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06 janeiro 2026

Policial civil tem arma furtada dentro do Palácio da Polícia e expõe fragilidade da segurança pública no RS

🚨 Na madrugada do dia 31 de dezembro de 2025 para 1º de janeiro de 2026, uma pessoa em situação de rua invadiu as dependências da 2ª e da 3ª Delegacias de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA), no Palácio da Polícia, em Porto Alegre, e furtou uma pistola pertencente a um policial civil. Ao perceber a ausência do armamento, equipes precisaram ser mobilizadas para localizar o responsável e recuperar a arma.

O episódio escancara, mais uma vez, o cenário de desrespeito e desvalorização enfrentado pela Polícia Civil no Rio Grande do Sul. Mesmo dentro do principal prédio da instituição, símbolo histórico da corporação, os policiais convivem com condições precárias de trabalho que vão além dos danos estruturais causados pelas severas inundações recentes, colocando em risco a segurança de quem atua no local.

Atualmente, o Palácio da Polícia não conta com um controle efetivo de entradas e saídas, permitindo a livre circulação de pessoas em áreas internas e até restritas. A ausência de protocolos mínimos de segurança gera um ambiente de vulnerabilidade constante para os agentes que trabalham no prédio.

“Foi muito difícil acreditar que isso ocorreu dentro da delegacia. Absolutamente inesperado e absurdo”, relatou o colega* que teve a arma furtada. “Essa situação não é um problema apenas meu: eu descobri que não foi a primeira vez que algo assim aconteceu. É um problema que afeta todos nós”, completou.

Desde as enchentes de maio de 2024, a 3ª DPPA está alocada provisoriamente no mesmo espaço da 2ª DPPA, no Palácio da Polícia. No entanto, a unidade já deveria ter retornado ao seu prédio de origem, no bairro Navegantes. Em novembro daquele ano, a UGEIRM Sindicato encaminhou ofício à Chefia de Polícia solicitando providências, mas, até o momento, os agentes seguem atuando de forma improvisada no Palácio.

Esse cenário de descaso vem sendo denunciado há anos pela UGEIRM Sindicato, que se solidariza com os colegas e reafirma seu compromisso em apoiar todos os agentes que enfrentam situações semelhantes – situações que, caso se repitam, podem resultar em consequências ainda mais graves.

Diante dos fatos, a UGEIRM exige da Chefia de Polícia e da Secretaria de Segurança Pública do Estado a implementação imediata de um controle rigoroso de acesso ao Palácio da Polícia, o reforço da segurança interna, a realização de uma avaliação técnica e estrutural das condições do prédio e a apresentação de medidas concretas e eficazes para evitar novos episódios.

“Isso é resultado de um processo de desmonte que se arrasta há anos no Rio Grande do Sul”, afirma Fábio Castro, vice-presidente da UGEIRM. “Essa desvalorização se reflete no elevado número de exonerações e na baixa procura pelo novo concurso da Polícia Civil, que registrou uma redução superior a 40% no número de inscritos. Afinal, quem vai querer trabalhar em um local que não oferece o mínimo de segurança, salários dignos e condições estruturais adequadas?”, questiona.

Para se ter ideia, somente em 2025, 44 policiais civis pediram exoneração no estado, dando continuidade a um recorde histórico. As principais razões estão relacionadas à ausência de uma política salarial consistente e às péssimas condições de trabalho enfrentadas diariamente pelos agentes.

“Mesmo entregando os melhores índices de combate à criminalidade, a nossa realidade de trabalho é exatamente o oposto”, destaca Fábio. “É inaceitável que nossos colegas sigam enfrentando situações como essas. O governo de Eduardo Leite precisa valorizar os profissionais da segurança pública se quiser manter esses números que eles gostam tanto de fazer propaganda”, completa.

*A identidade do colega foi preservada pela UGEIRM.

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