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30 maio 2026

"Vai ter uma onda de casos": diante da baixa vacinação e do El Niño, RS projeta óbitos e internações por vírus respiratórios

 Secretaria Estadual de Saúde associa o cenário à baixa cobertura vacinal e estima aumento de casos neste inverno, que tende a ser mais rigoroso, facilitando disseminação viral em ambientes fechados


Em meio à baixa cobertura vacinal e à chegada das temperaturas mais baixas, autoridades de saúde projetam uma escalada nas notificações nas próximas semanas. O sinal de agravamento ganhou força na quinta-feira (28), quando o Estado entrou na categoria de alto risco para Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), de acordo com boletim da FioCruz.
Diante disso, passada a Campanha Nacional de Imunização para grupos prioritários, que se encerra neste sábado (30), qualquer pessoa poderá se vacinar contra a gripe nas unidades de saúde do Estado a partir de segunda-feira (1º).
Dados da Secretaria Estadual da Saúde (SES/RS) mostram que o Rio Grande do Sul registrou 440 hospitalizações por SRAG entre 17 e 23 de maio — número inferior ao observado no mesmo período de 2025, quando houve 773 registros. No caso da influenza A, porém, o cenário se mantém praticamente estável: já são mil hospitalizações em 2026, ante 1.010 no acumulado equivalente do ano passado. 
De acordo com a especialistas, análises feitas pelo Laboratório Central do Estado (Lacen/RS) apontam tendência de crescimento tanto da influenza quanto do rinovírus, além de um aumento discreto na circulação do vírus sincicial respiratório (VSR). 

Sintomas se parecem
Embora muitas vezes sejam tratados de forma genérica como “virose” ou “resfriado", os vírus respiratórios em circulação no Estado têm características diferentes. A influenza é o vírus responsável pela gripe, que costuma causar sintomas mais intensos, como febre alta, dor no corpo, tosse, dor de garganta e mal-estar. Existem dois tipos principais — influenza A e B — e ambos estão contemplados nas vacinas disponíveis na rede pública e privada. 
— Já o rinovírus, o adenovírus e o metapneumovírus levam às síndromes. São mais associados ao resfriado, mas têm capacidade de levar a quadro graves. Isso pode ser mais frequente entre pessoas mais debilitadas ou crianças menores — continua o infectologista da Santa Casa de Porto Alegre Cezar Würdig Riche.

Gestantes protegidas
O vírus sincicial respiratório (VSR), conhecido por causar bronquiolite em bebês, passou a ser reconhecido como uma ameaça também para idosos e imunossuprimidos nos últimos anos. Atualmente, há imunização disponível para gestantes no SUS — estratégia que ajuda a proteger recém-nascidos nos primeiros meses de vida —, além de vacinas oferecidas na rede privada para idosos e grupos de risco.
— Mas a gente acredita que, esse ano, a incidência do VSR vai ser um pouco menor, principalmente porque a gente tem uma cobertura vacinal muito boa para gestantes. Isso certamente faz com que a gente diminua a ocorrência de casos nos primeiros meses de vida — projeta Tani Ranieri. 

Já a covid-19 segue em circulação, embora em menor intensidade do que nos anos mais críticos da pandemia. Ainda assim, o vírus continua associado a hospitalizações por síndrome respiratória aguda grave (SRAG), especialmente entre pessoas não vacinadas ou com esquema vacinal incompleto. Assim como a influenza e o VSR, a covid é uma doença prevenível.
— Febre, tosse, dor de cabeça ou dor de garganta é síndrome gripal. A SRAG vem acompanhada de falta de ar, redução do oxigênio do sangue ou desconforto respiratório. Quando o paciente tem esse conjunto de sintomas, pode ser qualquer vírus. Usamos como sinal de monitoramento — complementa Riche.
Medidas para evitar o agravamento dos casos

Na avaliação do infectologista, a tendência é de que o Rio Grande do Sul enfrente um inverno ainda mais intenso em relação às doenças respiratórias neste ano. Isso porque a previsão de um período mais chuvoso, associado ao El Niño, deve fazer com que as pessoas permaneçam mais tempo em ambientes fechados e com menor ventilação, cenário que favorece a  e com menor ventilação, cenário que favorece a circulação de vírus. 

A principal forma de evitar o agravamento dos casos segue sendo a vacinação, especialmente entre os grupos de risco. Além disso, medidas simples continuam importantes para reduzir a transmissão, como lavar as mãos com frequência, cobrir a boca e o nariz ao tossir ou espirrar, evitar contato próximo quando houver sintomas respiratórios e utilizar máscara em locais fechados ou com aglomeração.

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