de Agroecologia (25 a 28 de novembro/2013, Porto Alegre-RS).

Nenhum comentário: