Notícias sobre as dificuldades da força policial em manter as ações necessárias por falta de estrutura são frequentes e sempre preocupantes.
Cortes nas horas extras na Brigada Militar, por exemplo, têm sido alvo de críticas desde que a medida foi anunciada, com finalidade de reduzir gastos. A divulgação de dados sobre a defasagem de policiais, no entanto, revela muito sobre a real situação da segurança na região.
Em casos mais graves, cidades são atendidas por menos da metade do efetivo ideal.
Dados divulgados pelo próprio Comando Regional de Polícia Ostensiva Sul (CRPO-Sul) mostram em números e em percentual quantos novos policiais seriam necessários para atender ao efetivo mínimo, fixado através de legislação específica. A defasagem média é de aproximadamente 40%, o que seria a média encontrada também em outras regiões do Estado, segundo o comandante do 4º Batalhão de Polícia Militar (BPM), tenente-coronel André Luiz Pithan.
Veja também
Reposição não acompanha perdas
De acordo com Pithan, ainda, o problema deve-se ao fato de os governos não incluírem novos servidores ao quadro, que perde em média mil policiais por ano, principalmente por aposentadoria. "Nos últimos dois ou três governos houve reposição, mas como vínhamos de vários anos sem reposição, seria preciso ter havido um número maior de policiais do que perdemos", explica. Apenas em Pelotas, desde o ano passado, foram 30 trabalhadores perdidos, sem reposição.
Além das saídas por aposentadoria, a BM perde muitos policiais para outros concursos. Com salários mais atrativos, Susepe, Polícia Civil e outros órgãos de segurança pública são frequentemente escolhidos como destino pelos agentes da BM, embora não se tenha estudos do que este número representa em percentual.
As dificuldades provocadas pela falta de policiais afetam todas as frentes de atuação da BM. "Como a maioria do efetivo trabalha na rua, a segurança do cidadão é diretamente atingida, mas faltam policiais em todas as áreas", opina Pithan.
Expectativa não é boa
Embora a maioria dos municípios da região mantenham a média próxima de 40%, alguns exemplos preocupam, por terem defasagem acima de 50% do quadro de Policiais Militares fixadas na legislação. O caso mais grave é Canguçu, que operaria com apenas 40% do efetivo.
Embora reforce a necessidade de reposição do quadro de trabalhadores para sanar um problema que agrava-se a cada ano, Pithan esclarece que não há sinalização de que a situação melhore em um futuro próximo. Mesmo com 2,5 mil policiais aprovados no Estado, esperando pela nomeação, o governo não tem demonstrado que algo será feito neste sentido.
A reportagem do Diário Popular tentou contato com o Comando Regional para comentar os números a serem apresentados, mas não teve sucesso.

Nenhum comentário:
Postar um comentário