A Câmara de Vereadores de Santa Vitória do Palmar decidiu, em sessão realizada na quarta-feira (5), pelo afastamento por 60 dias dos vereadores Edenilson Araújo (PSDB) e Carlos Júlio Capera (PT), por quebra de decoro parlamentar após divulgação de informações falsas. O fato teria ocorrido em novembro do ano passado, onde os denunciados utilizaram as redes sociais para realizarem denúncias que, posteriormente, foram avaliadas como inverídicas.
De acordo com a denúncia, formalizada pelo prefeito André Selayaran, no dia 14 de novembro de 2025, os vereadores realizaram uma transmissão ao vivo pela página do Facebook do vereador Edenilson, diretamente do aterro municipal. Na oportunidade, os dois parlamentares citados denunciaram o que seria um ...descarte irregular de caixões e corpos, a céu aberto.
Segundo Selayaran, servidores da prefeitura deslocaram-se, logo após encerrada a transmissão ao vivo, até o local, junto com a Brigada Militar, para averiguar a denúncia. Estiveram presentes o Secretário de Obras e Serviços Urbanos, Vanderlei Pereira, o Chefe de Governo, Daniel Cava e o assessor jurídico do Município, Lucas Barcia de Quadro. A denúncia aponta que, ao chegar até o aterro, ficou evidenciado que tratava-se do descarte de resíduos e que a informação de descarte de corpos não se confirmava.
“No dia da divulgação da live pelos vereadores, foi uma comoção social muito grande, diversas pessoas foram até o cemitério querendo saber se os restos de seus familiares estavam lá. Diversos......veículos de comunicação entraram em contato com o município, um verdadeiro pânico”, afirma o prefeito.
O que dizem os denunciados
Durante a sessão da Câmara de Vereadores de Santa Vitória, o vereador Carlos Júlio afirmou que recebeu a denúncia de um morador, que afirmava ser o descarte irregular de caixões. “Eu não podia, como vereador, prevaricar da situação. [...] Entro nessa sessão de cabeça erguida, com consciência tranquila e a certeza de que sempre atuei em defesa da população”, disse no plenário em sua defesa.
Já o vereador Edenilson disse ter sido comunicado por Carlos, mas que não ficou sabendo do teor da denúncia até momentos antes de deslocarem-se até o local. “O vereador [Carlos] me ligou para dizer que teria uma denúncia muito grave contra a Vigilância Sanitária, eu tentei saber sobre esse fato, ele disse que não, mas que eu pedisse o carro”, narra.
Ao chegar no aterro municipal, Edenilson afirma que avistaram cerca de cinco caixões no local. “Não vou negar aos senhores que, naquele momento, eu quis fazer uma live pela página de vereador. [...] Na hora eu achei que parecia um corpo e, automaticamente, eu falei. Em nenhum momento eu disse que não falei que tinha um corpo. Estou aqui sendo julgado por isso”, reconheceu Edenilson.
Decisão
A relatora do processo, a vereadora Janaína Souza (MDB) conta que a sessão de julgamento foi tensa e considerada um momento muito delicado. "Porque nós vereadores, estou falando por mim, quando coloquei meu nome à disposição do partido e para a minha comunidade, para ser uma representação dentro da casa legislativa, a gente pensa em projetos, fiscalizar o executivo, buscar recursos e melhores condições de políticas públicas para a comunidade. A gente não pensa em julgar e ser relatora e chegar no momento de ter que suspender um colega, que foi eleito também de novo", ressalta.
A parlamentar também destaca que a comissão seguiu preceitos de técnica e hierarquia, sem a intenção de prejudicar os colegas, mas esclarecer os fatos perante à comunidade. "Com a falsa notícia, eles aterrorizaram a comunidade, porque tu estás na tua residência e houve uma live, um vereador com credibilidade, dizer que tem corpos no lixão, aquilo ali foi muito sério", pontua Janaína.
Foram ouvidas pessoas diretamente envolvidas com o fato, além de contar com o depoimento de autoridades, policiais, funcionários, testemunhas, integrantes da acusação e da defesa dos parlamentares. Além dos dois vereadores afastados, uma terceira vereadora, Vera Borges (PT), também chegou a ser denunciada, mas a conclusão foi de que ela também foi ludibriada pelas informações divulgadas pelos colegas. "No seu próprio relato ela diz que nunca imaginou que um parlamentar estivesse falando uma notícia falsa da gravidade que é", afirma a relatora. Com isso, a vereadora não foi suspensa, mas recebeu uma advertência pela divulgação da denúncia falsa.
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