Em tempos de cortes na Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Sul as prefeituras procuram alternativas para compensar o déficit de policiais nas ruas e a partir disso o videomonitoramento desponta como a principal aposta. As quatro maiores cidades da região - Pelotas, Rio Grande, São Lourenço do Sul e Canguçu - já possuem ou estão implantando projetos para cobrir as áreas urbanas com olhos eletrônicos capazes de detectar e intimidar a criminalidade.
Na maior cidade do Sul, 38 câmeras de última geração vigiam o Centro, os principais acessos e áreas com grande incidência de crimes, como a Cohab Pestano e o bairro Fragata. O coordenador do Gabinete de Gestão Integrada Municipal (GGim), órgão responsável por monitorar as imagens, Paulo Darci dos Santos, diz que a cada dia o sistema flagra, em média, quatro crimes. Este número só não é maior porque as câmeras operam no sistema de giro e cada volta de 360 graus leva em média um minuto, por isso pode acontecer de não se flagrar uma ocorrência que aconteceu "nas costas" da imagem. O número aparentemente baixo também se justifica porque a criminalidade tende a diminuir nos locais onde há vigilância eletrônica, conforme explica Santos.
Atualmente entre três e cinco guardas municipais se revezam a cada turno no acompanhamento das imagens, o que representa uma média de sete a 12 câmeras para cada um controlar. O ideal, conforme Santos, seria no máximo oito câmeras por servidor. A assinatura de um convênio com a Brigada Militar (BM) para a designação de PMs à equipe de videomonitoramento aparece como a alternativa para melhorar o desempenho do projeto. O trâmite da proposta, no entanto, foi interrompido com a troca do governo estadual, mas as tratativas já recomeçaram. "Não desistimos de ter a BM aqui."
Sistema aprovado
Em Rio Grande, onde o sistema foi reativado há cinco meses após permanecer dois anos inativo, os resultados são considerados tão satisfatórios que a renovação do convênio que permitiu a instalação de 18 câmeras no Cassino é considerado prioridade. "O contrato termina em abril, mas o prefeito já determinou sua manutenção", revela o coordenador do GGim, Daniel Nascimento. Além dos equipamentos instalados no balneário, a cidade ainda conta com outros 38 divididos por várias áreas. "Em tempos de redução de efetivos policiais é preciso investir em inteligência artificial e tecnologia, este é um caminho sem volta", diz.
A caminho
De olho nas experiências bem-sucedidas de outras cidades, os prefeitos de São Lourenço do Sul e Canguçu também decidiram investir no videomonitoramento. Contemplados com duas emendas parlamentares do deputado federal Fernando Marroni (PT-RS) de R$ 1 mihão cada, as cidades finalizam seus projetos. "Está tudo aprovado, estamos esperando apenas o depósito dos recursos para abrir a licitação para compra das câmeras e central de controle", diz Daniel Raupp (PT), prefeito de São Lourenço.
Em Canguçu, onde a entrada em funcionamento do sistema está atrasada em quase um ano, a comunidade angaria fundos para custear a reforma do prédio onde ficará a central de controle. A expectativa é de que até o final do ano tudo esteja funcionando.
Criminalidade em números
Confira os principais dados da violência urbana nas quatro cidades que investem em vigilância eletrônica pública
Pelotas
População - 328.275
Total de ocorrências em 2014 - 9.560
Furtos - 4.566
Assaltos - 2.794
Furtos de veículos - 800
Homicídios - 65
Latrocínios - 6
Rio Grande
População - 197.228
Total de ocorrências em 2014 - 6.536
Furtos - 3.410
Assaltos - 1.612
Furtos de veículos - 331
Homicídios - 55
Latrocínios - 3
Canguçu
População - 53.259
Total de ocorrências em 2014 - 506
Furtos - 405
Assaltos - 24
Furtos de veículos - 22
São Lourenço do Sul
População - 43.111
Total de ocorrências em 2014 - 638
Furtos - 458
Assaltos - 81
Furtos de veículos - 9
Fontes: Ministério Público do RS; SSP-RS; IBGE (Censo 2010)
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