A Luta que enfrentamos, a partir de um
luto inesperado
A APAE de Canguçu está de luto, ao perder um aluno de forma trágica, que ainda a poucos dias entrava em nossa escola e transbordava sentimentos, desejos e vitalidade. Ele não apenas aprendia, mas ensinava muito a cada atendimento que recebia dos profissionais da APAE. Por alguns anos tivemos sempre o desafio de desenvolver o Elivelton da maneira mais intensa possível, respeitando-o enquanto ser humano, em primeiro lugar e buscando sempre novas estratégias para que ocorresse evolução. A deficiência dele não previa uma tragédia como esta, mas Deus assim o quis!E quem somos nós para questionar?!
Falar da incansável batalha que sua mãe travava para sair da zona rural semanalmente, chegando até a APAE, reflete, assim como tantos outros exemplos que temos aqui, o quanto o amor incondicional por um filho, possuidor de alguma deficiência, nos instiga, enquanto profissionais da Educação Especial, a lutar contra os desafios que a Pessoa com Deficiência encontra a partir do momento que sai de sua casa e se depara com um mundo que não está preparado para aceitar a todos. Enquanto somos mais um na sociedade, pessoas com deficiência tentam o ser, mas em quase 100% das vezes, não o fazem sozinhos, suas famílias estão sempre ao lado, não medindo esforços para que a vida siga seu rumo da forma mais normal possível. E cedo ou tarde, entramos na vida destas famílias, enlutadas por sentimentos de culpa, de fraqueza e/ou impotência, diante de um filho com Deficiência. Procuramos nos inserir na vida dessas famílias, tentando primeiramente dar ou encontrar juntos, um rumo pelo menos viável, nos primeiros contatos.
A perda de um aluno como ele nos põe no compromisso de constantemente, respeitar e influenciar positivamente a vida da família a qual está inserido, mas situações como essa, que desesperam a todos, carece de uma intervenção Divina, que acolhe e “põe no colo” a todos nós, que de alguma forma interagiu ou apenas conheceu o Elivelton. Deus não quer nunca nosso mal e por isso nos conforta e dá força para que sigamos em frente, numa jornada que um dia terá fim, mas que até lá nos dá a ordem para seguirmos em frente, sendo acolhedores de pessoas especiais, que precisam de nós.
Eu tive apenas dois contatos com ele, os quais me deixaram apreensivo quanto aos objetivos e propostas a serem trabalhadas, mas a certeza de que o aprendizado seria mútuo me confortou e me deixou feliz, principalmente por sentir no seu olhar o desejo de superar seus limites, embora tendo dificuldades em demonstrar este desejo.
É fato que a saudade aparecerá nos dias que se sucederão, principalmente à família dele, oramos e pedimos à Deus que acompanhe-os na luta, que certamente não terá fim, contra a saudade. Um anjo nos deixa, com a certeza de que está junto de Deus no céu e isto nos conforta.
A APAE de Canguçu “abraça” a causa das Pessoas com Deficiência de forma mais ampla e lamenta muito a ausência do aluno Elivelton, o qual também trouxe sua contribuição para que nosso trabalho tivesse evolução e mais um motivo para existir.
Prof. Vagner APAE/Canguçu
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