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23 dezembro 2015

Canguçuense espera por doador de Medula

Encontrar alguém com medula óssea compatível é a esperança de centenas de brasileiros que sofrem de doenças graves  e estão cadastrados no Registro Nacional de Receptores de Medula Óssea. O procedimento é simples: basta coletar 5ml de sangue em um hemocentro. A partir dessa doação, a pessoa é cadastrada como voluntário e passa a integrar o Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome), um banco de dados ligado à rede mundial de medula óssea que cruza os dados de doadores e pacientes.espera por alguém com medula compatível, no entanto, é angustiante para quem já está com a saúde fragilizada. Josiel Oliveira Carvalho, 18 anos, é de Canguçu e está em tratamento no Hospital Universitário de Santa Maria (UFSM) desde março. Ele é portador de anemia aplástica não especificada, que faz a medula parar de funcionar e não produzir glóbulos, plaquetas e hemácias.

Josiel precisa de um transplante urgente, mas, até agora, nenhum doador compatível foi encontrado. A doença provoca cansaço extremo em atividades simples, como caminhar, e faz com o que o jovem necessite constantemente de transfusões.
De acordo com o coordenador do Laboratório de HLA do Husm, médico Cristian Dias Barbosa, que acompanha o tratamento de Josiel, a doação da medula é o que pode salvar o jovem. Ele destaca, porém, que quem for se cadastrar no Hemocentro Regional de Santa Maria poderá se tornar um doador para qualquer pessoa do mundo, não exclusivamente para o Josiel.

– As pessoas querem ser doadoras de medula para uma pessoa específica, mas não é assim que funciona. Estando cadastrado, ela pode doar para qualquer um que seja compatível e, por isso, muita gente desiste. Quem se cadastra aumenta a chance de haver uma compatibilidade com o Josiel também, por isso é importante que as pessoas sejam doadoras – afirma Barbosa.Josiel Carvalho já passou por uma checagem de compatibilidade com os irmãos, mas os resultados foram negativos.

– Depois de procurar doadores compatíveis na família, ele passou por dois ciclos de imunossupressão, com medicamentos para a medula voltar a funcionar, mas não teve resultado. Ele precisa da doação o quanto antes, porque, nas condições dele, qualquer simples acontecimento pode fazer ele piorar. Uma queda, por exemplo, pode ser fatal – relata o médico.

O jovem, que vai ao Husm para consultas e exames uma vez por semana, não desanima, e tem a esperança de encontrar um doador compatível. Mas não apenas para ele:

– O que eu quero mesmo é receber a medula, já que os remédios não fizeram efeito. Eu fico na esperança de conseguir um doador, não só para mim, mas para todos os outros que estão nas mesmas condições. É uma luta por todos, para salvar mais vidas.(Diário de Santa Maria)

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