Durante boa parte do século 20, fumar era um hábito amplamente difundido e socialmente aceito no Brasil. A publicidade associava o cigarro a sucesso, elegância e modernidade, e o consumo era comum em ambientes fechados e na presença de outras pessoas, inclusive de crianças. Esse cenário começou a mudar a partir de 1986, quando o país estruturou políticas consistentes de controle do tabaco, em resposta às evidências sobre seus danos à saúde.
Em 2006, aproximadamente 15,7% dos brasileiros faziam uso de tabaco; em 2023, esse valor era de 9,3%, o que representa uma redução média de 3,3% ao ano. O problema é que, se esse ritmo for mantido, os autores projetam que o país chegará a 2030 com uma prevalência de tabagismo de 7,96%, valor acima da meta de 6,24%, estabelecida para a década desde 2021 no Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas e Agravos Não Transmissíveis (DANT).
Outros fatores que entram na conta são: ausência de avanços regulatórios, o congelamento do preço dos cigarros entre 2016 e 2024, propostas de redução de preços dos produtos à base de tabaco, além do menor investimento em fiscalização e no combate ao contrabando. E claro: o surgimento e a popularização dos chamados dispositivos eletrônicos para fumar (DEFs), que incluem cigarros eletrônicos, vapes, pods e vaporizadores, também contribui para que mais pessoas (inclusive jovens) comecem a fumar.
Do ponto de vista sanitário, o não cumprimento da meta em 2030 significa manutenção da carga elevada de morbimortalidade associada ao tabagismo, como por casos de câncer de pulmão, boca ou laringe, além de infarto, derrame, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e bronquite. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o tabagismo foi responsável por mais de 161 mil mortes no Brasil em 2020.
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