Com duas varas funcionando no Fórum local o município de Canguçu acumula 11204 processos e nenhum juiz titular em nenhuma das varas. O atendimento dos processos se dá com um juiz substituto que vem, de Piratini, uma vez por semana ao município.
Para o presidente da OAB no município, advogado Arlei Idiarte Leal, é um total descaso por parte do Tribunal de Justiça. O advogado esclarece que quando se criou a segunda vara judiciária não foram criados cargos suficientes para que o número de servidores fosse o adequado. "Todos os servidores estão lotados na primeira vara e nenhum na segunda", comenta o presidente da OAB. Atualmente cinco funcionários (somadas as duas varas) se revezam para dar andamento aos processos quando seria necessário, no mínimo, 12 pessoas por vara. "É humanamente impossível funcionar desta maneira", assegura. Arlei compara a situação com o município de São Lourenço do Sul onde são 19 funcionários e mais 5 novos servidores serão destinados e o judiciário de lá estaria no mesmo porte de Canguçu.
A OAB está com uma campanha pública no município para que seja dada a devida atenção ao município com preenchimento de cargos e a destinação de juízes para as duas varas. Em março deste ano foi enviada uma correspondência pedindo ações do Tribunal de Justiça do Estado sem resposta. Para o presidente da OAB de Canguçu, entre 51 comarcas com problemas semelhantes no estado a de Canguçu está na pior situação.
A demora no atendimento judiciário acaba causando um mal estar entre os advogados e seus clientes. "A população está pressionado os advogados como se eles não dessem andamento nos processos", comenta Arlei Idiarte Leal. "Os mais sacrificados nisso ai são os advogados que são cobrados e não podem fazer nada", lembra.
Confira entrevista de Arlei ao programa "Manhã Especial" desta terça-feira (08):
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