A comunidade de Morro Redondo está mobilizada pela recuperação e melhorias na VRS-302, rodovia vicinal que liga o município à BR-392. Com pouco mais de nove quilômetros de extensão, a rodovia foi asfaltada entre os anos de 1985 e 1988, quando o município ainda era distrito de Pelotas, pois se emancipou em abril de 1988. No entanto, a via não recebeu acostamentos e desde então as manutenções são apenas periódicas, via tapa-buracos, a última realizada em setembro deste ano, segundo o Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer RS).
Vinte e cinco anos depois, o município se desenvolveu e abriga hoje cinco indústrias do setor conserveiro, abatedouro de aves, fábrica de carrocerias, curtume de peles exóticas voltado à exportação, entre outros empreendimentos comerciais. Esta estrutura gera grande número de empregos, que triplica em época de safra. O município é responsável ainda por produção agrícola e avícola e as indústrias recebem também a produção de municípios vizinhos.
O escoamento desta produção é feito pela rodovia, única ligação asfáltica com o município, e por ela trafegam diariamente além de veículos de passeio, caminhões pesados - uma média diária de 20 - que acabam danificando o asfalto. Além disso, diariamente, o transporte coletivo realiza 16 viagens em horários variados para a cidade de Pelotas, através de duas empresas. Com seis metros de largura, três metros para cada pista, segundo o Daer, a via é considerada muito estreita por quem trafega por ela, pois além de não possuir acostamentos, em alguns pontos ficou ainda mais estreita pelo desgaste do asfalto. “A maioria dos motoristas, que estão acostumados a trafegar na via, é cuidadosa e procura não exceder o limite de velocidade, que é de 60 quilômetros por hora”, diz o vereador Anderson Guths (PTB).
Junto com outro vereador, Lauro Rodrigues (DEM), e com o vice-prefeito Diocélio Jaeckel, prefeitura e Câmara de Vereadores entregaram no Daer em Porto Alegre uma solicitação para recapeamento asfáltico, construção de zonas de recuo para embarque e desembarque para passageiros, sinalização e iluminação, acompanhada de abaixo-assinado com mais de 700 assinaturas, arrecadadas junto à comunidade.
Dificuldades
Conforme o sócio-proprietário da Indústria de Conservas Geraldo Bertoldi, localizada numa das avenidas principais de Morro Redondo, Márcio Bertoldi, a rodovia é a única via de escoamento de produtos, tanto matéria-prima quanto produto acabado. “Em época de safra do pêssego, principalmente nos meses de novembro e dezembro, o trânsito de veículos é ainda mais intenso e passa de quatro a cinco caminhões para mais de 15 veículos pesados por dia, somente para a indústria”, ressalta.
O sócio-proprietário do Posto Gaúcho, Antônio Silveira, localizado no início da rodovia, está acostumado a ouvir os mais diversos relatos dos motoristas que passam pelo local. Os mais frequentes são pneus cortados por causa da grande quantidade de buracos. “Os vendedores que precisam vir ao município para negociar e depois entregar as suas mercadorias são os que mais reclamam”, diz. Segundo ele, só não ocorrem acidentes na via porque a maioria já conhece a estrada e é cautelosa ao atravessar a rodovia.
O que diz o Daer
Segundo o Daer, a rodovia tem recebido apenas operação tapa-buracos, porque o contrato de conservação de Pelotas está sendo licitado na Central de Licitações do Estado (Celic). No dia 20 deste mês, ocorre o recebimento das propostas. A previsão é que ele passe a vigorar em março do ano que vem. Para realizar o conserto do asfalto, por exemplo, é preciso esse contrato. Por meio dele, a superintendência da região realizará uma reperfilagem (restauração ou aperfeiçoamento do perfil inicial de um pavimento).
A autarquia informa, ainda, que no momento não há projetos para melhoria do acostamento nem para recuo do transporte coletivo. “Na época em que a rodovia foi feita, eles não eram necessários, depois, o local se emancipou, aumentou o tráfego etc. Seria necessário realizar praticamente uma reconstrução da estrada para fazer essas alterações.” Em relação à sinalização, a promessa é de que seja feita no ano que vem.
Fonte: Diário Popular

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