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27 setembro 2026

Zona Sul registrou 12 períodos de decretos com eventos extremos desde 2023, aponta jornal

 


Em pouco mais de três anos, municípios da Zona Sul do Estado registraram pelo menos 12 períodos de eventos climáticos extremos que resultaram em decretos de situação de emergência ou calamidade. O levantamento inclui ocorrências entre julho de 2023 e setembro de 2026, como ciclones, chuvas intensas, enchentes, estiagem, granizo, vendavais e tornados.  

​O número não representa a totalidade dos eventos extremos registrados na região, já que o levantamento considera apenas os decretos municipais. Outros fenômenos podem ter ocorrido sem provocar danos suficientes para a decretação de emergência.  

Para o professor da Faculdade de Meteorologia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Mateus Teixeira, o recorte pode subestimar a quantidade de eventos, mas permite identificar situações que provocaram impactos significativos. Segundo ele, a aparente maior frequência dos episódios nos últimos anos precisa ser analisada em uma série histórica mais longa antes de ser considerada acima do normal.  

​A sequência chama atenção pelos impactos: casas foram destruídas e destelhadas, pontes e estradas ficaram danificadas, lavouras foram perdidas e comunidades ficaram isoladas. Também houve interrupções no fornecimento de água e energia e necessidade de abrigar moradores. 

 ​A repetição dos eventos também aumenta a pressão sobre os municípios. Presidente da Associação dos Municípios da Zona Sul (Azonasul), André Selayaran afirma que as prefeituras já trabalham próximas do limite de sua capacidade financeira e de atendimento. Segundo ele, a recuperação de estradas rurais, pontes e outras estruturas tem elevado os custos para os governos locais.  

​Somente entre agosto e setembro de 2026, 18 dos 23 municípios da Azonasul decretaram situação de emergência. Em setembro, uma nova tempestade atingiu a região, com ventos de 113,7 km/h em Rio Grande e 96 km/h em São Lourenço do Sul. Em Cerrito, 205 casas foram danificadas e mais de 6,4 mil pessoas foram afetadas.

Para Teixeira, o Rio Grande do Sul está em uma região especialmente propícia à ocorrência de tempestades severas e outros extremos atmosféricos. "Essa aparente maior frequência pode, sim, estar ligada às mudanças climáticas. Com o aquecimento global, temos uma maior possibilidade de eventos extremos, tanto de excesso de precipitação quanto de déficit, como as estiagens. Mas, para confirmar que essa frequência está acima do normal, precisamos de uma avaliação de longo prazo", diz.  

A Hora do Sul

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