Diário Popular
Se você, caro leitor, se deparar com uma das pessoas desta página, não hesite: pegue o telefone e denuncie. Eles estão na lista negra da Justiça e são procurados por agentes das delegacias, pois estão na condição de foragidos. Pessoas que deveriam estar cumprindo pena ou aguardando pelo resultado do processo longe do convívio da sociedade, pelo simples fato de oferecerem risco à população.
Dos procurados pela Delegacia Especializada em Furtos, Roubos, Entorpecentes e Capturas (Defrec), a captura de Janderson Fouchy Lopes, conhecido por Gueguê, é considerada momentaneamente a mais importante pela polícia. “Ele foi identificado em dois assaltos em saídas de bancos e continua praticando o crime”, disse o titular da Defrec, delegado Guilherme Calderipe. Na última grande ação realizada pela delegacia - Operação Mercenários - dos 15 presos, três estavam foragidos da Justiça, sendo cumpridos os mandados durante o dia marcado por prisões e apreensões da quadrilha de assaltantes.
De acordo com o juiz substituto da 1ª Vara Criminal do Foro de Pelotas, Paulo Ivan Alves Medeiros, verifica-se no país grande parte dos atos ilícitos normalmente ser praticada por foragidos ou por orientação deles. "Presume-se que com os foragidos, a tendência é fazer o mesmo de anteriormente (delitos). Uma situação diferente do condenado após cumprir pena, pois sai e vai procurar se socializar. Já o fugitivo sabe que está sendo procurado", comenta.
A assessoria de comunicação da Superintendência dos Serviços Penitenciários do Rio Grande do Sul (Susepe), esclarece: cada preso do regime semiaberto tem direito a 35 dias ao ano de saída temporária e os estados brasileiros administram esse benefício de forma diferente. "A Susepe elaborou um calendário para distribuir os dias ao longo do ano e não em datas festivas", explicou o assessor Marcos Vieira. Para ganhar o benefício é feita uma avaliação e o juiz é quem concede a autorização para a saída. No entanto, alguns apenados aproveitam desse bônus para não voltar e, portanto, ficam na condição de foragido.
"Conceder a saída temporária nos preocupa. Presume-se que o beneficiário não irá cometer mais crimes, mas é sabido sobre as reincidências", lamentou Ivan Medeiros. O mesmo ocorre com o preso preventivo, na condição de foragido. "Esse também oferece perigo e algum tipo de risco à sociedade e, por isso, a Justiça decretou seu afastamento do convívio social, durante o andamento do processo criminal." Tem ainda aqueles condenados, mas não capturados.
Disque e denuncie
Assim como a polícia, o magistrado Paulo Ivan Medeiros também considera fundamental a participação da comunidade na hora de denunciar. "O benefício é para a própria população." Ele cita o serviço do Disque Denúncia - pelos números 100 e o 181 - onde é mantido o anonimato. "As polícias se valem muito dessas informações, pois os efetivos dos órgãos estão longe de ser o ideal."
No próprio site da Polícia Civil do Estado (http://bit.ly/IAKENm) é possível saber sobre pessoas procuradas e como a população pode ajudar a localizar. Para o coordenador do Setor de Repressão Qualificada dos Homicídios de Pelotas, delegado Félix Rafanhim, toda informação que chega até a polícia é filtrada, até mesmo para saber se há fundamento. Se aponta detalhes ainda não divulgados, ela é averiguada. “O comunicante não é perito. Então precisamos nos ater aos detalhes. Tudo é trabalhado com técnica. Até a averiguação deve ser feita dentro da legalidade.”
Alternativa está no tornozelo
Fugas dos detentos do regime fechado das casas prisionais também são uma realidade, porém, a assessoria de comunicação da Susepe informou que o número é considerado baixo - de 70 a 80 ao ano. Já no regime semiaberto, os dados assustam. A alternativa da Susepe é o uso de tornozeleiras eletrônicas monitorando apenados, reduzindo de 13% para 2% o número de foragidos.
A tornozeleira eletrônica é utilizada no Brasil em diversos estados, como São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais e Rio Grande do Norte. No Brasil, o uso dessa tecnologia é recente, mas nos Estados Unidos funciona desde a década de 1990 com muita eficiência. Também é utilizada em Portugal, Espanha e Alemanha, além da Argentina, o primeiro país latino-americano a fazer uso do equipamento.
Confira estatísticas
- Susepe monitorou 984 apenados da região metropolitana, dos quais 90 fugiram e 50 permanecem foragidos; 20 foram flagrados cometendo crimes.
- No primeiro semestre de 2013, dos 5,7 mil presos gaúchos, 1,2 mil fugiram e 223 permanecem foragidos.
- Até fevereiro de 2014 serão 5 mil apenados usando tornozeleiras, sendo que a 5ª Regional da Susepe deve receber equipamentos em janeiro de 2014.
Confira a lista dos mais procurados

Nenhum comentário:
Postar um comentário