Pelo contexto da conversa, revelada por Thais Bilenky e Daniela Lima, no UOL, o alvo do encontro seria o ministro Kassio Nunes Marques, do STF, e, hoje, presidente do TSE. Embora o magistrado tenha negado o encontro (e é importante que se registre isso), o suposto pagamento por acompanhantes de luxo ilustra o que parece ser apenas uma fração de um esquema maior de facilidades. E a seletividade na produção de relatórios no STF.
Não é apenas um ministro, aliado do bolsonarismo e do centrão, citado em uma situação constrangedora. Mas o atual presidente do TSE, que prometeu conduzir a eleição com imparcialidade. Outras mensagens mencionam uma viagem internacional de luxo para cinco pessoas, encomendada pelo “Ministro Kassio”, com despesas autorizadas por Vorcaro. O próprio banqueiro já havia descrito festas com profissionais do sexo como parte do seu “business”.
O ponto central, porém, é outro: por que certas suspeitas geram relatórios, indignação e escrutínio no STF, enquanto outras parecem desaparecer no silêncio? André Mendonça construiu sua imagem com conservadorismo, religião e defesa da família. Mas princípios não podem valer só quando alcançam adversários.
Moraes merece investigação pelas mensagens promíscuas de Vorcaro, mas por que não Nunes Marques, Fux, Toffoli ou o próprio Mendonça, citados em diferentes episódios ligados a Vorcaro? Quando a régua muda conforme o alvo, deixa de ser justiça. É preferência política vestida de toga.
Leandro Sakamoto

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