O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira (4), por unanimidade, elevar a taxa básica de juros da economia (Selic) em 1 ponto percentual, de 4,25% para 5,25% ao ano — o maior nível desde outubro de 2019, quando a Selic estava em 5,5% ao ano. A alta de 1 ponto percentual foi a maior em 18 anos, desde 2003.
Para a tomada de decisão, o BC considerou a evolução da variante delta do coronavírus, que põe em risco a recuperação da economia global — ainda que o ambiente para países emergentes siga favorável — , além do aumento dos preços ao consumidor no Brasil, que se revela "persistente".
O Copom ainda deixou em aberto a possibilidade de um novo aumento da mesma magnitude na próxima reunião, marcada para daqui 45 dias. Se a previsão se cumprir, os juros saltarão para 6,25% ao ano, maior percentual desde julho de 2019 (6,50%).
"O Copom enfatiza que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados para assegurar o cumprimento da meta de inflação e dependerão da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação para o horizonte relevante da política monetária", ponderou.
Os últimos indicadores divulgados mostram composição mais desfavorável. Destacam-se a surpresa com o componente subjacente da inflação de serviços e a continuidade da pressão sobre bens industriais, causando elevação dos núcleos. Além disso, há novas pressões em componentes voláteis, como a possível elevação do adicional da bandeira tarifária e os novos aumentos nos preços de alimentos, ambos decorrentes de condições climáticas adversas.
Trecho do comunicado do Copom
Quarta alta seguida
É a quarta reunião consecutiva em que o BC decide pela alta, e a medida já era esperada por analistas.
Antes disso, os juros passaram sete meses — de agosto de 2020 a março de 2021 — em seu patamar mínimo histórico (2% ao ano), ainda na esteira das preocupações sobre os efeitos da pandemia da covid-19 no Brasil e no mundo. Foram quatro reuniões do Copom sem alterações na Selic até o aumento anunciado em março, para 2,75%.
Depois, vieram mais dois reajustes de 0,75 ponto percentual: o primeiro em maio, para 3,50% ao ano, e o segundo em junho, para 4,25% ao ano. Na ocasião, o Copom já havia sinalizado a possibilidade de um nova alta na próxima reunião, o que acabou se cumprindo hoje.
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