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Vida Plena

Gordices da KÁ

29 maio 2013

Controle de Natalidade


Na China há um rigoroso controle de natalidade. Cada casal deve ter apenas um filho. Esta política tem causado milhares de abortos e descartes de recém-nascidos, em especial de meninas, pois entre os chineses cabe ao filho homem dar continuidade ao nome da família e de cuidar dos pais na velhice, enquanto que a mulher une-se futuramente a família do marido.
Por isso, logo que vi o caso do nenê dentro de uma tubulação de esgoto, em um prédio da cidade de Jinhua, apostei ser uma menina, cometendo o erro de julgar o caso sem ter informações específicas. A mãe da criança alega ter sido um acidente, o que pode ser verdade, mas os inúmeros casos de abandonos na China me fizeram pensar: caso tenha sido uma tentativa de assassinato, isto é, que a mãe intencionalmente descartou o bebê pela descarga – será que ela teria coragem de usar uma espécie de soda caustica para não acontecer um constrangedor entupimento? Esse pensamento me dá arrepios, mas é sim uma probabilidade em um mundo onde o egoísmo assume proporções bizarras!
O curioso é que justamente nessa semana o Líder maior da Igreja Católica acusou as famílias cristãs de optarem por ter um só filho, não por força de uma lei como na China, mas por força do egoísmo, a fim de livrar-se de dificuldades que uma criança pode trazer – esquecendo de todas as alegrias que certamente elas nos trazem.
Sei que a maioria dos casais bradam em defesa própria, afirmando que apenas estão querendo dar as melhores condições ao filhinho, e que injusto é colocar filho no mundo e não poder sustentar. É verdade! Mas será que essa explicação justifica a maioria dos casos? Sinceramente eu penso que não. No fundo no fundo é um comodismo de quem quer desfrutar de passeios, liberdades, e conforto econômico. Afinal, se os filhos de cristãos são bênçãos ao mundo, por que evitá-los?
Em um livro chamado Ética de Cada Dia, o autor, Dr. Martim Warth, defende a liberdade do casal de organizar um controle de natalidade, uma vez que Deus conferiu ao ser humano a honra de participar na criação e preservação da vida humana, para “encher a terra e sujeitá-la” (Gn 1.28). Logo o casal teria poder de decisão sobre a maneira, o tempo, a qualidade e a quantidade de fazê-lo.
Porém, Warth é pontual e enfático ao tecer a seguinte frase: “o casal cristão tomará a decisão ética de não ter o menor número de filhos para cumprir com seu dever social, mas de ter o maior número possível de bênçãos que suas circunstâncias sociais, econômicas e físicas permitirem!”
Repito que é evidente que na ótica da fé, filhos de um casal genuinamente cristão são bênçãos para a sociedade. Logo, repito o que o Dr Warth já registrou, e que o papa Francisco proclamou: não devemos pensar no menor número de filhos, mas no maior número possível, dentro de um critério de responsabilidade e amor.

Pastor Ismar L. Pinz
29.05.2013, Pelotas, RS

ismarpinz@yahoo.com.br

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