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15 janeiro 2019

Bolsonaro assina decreto que flexibiliza a posse de armas

A partir do decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro hoje (15), no Palácio do Planalto, cidadãos brasileiros com mais de 25 anos poderão comprar até quatro armas de fogo para guardar em casa. O texto regulamenta o registro, a posse e a comercialização de armas de fogo e munição no país, uma das principais promessas de campanha de Bolsonaro.

Foto: Marcelo Camargo

Citando o referendo de 2005 em que a população rejeitou a proibição do comércio de armas de fogo, Bolsonaro argumentou a necessidade do decreto.

“O povo decidiu por comprar armas e munições, e nós não podemos negar o que o povo quis naquele momento. Em toda minha andança pelo Brasil, ao longo dos últimos anos, a questão da arma sempre estava na ordem do dia. Não interessa se estava em Roraima, no Acre, Rondônia, Rio Grande do Sul, Santa Catarina ou Rio de Janeiro.”

O decreto entra em vigor após sua publicação no Diário Oficial da União e refere-se exclusivamente à posse de armas. O porte de arma de fogo, ou seja, o direito de andar com a arma na rua ou no carro não foi incluído no texto.

Critérios
Os cidadãos deverão preencher uma série de requisitos, como passar por avaliação psicológica e não ter antecedentes criminais. O que muda com o novo decreto é que não há necessidade de uma justificativa para a posse da arma. Antes esse item era avaliado e ficava a cargo de um delegado da Polícia Federal, que poderia aceitar, ou não, o argumento.

“E o grande problema que tínhamos na lei é comprovação da efetiva necessidade, isso beirava a subjetividade, então, bem costurado, o senhor ministro [da Justiça] Sergio Moro, o senhor ministro, também Fernando, da Defesa, entre outros, chegamos à conclusão de que tínhamos, sim, como não driblar, mas fazer justiça com esse dispositivo previsto na lei, de modo que o cidadão pudesse, então, sem a discricionariedade, obter, observando alguns outros critérios, a posse da sua arma de fogo”, disse Bolsonaro.

Além de militares e agentes públicos da área de segurança ativos e inativos, poderão adquirir armas de fogo os moradores de áreas rural e urbana com índices de mais de 10 homicídios por 100 mil habitantes, conforme dados do Atlas da Violência 2018, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Donos e responsáveis por estabelecimentos comerciais ou industriais também poderão adquirir o armamento, assim como colecionadores de armas, atiradores e caçadores, devidamente registrados no Comando do Exército.

Limites
O limite de quatro armas poderá ser flexibilizado, caso o cidadão comprove a necessidade de adquirir mais, como, por exemplo, ser possuidor de mais de quatro propriedades rurais ou urbanas.

“Na legislação anterior se poderia comprar meia dúzia de armas, mas na prática não poderia comprar nenhuma, ou então era muito difícil atingir esse objetivo. Com a legislação atual, pode-se comprar até quatro, e ele, preenchendo esses requisitos, cidadão de bem, com toda certeza, poderá fazer uso dessas armas”, afirmou o presidente.

De acordo com o decreto, caso na residência haja criança, adolescente ou pessoa com doença mental será necessário apresentar uma declaração de que existe um cofre ou outro local seguro com tranca para o armazenamento da arma.

Registros
O registro e a análise da documentação continuam sob responsabilidade da Polícia Federal, mas, segundo Bolsonaro, futuramente, de acordo com a demanda, poderá haver convênios com as polícias militares e civis para esse trabalho.

O prazo para a renovação do registro da arma de fogo passará de cinco anos para 10 anos. Os registros ativos, feitos antes da publicação do decreto, estão automaticamente renovados pelo mesmo período.

11 outubro 2017

Porte de arma para agricultores aprovado em comissão da Câmara

O porte de armas para proprietários e trabalhadores rurais maiores de 21 anos foi aprovado pela Comissão de Agricultura da Câmara na última semana. Agora, a medida segue para as comissões de Segurança e de Constituição e Justiça.

De acordo com o deputado federal Alceu Moreira (PMDB/RS), que junto com o deputado Peninha Mendonça (PMSB/SC) é autor da Frente de autodefesa Armas pela Vida, a proposta proporciona o direito de defesa pessoal e familiar, bem como do patrimônio, tendo em vista que muitos desses agricultores vivem isolados e são vítimas constantes de bandidos. 

Recentemente, inclusive, o governo gaúcho criou delegacias especializadas em crimes no campo com base no aumento considerável de ocorrências.

A licença, lembrou ainda Alceu Moreira, será possível com a apresentação de documentos comprobatórios.

25 fevereiro 2011

Ministério da Justiça retomará campanha de desarmamento

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, afirmou que vai retomar “com muito vigor” a política de desarmamento no País. A pesquisa Mapa da Violência 2011, divulgada nesta quinta-feira (24), apontou uma queda de 7% nas taxas de homicídio no País em 2003, ano em que entrou em vigor o Estatuto do Desarmamento.

“Parece evidente que a questão mais grave é a do armamento excessivo. Quando nós desenvolvemos políticas de desarmamento, o índice de violência cai. Uma população armada é uma população violenta. Precisamos dar sequência a essa política”, afirmou o ministro.

Segundo Cardozo, o ministério vai desenvolver campanhas e programas para incentivar o desarmamento da população. Ele afirmou que será um projeto conjunto entre todas as instâncias de governo e a sociedade. “Vamos discutir com o governo ações nessa área. Temos reuniões previstas com representantes da sociedade civil e esperamos retomar uma política ofensiva de desarmamento.”

Além das medidas de combate à violência armada, serão desenvolvidas ações contra o crime organizado, principalmente na fronteiras. “Para isso é necessário termos um plano de fronteiras que intensifique o combate ao crime organizado. Vamos, em conjunto com os estados de fronteira, criar gabinetes de gestão integrada.”

O ministro afirmou que a corrupção é um fator diretamente relacionado ao crescimento do crime organizado. Segundo ele, o crime organizado cresce, pois há permissividade do setor público. "Precisamos enfrentar isso. Recentemente houve operações da Polícia Federal no Rio de Janeiro e em Goiás que desmembraram organizações que tinham policiais envolvidos."