Entoando refrões que tinham como principal alvo o reitor Mauro Del Pino, cerca dos 200 estudantes que ocupavam desde a manhã de segunda-feira (27) a Reitoria da UFPel, deixaram o prédio na noite desta quarta-feira (29), no campus Anglo, Zona do Porto de Pelotas. Eles reivindicam liberação de benefícios como o auxílio moradia e a construção de uma nova Casa do Estudante que abrigue todos os alunos de fora da cidade que não podem arcar com o preço dos alugueis cobrados em Pelotas.
Os estudantes decidiram deixar o prédio após a Justiça Federal conceder reintegração de posse à Universidade. No entanto, eles garantiram que nesta quinta-feira eles pretendem voltar ao local para seguir pressionando a reitoria a atender a uma longa lista de demandas na área da moradia estudantil.
Após deixarem o campus Anglo, localizado na zona do Porto da cidade, os alunos se direcionaram para frente do prédio do Instituto de Ciência Humanas (ICH), também na região do Porto, onde deram prosseguimento à manifestação. Logo depois, finalizando o ato, um novo protesto aconteceu em frente ao Restaurante Universitário, já no Centro de Pelotas.
A desocupação dos estudantes se deu de forma pacífica. Eles saíram da reitoria após a Justiça autorizar a reintegração de posse, que seria feita por agentes da Polícia Federal. A decisão de deixar a Reitoria foi tomada em assembleia.
A nova crise que resultou na terceira ocupação do gabinete do reitor Mauro Del Pino em três anos de gestão estourou na madrugada de domingo passado. Na ocasião, estudantes que moravam na Moradia Provisória, na avenida Duque de Caxias, bairro Fragata, se envolveram em uma briga com um grupo de pessoas após dois deles terem sido assaltados. Na confusão, dois alunos da UFPel foram brutalmente agredidos. Um deles precisou ser internado em estado grave no Pronto-Socorro de Pelotas (PSP), com traumatismo craniano.
A violência fez com que os mais de 70 alunos abrigados na Moradia Provisória deixassem o local por medo de represálias. O contingente se transferiu ao longo do domingo para o segundo andar da Casa do Estudante, na rua Andrade Neves, esquina General Telles, Centro da cidade. O espaço está em obras e não dispõe de energia elétrica. Na manhã de segunda-feira, com apoio dos moradores da Casa, os estudantes foram até a Reitoria reivindicar uma solução para o problema da moradia estudantil. Desde então, até a noite desta quarta, o grupo se alojou no gabinete do reitor.
Na tarde desta quarta, os alunos que ocupavam o espaço receberam o apoio dos estudantes da Faculdade de Odontologia da UFPel - que também protesta por melhores condições de infra-estrutura na Universidade. Em assembleia realizada na terça-feira, os estudantes de Odonto decidiram paralisar os atendimentos gratuitos à comunidade enquanto suas reivindicações não forem atendidas.
O que diz a UFPel
Após desocupação, a UFPel publicou uma nota oficial em seu site, onde a reitoria expressa disposição em retomar o diálogo com o movimento estudantil. Veja abaixo a nota na integra.
"Por ocasião da desocupação do Gabinete do Reitor, ocorrida no início da noite de hoje, quarta, 29 de abril, a Administração Superior da UFPel vem reafirmar seu compromisso de diálogo com o Movimento Estudantil e manifestar que os lamentáveis fatos ocorridos na madrugada do dia 26 de abril, que envolveram estudantes da UFPel e ampliaram o sentimento de insegurança da comunidade em geral e dos ocupantes da moradia provisória, em particular, tem sido pauta da gestão da UFPel em suas ações desenvolvidas em parceria com os agentes responsáveis pela segurança pública em nossa cidade.
A Administração vem trabalhando na construção de um conjunto de elementos que dizem respeito às condições de segurança e ao desenvolvimento acadêmico dos estudantes da UFPel.
O ocorrido nos leva à necessidade de produzir alternativas emergenciais, visto que os estudantes deslocaram-se da moradia provisória para a Casa do Estudante.
Dentre as medidas emergenciais apontou-se (1) a retomada da reforma do 2º andar da Casa do Estudante, que vinha sendo executada pela proprietária e que foi interrompida, em 2014, a pedido dos próprios moradores. Em vistoria conjunta da Administração, de representação estudantil e da proprietária, ficou estabelecido o reinício imediato e acelerado das obras e a conclusão das mesmas em, no máximo, 40 dias úteis. Para efetivação de tal ação foi requerido pela proprietária que o 2º andar fosse totalmente desocupado; (2) o pagamento de bolsa Auxílio Instalação para os estudantes que optarem por outras alternativas de moradia e (3) o retorno à moradia provisória com reforço das condições de segurança do imóvel.
A comoção decorrente fez com que a Administração mobilizasse profissionais da área de psicologia para o provimento dos cuidados necessários aos estudantes. Este atendimento adicional será mantido e poderá ser ampliado de modo a produzir conforto emocional para os mesmos. Os atendimentos providos, sempre que requeridos pelo aluno, deverão gerar atestados de forma a minimizar os prejuízos acadêmicos.
As ações emergenciais aqui apontadas estão mantidas como alternativas e devem se somar a outras que se mostrem adequadas e possíveis para prover, de forma definitiva, melhores condições de trabalho e estudo.
A Administração afirma o diálogo como única via para, coletivamente, encontrarmos os melhores caminhos que levem à solução das dificuldades atuais, para tanto agendou, pós desocupação, reunião com uma comissão composta por integrantes da Gestão, das Entidades Sindicais (ADUFPel e ASUFPel) e do Movimento Estudantil, que ocorrerá amanhã (quinta, 30), 10 horas, no Gabinete do Reitor."


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