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16 setembro 2026

Vorcaro teria bancado “encontro” de R$ 10 mil para Nunes Marques

 


“As meninas estão prontas.” Uma mulher identificada como Rayanna organizou um encontro e, dias depois, cobrou de Daniel Vorcaro o valor de R$ 10 mil. De forma bastante direta, afirmou: “Boa tarde, Dani. Tudo bem? A minha amiga lá aquele dia! Deu certo, né? Ela disse que ficou com Kassio! Ela tá me cobrando aqui.” Um pix foi feito.

Pelo contexto da conversa, revelada por Thais Bilenky e Daniela Lima, no UOL, o alvo do encontro seria o ministro Kassio Nunes Marques, do STF, e, hoje, presidente do TSE. Embora o magistrado tenha negado o encontro (e é importante que se registre isso), o suposto pagamento por acompanhantes de luxo ilustra o que parece ser apenas uma fração de um esquema maior de facilidades. E a seletividade na produção de relatórios no STF.

Não é apenas um ministro, aliado do bolsonarismo e do centrão, citado em uma situação constrangedora. Mas o atual presidente do TSE, que prometeu conduzir a eleição com imparcialidade. Outras mensagens mencionam uma viagem internacional de luxo para cinco pessoas, encomendada pelo “Ministro Kassio”, com despesas autorizadas por Vorcaro. O próprio banqueiro já havia descrito festas com profissionais do sexo como parte do seu “business”.

O ponto central, porém, é outro: por que certas suspeitas geram relatórios, indignação e escrutínio no STF, enquanto outras parecem desaparecer no silêncio? André Mendonça construiu sua imagem com conservadorismo, religião e defesa da família. Mas princípios não podem valer só quando alcançam adversários.

Moraes merece investigação pelas mensagens promíscuas de Vorcaro, mas por que não Nunes Marques, Fux, Toffoli ou o próprio Mendonça, citados em diferentes episódios ligados a Vorcaro? Quando a régua muda conforme o alvo, deixa de ser justiça. É preferência política vestida de toga.

Leandro Sakamoto

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