NOVANET

Vida Plena

Gordices da KÁ

16 fevereiro 2026

Conheça a família de Canguçu que é guardiã da nascente do Arroio Pelotas

 Manancial percorre um curso de cerca de 60 quilômetros e deságua no Canal São Gonçalo!

Há duas décadas, uma família de produtores rurais do interior do município de Canguçu atua como guardiã da nascente de um curso de água natural, localizada em posição estratégica e de grande importância para a região sul do Estado.

A propriedade, que pertence a uma família de cinco pessoas, abriga a nascente do Arroio Pelotas. O manancial percorre cerca de 60 quilômetros e deságua no Canal São Gonçalo, permitindo a ligação com a Lagoa dos Patos até o Porto de Rio Grande.

A nascente foi oficialmente identificada em 2003, mesmo ano em que o Arroio Pelotas foi reconhecido como Patrimônio Cultural do Rio Grande do Sul pela lei estadual 11.895/2003.

O casal Nadir e Ivoni Schwartz adquiriu a propriedade no ano de 1997, antes da descoberta da nascente. A família, hoje com três filhos, Marina, Marcio e Marcelo, está na propriedade deste então, através do cultivo de tabaco e milho.

— Meus pais já moravam aqui quando um pessoal descobriu essa nascente. Eles vieram aqui e explicaram que tínhamos de preservar o local — conta Marina Schwartz.

Preservação e manejo

Segundo Marina, a família garante que a área ao redor da fonte não seja desmatada nem tenha contato com resíduos da produção agrícola. Por lei, eles devem manter a vegetação nativa intacta.

Como a fazenda produz tabaco e milho — culturas que utilizam defensivos agrícolas —, são necessárias técnicas específicas de manejo do solo. A principal medida é a implantação de curvas de nível nas lavouras, técnica usada para controlar o escoamento da chuva e impedir que resíduos sejam carregados para a água.

A geografia local também auxilia: a nascente fica em uma encosta íngreme e rochosa, imprópria para o plantio, o que cria uma zona de proteção natural.

— Em questão de plantação, a gente nem conseguiria plantar lá, porque é tudo bem inclinado. Além da preservação, tomamos cuidado com os agrotóxicos porque nossa cacimba de água está ali perto — explica a produtora.

Educação ambiental

Ao longo dos anos, o local tornou-se ponto de visitação para pesquisadores e escolas. Alunos e professores realizavam atividades de educação ambiental, como o plantio de árvores nativas. No entanto, Marina observa que, com a maior disponibilidade de informações online, as visitas presenciais diminuíram.

— Antigamente vinha muita gente, pesquisadores e muitas escolas. Agora, com o avanço da tecnologia, tem muita coisa na internet, aí não vem mais tanto pessoal — relata.

Mesmo sem receber incentivos financeiros governamentais, a família afirma sentir gratidão pelo papel que desempenha.

— É uma grande responsabilidade cuidar de uma coisa tão importante para todo o nosso Estado. Não é só para Canguçu, é para todo o Rio Grande do Sul — orgulha-se Marina Schwartz.

Gabriel Veríssimo/GZH

Nenhum comentário: