Na China há um rigoroso controle de natalidade. Cada
casal deve ter apenas um filho. Esta política tem causado milhares de abortos e
descartes de recém-nascidos, em especial de meninas, pois entre os chineses cabe
ao filho homem dar continuidade ao nome da família e de cuidar dos pais na
velhice, enquanto que a mulher une-se futuramente a família do marido.
Por isso, logo que vi o caso do nenê dentro de uma
tubulação de esgoto, em um prédio da
cidade de Jinhua, apostei ser uma menina, cometendo o erro de julgar o
caso sem ter informações específicas. A mãe da criança alega ter sido um
acidente, o que pode ser verdade, mas os inúmeros casos de abandonos na China
me fizeram pensar: caso tenha sido uma tentativa de assassinato, isto é, que a
mãe intencionalmente descartou o bebê pela descarga – será que ela teria
coragem de usar uma espécie de soda caustica para não acontecer um
constrangedor entupimento? Esse pensamento me dá arrepios, mas é sim uma
probabilidade em um mundo onde o egoísmo assume proporções bizarras!
O curioso é que justamente nessa semana o Líder maior
da Igreja Católica acusou as famílias cristãs de optarem por ter um só filho,
não por força de uma lei como na China, mas por força do egoísmo, a fim de
livrar-se de dificuldades que uma criança pode trazer – esquecendo de todas as
alegrias que certamente elas nos trazem.
Sei que a maioria dos casais bradam em defesa
própria, afirmando que apenas estão querendo dar as melhores condições ao
filhinho, e que injusto é colocar filho no mundo e não poder sustentar. É
verdade! Mas será que essa explicação justifica a maioria dos casos? Sinceramente
eu penso que não. No fundo no fundo é um comodismo de quem quer desfrutar de
passeios, liberdades, e conforto econômico. Afinal, se os filhos de cristãos
são bênçãos ao mundo, por que evitá-los?
Em um livro chamado Ética de Cada Dia, o autor, Dr.
Martim Warth, defende a liberdade do casal de organizar um controle de
natalidade, uma vez que Deus conferiu ao ser humano a honra de participar na
criação e preservação da vida humana, para “encher a terra e sujeitá-la” (Gn
1.28). Logo o casal teria poder de decisão sobre a maneira, o tempo, a
qualidade e a quantidade de fazê-lo.
Porém, Warth é pontual e enfático ao tecer a seguinte
frase: “o casal cristão tomará a decisão
ética de não ter o menor número de filhos para cumprir com seu dever social,
mas de ter o maior número possível de bênçãos que suas circunstâncias sociais,
econômicas e físicas permitirem!”
Repito que é evidente que na ótica da fé, filhos de
um casal genuinamente cristão são bênçãos para a sociedade. Logo, repito o que
o Dr Warth já registrou, e que o papa Francisco proclamou: não devemos pensar
no menor número de filhos, mas no maior número possível, dentro de um critério de
responsabilidade e amor.
Pastor Ismar L. Pinz
29.05.2013, Pelotas, RS
ismarpinz@yahoo.com.br
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